Pioneiro da arte cinética

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Artista potiguar foi pioneiro da arte cinética

Dois ‘Objetos Cinéticos’ (© Amanda Perobelli/Estadão)

 

 

Na juventude, estudou na Palestina, mais tarde se mudou para o Rio, onde se tornou um dos grandes nomes da arte cinética do Brasil

 

 

Abraham Palatnik (Natal, 19 de fevereiro de 1928 – Copacabana, Rio de Janeiro, 9 de maio de 2020), artista plástico, pioneiro da arte cinética.

 

Um dos pioneiros a trabalhar com a arte cinética, uma vertente das artes plásticas que explora efeitos visuais por meio de movimentos físicos, ilusão de óptica ou truques de posicionamento de peças, o nome de Palatnik é reconhecido mundialmente.

 

Abraham Palatnik fazia parte do grupo de artistas que inclui nomes como o americano Alexander Calder, os franceses Marcel Duchamp e Victor Vasarely e o venezuelano Jesus Rafael Soto, Abraham Palatnik iniciou, nos anos 1950, seus primeiros experimentos com a arte cinética, investigando o movimento a partir de obras que uniam cores, luzes e elementos mecânicos.

 

Em 1951, na primeira Bienal de São Paulo, ele chamou a atenção com uma tela com formas que se moviam como peixes em um aquário.

A aceitação não foi imediata. Seu cinecromático “Azul e roxo em seu primeiro movimento” foi enviado à I Bienal Internacional de São Paulo, em 1951, e quase ficou fora do evento, por não se encaixar nas categorias de pintura ou escultura. Mas nas décadas seguintes seu nome jamais deixou de ser associado a obras de vanguarda das artes brasileiras.

 

Nascido em Natal, no Rio Grande do Norte, Palatnik se tornou um dos maiores nomes na arte cinética, estética relacionada à luz e movimento. Na juventude, estudou engenharia na Palestina, durante os anos 1930 e 1940 e mais tarde se mudou para o Rio. Também desenvolveu trabalhos com internos do hospital psiquiátrico do Engenho de Dentro.

 

No bairro do Engenho de Dentro, viveu uma experiência que mudaria sua carreira. Em 1949, impactado pela arte de internos do Hospital Psiquiátrico Pedro II, Palatnik decidiu abandonar a pintura figurativa, iniciando a pesquisa com luz e movimento que resultaria nos primeiro trabalhos cinecromáticos.

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Em 1951, na primeira Bienal de São Paulo, ele chamou a atenção com uma tela com formas que se moviam como peixes em um aquário. Ele também integrou o Grupo Frente, com Ivan Serpa, Ferreira Gullar, Mário Pedrosa, Franz Weissmann, Lygia Clark e outros nomes dessa geração.

Palatnik sempre teve a pintura como referência, mesmo ao criar seus aparelhos cinecromáticos mecanizados (como aquele da 1.ª Bienal). E ela voltava a afirmar sua primazia nas obras em acrílica sobre madeira da recente série W, que, de certa forma, revisita as telas em óleo sobre ripas de madeira do final dos anos 1970 e começo da década de 1980 – que registram experiências radicais com cartões e metais cortados com precisão cirúrgica.

 

Atualmente o artista tinha obras expostas em diversas instituições internacionais, como o MoMA, em Nova York, e o Museum of Fine Arts, em Houston.

 

Ainda que tenha se tornado um dos principais nomes do movimento concretista, a singularidade das obras de Abraham Palatnik o manteve numa posição única no cenário nacional. O reconhecimento como um dos pioneiros da arte cinética garantiu sua presença em instituições internacionais, como o Museum of Fine Arts, em Houston, e o MoMA, em Nova York.

Para alguns críticos e especialistas, era difícil enquadrar o trabalho de Palatnik no movimento de arte cinética, como reconheceu o historiador de arte e professor britânico-brasileiro Michael Asbury. O artista, justificou, “escapa entre os interstícios das categorias”.

 

Segundo o crítico e jornalista do Estado, Antônio Gonçalves Filho, “seu vínculo com as vanguardas neoconstrutivistas surge mais da relação intelectual com o crítico Mário Pedrosa e com o pintor Ivan Serpa do que da afinidade com movimentos – e, considerando o que apresentou já na primeira Bienal de São Paulo, a questão abstracionista já não era mais problema para Palatnik, cujas primeiras experiências em pintura foram retratos, naturezas-mortas e paisagens nada memoráveis. Certamente não será o caso das pinturas mais recentes. Elas são iluminadas, em mais de um sentido”.

 

 

Potiguar e carioca

Nascido em Natal, em fevereiro de 1932, Palatnik se mudou ainda jovem para onde hoje fica o Estado de Israel. Depois de completar a primeira parte de seus estudos no exterior, o artista retorna ao Brasil em 1948, dessa vez para o Rio de Janeiro.

Arte cinética

Por volta de 1949, Palatnik iniciou seus estudos sobre a luz e o movimento, que resultaram no Aparelho Cinecromático. Nessa época, o artista começou a projetar máquinas em que a cor aparece se movendo. Com base nesses experimentos, são criadas caixas de telas com lâmpadas que se movimentam por mecanismos acionados por motores. A invenção foi exposta em 1951 na 1ª Bienal Internacional de São Paulo, onde recebeu a menção honrosa do júri internacional.

Alguns anos depois, o artista passou a integrar o Grupo Frente, ao lado de Ivan Serpa, Ferreira Gullar, Mário Pedrosa, Franz Weissmann, Lygia Clark e outros grandes nomes dessa geração. Ele desenvolve, a partir de 1964, os objetos cinéticos, um desdobramento dos cinecromáticos, mostrando o mecanismo interno de funcionamento e suprimindo a projeção de luz.

Em grande parte de sua obra, o rigor com a matemática se faz presente e vira uma marca de seu trabalho. Palatnik é considerado internacionalmente um dos pioneiros da arte cinética.

Influência de hospital psiquiátrico

Antes de desenvolver o conceito da arte cinética, Abraham Palatnik, ao lado de Almir Mavignier e do crítico de arte Mário Pedrosa, começou a frequentar os ateliês do Hospital Psiquiátrico do Engenho de Dentro, na Zona Norte do Rio. Lá ele conheceu o trabalho da doutora Nise da Silveira.

Segundo o artista, o impacto das visitas ao Engenho de Dentro e as conversas com Mário Pedrosa influenciaram em toda sua obra.

Com a influência, Palatnik abandona critérios escolares de composição e parte para relações livres entre formas e cores. Nesse momento, o artista aproxima-se da arte abstrata.

Em 1953, o artista apresenta seus trabalhos cinecromáticos, na 2ª Bienal Internacional de São Paulo e na 1ª Exposição Nacional de Arte Abstrata, no Hotel Quitandinha.

Desde 1999, mostras retrospectivas de Palatnik estão expostas no Itaú Cultural, em São Paulo e no Museu de Arte Contemporânea de Niterói (MAC).

Em 2017, o artista ganhou a exposição retrospectiva “Abraham Palatnik — A reinvenção da pintura” com 92 trabalhos, sendo três deles inéditos. A mostra passou pelo Centro Cultural Banco do Brasil do Rio, além de cidades como Brasília, Curitiba, Porto Alegre e São Paulo.

Outras marcas

Mesmo reconhecido pelo seu trabalho com obras cinéticas, Palatnik também apresentou outras novidades no mundo artístico.

Algumas de suas séries, como “Progressões” e “W”, nas quais o movimento está sempre presente, ainda que sem a interferência de motores ou engrenagens, sua carreira ganhou ainda mais destaque.

Nessas obras, as linhas criadas pela justaposição de filetes de madeira, acrílico ou de cartão mantêm a sensação de que as peças se mexem diante dos olhos do espectador. A busca pelo equilíbrio entre cores, formas e dinamismo é uma marca constante dos mais de 70 anos de produção.

Em 2018, Abraham Palatnik ganhou o Prêmio Faz Diferença, promovido pelo Jornal O Globo, na categoria Artes Plásticas.

O artista plástico Abraham Palatnik, de 92 anos, faleceu em 9 de maio de 2020, vítima da covid-19, no Rio de Janeiro. Ele estava internado desde o dia 29 de abril, no Hospital Copa Star, em Copacabana.

Ele sofria com problemas respiratórios, que foram agravados pelo novo coronavírus.

(Fonte: https://www.terra.com.br/noticias/coronavirus – NOTÍCIAS / CORONAVÍRUS – 2 MAIO 2020)

(Fonte: https://www.msn.com/pt-br/entretenimento/noticias – ENTRETENIMENTO / NOTÍCIAS – 09/05/2020)

(Fonte: https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2020/05/09 – RIO DE JANEIRO / NOTÍCIA / Por G1 Rio – 09/05/2020)

(Fonte: https://gente.ig.com.br/cultura/2020-05-09 – CULTURA / Por Agência O Globo com IG Gente – 09/05/2020)

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