Philippe Petit, equilibrista francês que atravessou, na década de 70, o vão entre as torres gêmeas do World Trace Center, em Nova York

0
Powered by Rock Convert

O equilibrista que caminhou sobre um cabo entre as torres do World Trade Center

 

 

Com sangue frio, Philipe Petit bate o recorde mundial de equilibrismo a uma altura de 400 metros entre os prédios do World Trade Center, em Nova York | (Foto de AP)

 

 

Philippe Petit (Nemours, 13 de agosto de 1949), é um equilibrista francês, que ficou famoso pela sua caminhada ilegal entre as Torres Gêmeas em Nova York no dia 6 de agosto de 1974. Ele usou um cabo de 450 libras (204,3 quilogramas) para fazer tal façanha.

 

 

O sol mal havia iluminado as ruas de Nova York, quando o equilibrista Phelippe Petit e seus parceiros já estavam de pé na Torre Sul do World Trade Center, no dia 7 de agosto de 1974, em Manhattan. O francês vinha estudando os arranha-céus havia alguns anos e estava decidido realizar a travessia de 42 metros entre os dois prédios do então ainda inacabado complexo empresarial, usando apenas um bastão para se equilibrar e sem o resguardo de redes.

 

Petit já havia executado proezas similares antes de se arriscar na Big Apple. Em Paris, caminhou sobre um cabo entre a Torre Eiffel e o Palais de Chailot. Fez o mesmo entre as duas torres da Catedral de Notre Dame. Em Sydney, na Austrália, atravessou o abismo abaixo da Ponte Harbor. Mas a façanha que o tornou famoso no mundo inteiro seria realizada no coração de Nova York, a 400 metros de altura.

 

 

Aquela não era a vida que Petit sempre imaginou pra si. Ele tentou uma carreira artística mais tradicional, mas, de acordo com o próprio, como ninguém o contratava, resolveu atuar sem permissão, instalando seu aparato secretamente. Quando as pessoas se davam conta, lá estava o francês, desafiando a gravidade. Jamais foi derrotado nessa disputa, mesmo que tratasse os riscos com desdém. Em meio a suas caminhadas aéreas, chegava a deitar-se de costas sobre o cabo.

 

 

Petit se prepara para a travessia entre os prédios do World Trade Center, no dia 7 de agosto de 1974 | (Foto de AP)

 

 

A edição do GLOBO de 8 de agosto de 1974, que noticiou a façanha em Nova York, trazia a seguinte declaração de Petit, antes de ser levado ao hospital:

 

— Se eu tenho três laranjas na mão, eu costumo fazer acrobacias com elas. Se vejo duas torres, preciso caminhar entre elas equilibrando-me sobre uma corda.

 

 

Ao longo de 45 anos desde a façanha em Nova York, Petit continuou desafiando a altura em diversas partes do mundo. O episódio em Manhattan foi tema de canções, livros e filmes. Em 2001, quando os atentados terroristas de 11 de setembro derrubaram o WTC e mataram 2.996 pessoas, ele foi procurado pela imprensa para dar entrevistas. Em 2009, o longa-metragem “O equilibrista”, baseado no livro “To reach the clouds”, do próprio Petit, venceu o Oscar de Melhor Documentário. Em 2015, o diretor Robert Zemeckis lançou “A travessia”, o elogiado filme em 3D baseado na caminhada de 1974, com Joseph Gordon-Levitt no papel do francês.

 

 

 

Powered by Rock Convert

Página da edição do GLOBO de 8 de agosto de 1974 | (Foto de Acervo O Globo)

 

 

Hoje aos 69 anos, Petit ainda faz malabares, truques de mágica e caminha sob a corda bamba. Paralelamente, ele ministra palestras motivacionais, nas quais analisa suas crenças e os motivos que o fizeram subir os 140 andares do World Trade Center somente para percorrer várias vezes a distância entre as torres.

 

 

Durante uma palestra da série TED Talk, em março de 2012, Petit reproduziu os movimentos daquele dia 7 de agosto. No palco, ele fez como se subisse no parapeito da Torre Sul e encenou a travessia até o prédio “irmão”. Só não conseguiu recriar as nuvens que, naquela manhã, impediam o equilibrista de ver a Torre Norte.

 

 

— Desenvolvi uma certeza, uma fé, que me convencia de que eu iria chegar ao outro lado com segurança. Caso contrário, eu jamais daria o primeiro passo — disse ele, antes de confessar, que, mesmo confiante, estava aterrorizado. — De repente, a densidade do ar já não era mais a mesma. Manhattan não se prolongava até o infinito, e a corda seguia até um conjunto de nuvens que guardava o desconhecido.

 

 

— Dei às pessoas a imagem de que nada é impossível — afirmou Petit, durante uma entrevista à revista “Época”, em 2015.

 

 

No alto do World Trade Center, vestido com uma malha preta e apenas munido de uma longa vara para ajudá-lo a se equilibrar, Petit respirou fundo e deu seu primeiro passo, atraindo os olhares de centenas de novaiorquinos que acompanhavam, tensos, do chão, cada movimento do francês. Ele chegou até a Torre Norte, mas não estava satisfeito e deu meia volta. No total, foram oito travessias. Deitou-se sobre o cabo, fez agachamentos… Parecia completamente à vontade.

 

 

O sargento Charles Daniels, da polícia de Nova York, enviou uma mensagem exigindo que o francês interrompesse a caminhada. Do contrário, chamariam um helicóptero para tirá-lo de lá. Petit caminhou de volta à Torre Sul e foi levado até o térreo por dois policias que não sabiam direito como conduzir a situação.

 

 

— O oficial Meyers e eu observamos o dançarino. Você não pode chamá-lo apenas de equilibrista. No meio das duas torres, ele nos viu e começou a rir, gargalhar. Quando chegou ao outro lado, nós falamos para ele deixar o cabo, mas em vez disso, ele se virou e caminhou de novo até o meio. Foi quando entendemos que ele não estava interessado em vir porque parecia estar adorando aquilo — relatou Daniels a uma emissora de TV logo após o episódio. — Pessoalmente, me dei conta de que estava assistindo a algo que ninguém mais veria de novo no mundo.

 

 

Apesar de ter batido o recorde mundial de travessia naquelas condições, que antes era de 225 metros e pertencia a um alemão, Petit classifica a travessia com “a mesma importância que todos os seus outros feitos”, incluindo seu show de malabarismo. Naquele dia, ele desceu alegre e sorridente do World Trade Center e foi levado para um hospital psiquiátrico para a realização de exames.

 

(Fonte: https://blogs.oglobo.globo.com/blog-do-acervo/post – ACERVO / PHILIPPE PETIT – 07/08/2019)

© 1996 – 2019. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A.

Powered by Rock Convert
Share.