Philip Roth, premiado romancista, foi um dos ícones da literatura dos EUA na segunda metade do século XX

0
Powered by Rock Convert

Premiado e polêmico, romancista de origem judaica é considerado um dos maiores autores americanos da segunda metade do século 20.

 

 

 

O escritor Philip Roth durante entrevista em março de 1993 (Foto: Arquivo / AP Photo )

 

 

Vencedor do prêmio Pulitzer, Roth é considerado um dos maiores escritores norte-americanos da segunda metade do século XX.

 

Philip Milton Roth (Newark, Nova Jersey, 19 de março de 1933 – Nova York, 22 de maio de 2018), escritor americano, foi um dos ícones da literatura dos Estados Unidos na segunda metade do século XX.

 

O premiado romancista, autor de origem judaica polaco-ucraniana publicou cerca de 30 livros. Roth conquistou praticamente todos os prêmios literários relevantes em mais de 60 anos de carreira.

 

Muitos de seus romances refletem as questões de identidade dos judeus dos EUA, o que o vincula a outros autores como Saul Bellow (1915-2005), laureado com o Nobel de Literatura de 1976, e Bernard Malamud (1914-1986).

 

 

 

 

Extensa e premiada obra de Philip Roth abordou, além do sexo, o desejo, a velhice e morte, o judaísmo e suas obrigações (Foto: DW / Deutsche Welle)

 

 

Roth, que nasceu em março de 1933 em Newark, em Nova Jersey, é considerado um dos maiores escritores americanos da segunda metade do século 20. O premiado romancista habitualmente era mencionado como candidato ao Prêmio Nobel de Literatura – prêmio que nunca lhe foi entregue. Sua extensa e premiada obra abordou, além do sexo, o desejo, a velhice e morte, o judaísmo e suas obrigações.

 

Roth era ateu e se considerava antirreligioso. Seus relatos provocadores sobre a moral pequeno burguesa judaico-americana, sátiras políticas, reflexões sobre o peso da história, ou mais recentemente sobre o envelhecimento, ficam com frequência na fronteira entre a autobiografia e a ficção.

 

 

“Escrevo ficção e me dizem que é autobiografia. Escrevo autobiografia e me dizem que é ficção. Então, como sou tão bobo e eles tão espertos, deixem que eles decidam o que é e o que não é”, afirmou.

 

Ele é conhecido sobretudo por seus romances, embora também tenha escrito contos e ensaios. É dono de um estilo realista, direto e irônico. Parte da sua obra explora a natureza do desejo sexual e a autocompreensão.

 

A marca registrada da sua ficção é o monólogo íntimo “O complexo de Portnoy”, livro que lhe rendeu fama mundial. Nele, o jovem protagonista fala ao seu psicanalista, sem qualquer reserva, sobre a sua obsessão pela masturbação e o relacionamento com a mãe possessiva, os Estados Unidos e o judaísmo.

 

Seu maior sucesso veio com “O Complexo de Portnoy” (1969), em que o protagonista, Alexander Portnoy, conta suas aventuras sexuais ao seu psiquiatra e vive atormentado pelo remorso e a obsessão pelo sexo. O livro teve grande impacto junto ao grande público devido às cruas descrições sexuais e à maneira de abordar a vivência judaica. A obra chegou a ser banida na Austrália.

 

Além do “Complexo de Portnoy”, entre as suas obras mais conhecidas, estão a coleção de contos “Goodbye, Columbus” (1959) e a trilogia americana, publicada na década de 1990, composta por “Pastoral Americana” (1997), “Casei com um comunista” (1998) e “A Marca Humana”.

 

O judaísmo sempre fez parte da carreira literária de Roth – por um lado, era tachado por críticos como o protótipo do escritor judeu, interessado em explorar a condição dos judeus em relação à sociedade, mas também enfureceu líderes da comunidade judaica com personagens marcados pela fraqueza e, em certa medida, até indignos.

 

Uma das críticas que recebeu após o lançamento de O complexo de Portnoy é que era o livro “pelo qual todos os antissemitas estavam rezando”. Roth, no entanto, identificava-se como um escritor americano e não como judeu. “Não escrevo em judeu, eu escrevo em americano”, dizia.

 

Feministas, judeus e uma de suas ex-mulheres atacaram-no em público, por vezes pessoalmente. As mulheres, nos seus romances, eram amiúde pouco mais do que objetos de desejo e raiva – Roth chegou a ser acusado de misoginia.

 

 

“Fico feliz de escrever sobre sexo. Um tema extenso! Mas a maioria das coisas que conto em meus livros nunca aconteceram. No entanto, são necessários alguns elementos de realidade para começar a inventar”, disse anos depois.

 

 

Outras obras famosas de Roth são as que compõem a chamada “trilogia americana”: “Pastoral Americana” (1997), “Casei Com um Comunista” (1998) e “A Marca Humana” (2000); assim como “Complô contra a América” (2004), onde relata uma versão alternativa da história americana pactuando com os nazistas.

 

Com Pastoral americana, Roth ganhou o Prêmio Pulitzer, um dos muitos de uma aclamada carreira, onde ficou faltando o Prêmio Nobel de Literatura, para o qual seu nome foi ventilado em diversas ocasiões.

 

Entre as várias distinções, Roth foi premiado com dois National Book Awards, dois National Book Critics Circle, dois prêmios Faulkner, com o Prêmio Internacional Man Booker em 2011 e, um ano depois, venceu o Prêmio Príncipe das Astúrias de Literatura.

 

Representantes da comunidade judaica consideraram que o romance estava impregnado de antissemitismo. Outros enxergaram pura e simplesmente pornografia. Mas o fato é que ele mudou a cara da literatura norte-americana, derrubando barreiras entre a comédia e a alta literatura.

 

Nos últimos anos, Roth se virou para uma crise existencial e sexual de média idade, sem nunca abandonar o seu compromisso de explorar a vergonha, o constrangimento e outras culpas secretas do ser humano, ainda que sempre com uma dose de humor.

 

Alguns dos livros de Roth traduzidos para o português:

 

  • “Adeus, Columbus”

 

  • “Complô contra a América”

 

  • “O Complexo de Portnoy”

 

  • “Teatro de Sabath”

 

  • “O avesso da vida”

 

  • “O professor de desejo”

 

oexploradorPowered by Rock Convert
  • “Diário de uma ilusão”

 

  • “Casei com um comunista”

 

  • “Pastoral americana”

 

  • “A marca humana”

 

  • “O animal agonizante”

 

  • “Homem comum”

 

  • “Fantasma sai de cena”

 

  • “Indignação”

 

  • “Patrimônio”

 

  • “A humilhação”

 

  • “A Pandilha – As falcatruas de Tricky e os seus amigos”

 

  • “Operação Shylock”

 

  • “Os fatos”

 

  • “Nêmesis”

 

  • “Entre nós”

 

“Nêmesis” (2010) foi o último romance publicado pelo escritor, que vivia entre seu apartamento no Upper East Side de Nova York e uma casa em Connecticut.

 

Em 2017, ele publicou “Why Write” (sem tradução em português), uma coleção de ensaios e trabalhos não-ficcionais escritos entre 1960 e 2013.

 

Roth é o único autor americano a ter suas obras completas publicadas em vida pela Library of America, que tem como missão editorial preservar as obras consideradas como parte da herança cultural americana.

 

Aposentadoria

Depois de mais de meio século de uma carreira que o tornou famoso em todo o mundo, em 2012 o autor anunciou que não tinha “mais nada para escrever”.
“Não tenho mais energia suficiente para suportar a frustração. A escrita é frustração, uma frustração cotidiana, para não dizer humilhação”, declarou ao ‘New York Times’.
“Não posso mais enfrentar os dias em que escrevo cinco páginas e jogo fora”, completou Roth, que escrevia de pé desde que percebeu que andar de um lado para o outro liberava sua mente.

Em agosto de 2017, ele voltou a explicar a decisão ao jornal francês “Libération”:

“Contar histórias, isto que foi tão precioso durante toda minha existência, já não é o centro da minha vida. É estranho. Nunca imaginei que algo assim poderia acontecer”.

Vida familiar e acadêmica

 

Philip Roth era filho de um vendedor de seguros e pertencia à segunda geração de uma família judaica que emigrou da região europeia de Galícia (Polônia/Ucrânia).

 

Formou-se pela Universidade Bucknell (Pensilvânia) e obteve o pós-graduação em literatura inglesa pela Universidade de Chicago, onde atuou como professor de escrita criativa. Também lecionou nas universidades de Iowa, Pensilvânia e Princeton (Nova Jersey).

 

Ele largou o programa de doutorado em 1959 para escrever críticas de filmes para a revista “New Republic” antes de publicar “Adeus, Columbus”.

 

Roth ensinou literatura comparativa na Universidade da Pensilvânia. Ele se aposentou da carreira de professor em 1992, quando o sucesso editorial era tão grande que teve que se dedicar integralmente à carreira de escritor. Suas obras eram sempre alvo de escândalo e impacto na sociedade americana.

 

Foi casado duas vezes. A primeira com Margaret Martinson (1959-1963), que morreu em 1968, em um acidente de carro. A segunda com a atriz inglesa Claire Bloom, da qual se divorciou em 1994 após um casamento turbulento. Ela se sentiu traída ao ler o manuscrito de “Engano” (1990), que continha uma mulher de meia-idade entediada chamada Claire, casada com um escritor adúltero chamado Philip.

 

Principais prêmios

 

 

Philip Roth recebe em 2010 do então presidente dos EUA, Barack Obama, a Medalha Nacional de Humanidades (Foto: Mark Wilson / Getty Images / AFP Photo)

 

 

 

  • 1960: National Book Award, por “Adeus, Columbus”

 

  • 1987: National Book Critics Circle Award, por “O avesso da vida”

 

  • 1991: National Book Critics Circle Award, por “Patrimônio”

 

  • 1994: PEN Faulkner, por “Operação Shylock”

 

  • 1995: National Book Award, por “O Teatro de Sabbath”

 

  • 1998: Prêmio Pulitzer de Ficção por “Pastoral americana”

 

  • 2001: Prêmio Franz Kafka

 

  • 2001: PEN Faulkner, por “A marca humana”

 

  • 2006: PEN/Nabokov

 

  • 2007: PEN Faulkner, por “Homem comum”

 

  • 2011: Prêmio Internacional Man Booker

 

  • 2012: Prêmio Príncipe das Astúrias de Literatura

 

 

No final dos anos 60, Roth sobreviveu a uma apendicite aguda e, em 1987, a uma depressão quase suicida. Em “O Teatro de Sabbath”, o escritor imaginou a inscrição na sua lápide: “Sodomista, abusador de mulheres, destruidor de caráteres”.

Em 2012, aos 78 anos, anunciou a decisão de deixar de escrever. Morreu, no entanto, sem o Prêmio Nobel de Literatura, para o qual foi considerado favorito em diversas ocasiões.

 

Pouco antes de morrer, o escritor se dedicava à produção da sua biografia, que está sendo escrita por Blake Bailey.

 

O escritor americano Philip Roth, morreu em 22 de maio de 2018, aos 85 anos, de insuficiência cardíaca num hospital de Nova York, comunicou o agente literário Andrew Wilie.

(Fonte: https://g1.globo.com/pop-arte/noticia – POP ARTE – NOTÍCIA –

(Fonte: https://www.terra.com.br/diversao/arte-e-cultura – DIVERSÃO – ENTRETENIMENTO – ARTE E CULTURA – 23 MAI 2018)

A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas.

Powered by Rock Convert
Share.