Oscar Castro Neves, foi um dos pais da bossa nova, ajudou a popularizar o gênero no exterior nos anos 50

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Oscar Castro Neves, um dos precursores da Bossa Nova

Arranjador, compositor e violonista acompanhou Tom Jobim na lendária apresentação no Carneggie Hall, em 1962

 

Oscar Castro Neves (Rio de Janeiro, – Los Angeles, 27 de setembro de 2013), músico carioca, um dos pais da bossa nova, ajudou a popularizar o gênero no exterior durante os anos 1950.

Instrumentista, arranjador, compositor e produtor musical, acompanhou estrelas como Michael Jackson, Barbra Streisand, Stevie Wonder e João Gilberto – que como Castro Neves, passou grande parte da carreira no exterior.

 

O compositor, arranjador e violonista Oscar Castro Neves e, com os outros três irmãos — Iko, Léo e Mário — formou o conjunto Irmãos Castro Neves, um dos precursores na Bossa Nova, nos anos 1950.

 

Foi outro balanço — não o do mar e nem do barquinho — que levou Oscar Castro Neves a dar sua primeira grande contribuição à bossa nova — mesmo antes de o gênero ser estabelecido como tal. Aos 16 anos, durante uma viagem de ônibus, o então cavaquinista e também violonista começou a criar sua primeira canção. Ao chegar em casa, foi direto ao violão tirar a melodia que havia o tomado. Harmonia pronta, chamou o amigo arquiteto Luvercy Fiorini para criar a letra. “Cora tua tristeza” estava pronta. Era 1956, e o jovem compositor teria de esperar três anos até que Alaíde Costa fosse fisgada, durante uma sessão na casa de um amigo. A cantora, que havia acabado de lançar seu primeiro LP, “Gosto de você” (1959), começava ali a montar o repertório do seu segundo disco.

 

Pego de surpresa, Castro Neves bateu na porta da casa de Carlos Lyra, pediu à mãe do amigo que lhe indicasse as notas — o músico não dominava a partitura —, encomendou os arranjos ao amigo Nelsinho do Trombone e, passados 15 dias após a gravação, foi chamado ao estúdio para conferir o resultado.

 

“Quando ouvi aquelas cordas todas, foi uma emoção. Ouvir a minha música orquestrada!”, relatou o músico numa entrevista.

 

Por volta da mesma época, Castro Neves compôs outra música, com Ronaldo Bôscoli, “Não faz assim”, que foi gravada pelo conjunto Garotos da Lua, que João Gilberto havia integrado.

 

Nascido no Rio de Janeiro em 15 de maio de 1940, Oscar Castro Neves teve iniciação musical em casa, logo formando um quarteto com os irmãos Iko (baixo), Léo (bateria) e o mais velho Mário (piano). Conhecido como Os Irmãos Castro Neves, o conjunto chamava a atenção da zona sul carioca, em meados dos anos 1950. E quando Mário — incentivado pelos mais novos — tomou coragem e ligou para Tom Jobim, surpreendeu-se ao ouvir que o famoso músico e maestro já os conhecia e que dali a alguns minutos estaria na garagem onde eles ensaiavam.

 

Àquela altura, em 1956, Jobim tinha 30 anos e a influência de sua personalidade — musical, principalmente — foi determinante para a formação de Oscar entre seus 16 e 20 e poucos anos. Assim como João Gilberto, referência máxima da bossa nova e cuja famosa batida Castro Neves definia como um processo de “decantação” das diversas tramas rítmicas afro brasileiras. Daquele encontro com Jobim em diante, Oscar se tornou, aos poucos, um dos mais influentes músicos e arranjadores da bossa nova, com participação fundamental na disseminação do gênero nos Estados Unidos. Ao lado de Roberto Menescal, Carlos Lyra e outros, cuidou do acompanhamento musical de Tom Jobim e dos demais participantes da lendária apresentação no Carneggie Hall, em 1962.

 

Um dos líderes da invasão brasileira, seu trabalho chamou a atenção de grandes nomes do jazz, e Oscar passou a excursionar e dividir palcos com nomes importantes como o quinteto de Dizzie Gillespie, o trio de Lalo Schifrin, o quarteto de Stan Getz, além de músicos como Bud Schank, Ray Brown e Shelley Man. Ao retornar ao Brasil, em 1963, trabalhou sobretudo como arranjador, até volta para os Estados Unidos em 1967, como o quinto elemento do Quarteto em Cy. Com a volta do grupo ao Brasil, Oscar decidiu ficar, fazendo de Los Angeles sua cidade fixa. Ao lado de Sérgio Mendes e o Brazil 66, lançou mais de 15 álbuns, entre 1971 e 1981, quando deixou o grupo.

 

À frente de seu quarteto ou trabalhando em estúdio, Oscar acumulou uma enorme e impressionante lista de parcerias contribuições musicais, que inclui trabalhos com Yo-Yo Ma, Michael Jackson, Barbra Streisand, Stevie Wonder, Airto Moreira, Toots Thielemans, Herbie Hancock, Ella Fitzgerald, entre muitos outros. Obras próprias como “Color and light — Jazz Sketches on Sondheim” se destacaram entre os melhores lançamentos de jazz de acordo com publicações como a “Billboard” e a “Time Magazine”. O músico participou ativamente do tributo de Joe Henderson a Tom Jobim, que resultou no álbum “Double rainbow” (1994), que recebeu uma indicação ao Grammy, prêmio que iria conquistar logo em seguida ao participar do álbum “Soul of the Tango: The music of Astor Piazzolla”, gravado em parceria com violoncelista Yo-Yo Ma.

 

Castro Neves participava das famosas reuniões musicais realizadas na casa de Nara Leão, frequentadas também por Carlos Lyra, Roberto Menescal, Ronaldo Bôscoli e Chico Feitosa, entre outros integrantes da bossa nova.

Nascido no Rio de Janeiro, o músico ficou conhecido por sua habilidade como compositor e violonista, além das músicas que fez junto com os irmãos na banda Irmãos Castro Neves. Ao lado de Tom Jobim, ele participou do histórico show de bossa nova Carnegie Hall, em Nova York, em 1962.

Morando nos Estados Unidos desde a lendária apresentação, Castro Neves fez turnê com artistas americanos como Dizzy Gillespie e com o trio Lalo Schifrin, além de ter gravado com Quincy Jones, Ella Fitzgerald e Michael Jackson. Em Los Angeles, participou da produção da trilha sonora de “Mudança de Hábito 2” (1993) e “LA Story” (1991).

O músico lançou nove discos, sendo o último de 2006, “All One”. Ele participou também de álbuns de Tom Jobim, Elis Regina –como no mítico “Elis & Tom”, de 1974–, Wilson Simonal, Djavan, Sergio Ricardo, entre outros. Em 2008, Castro Neves participou, como instrumentista e codiretor musical, do espetáculo “Bossa Nova 50 anos”, realizado na praia de Ipanema, no Rio de Janeiro.

Oscar Castro Neves morreu em 27 de setembro de 2013, lutava há alguns meses contra um câncer.
Ele tinha 73 anos. A doença se alojou, inicialmente, no estômago de Castro Neves, mas passou por uma metástase atingindo o fígado e outros órgãos, em Los Angeles.

(Fonte: http://180graus.com/noticias – Notícias / Por Apoliana Oliveira – 29/09/2013)
(Fonte: http://www.bahianoticias.com.br/cultura – 29 de Setembro de 2013)

(Fonte: https://oglobo.globo.com/cultura – CULTURA / por O GLOBO – 28/09/2013)

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