Olavo Egydio Setubal (1923-2008), empresário que ajudou a moldar a moderna economia nacional.

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Olavo Egydio Setubal (1923-2008), um dos empresários que ajudaram a moldar a face mais moderna e mais eficiente da economia nacional. Presidente do conselho de administração do Banco Itaú e da Itaúsa, a holding que reúne os negócios do grupo, o engenheiro Olavo Setubal, cinquenta dedicados a formar um dos maiores e mais eficientes conglomerados financeiros da América Latina.
Por suas mãos, o Banco Itaú, locomotiva do grupo, alcançou o 2° lugar no ranking de instituições financeiras privadas brasileiras, atrás apenas do Bradesco. Atingiu um valor de mercado de 97 bilhões de reais, superando gigantes como Morgan Stanley e Merrill Lynch.
A trajetória empresarial de Setubal começou em 1947. Com 10 000 dólares emprestados, ele e um colega de faculdade fundaram em um barracão a Deca, então uma fábrica de fechaduras com seis empregados. Em 1959, Setubal foi convidado por Alfredo Egydio de Souza Aranha, seu tio e mentor desde a morte precoce do pai, para dirigir o Banco Federal de Crédito, uma pequena instituição financeira. Logo concluiu que precisava crescer para não ser engolido. Em 1964, adquiriu um inexpressivo banco mineiro de nome Itaú. O nome, sonoro e atraente, foi adotado para representar o grupo todo. Diversas fusões se seguiram. Em 1975, com a incorporação do Banco União Comercial, do ex-ministro Roberto Campos, o Itaú dobrou de tamanho e se converteu na segunda maior instituição privada nacional.
Setubal inovou ao recrutar engenheiros para o mercado financeiro e exigir que seus gerentes tivessem, ao menos, o ensino secundário.
Nos anos da inflação, Setubal reforçou as estruturas administrativa, contábil e de custo do banco, enquanto a maioria de seus concorrentes extraía ainda mais lucros da espiral inflacionária.
O banqueiro tentou transpor essa eficiência para a gestão pública quando se tornou prefeito nomeado de São Paulo, em 1975. Realizou uma elogiada reforma administrativa e ações urbanísticas precisas e baratas. Revitalizou o centro e modernizou o transporte. “São Paulo é uma Suíça cercada de Biafras. O desafio é transformar as Biafras em Suíças”, dizia. Ao deixar o cargo, em 1979, Setubal teve frustrado seu plano de ser governador de São Paulo. Seu nome foi vetado pela ditadura, que temia o fortalecimento de um político com tamanho poder econômico. Desiludido, só voltou ao cenário político com a redemocratização. Em 1985, o presidente Tancredo Neves o nomeou ministro das Relações Exteriores. Foi seu último cargo público, mas não o fim de sua participação política. Até o fim da vida, ocupou-se na pregação de que, para não ser engolido, o Brasil precisa de estruturas tão sólidas quanto as que ele construiu no mundo dos negócios.
“As escalas no mundo empresarial mudaram. Essa mentalidade de quitandeiro não leva em conta que uma empresa pode ser gigantesca para o mercado brasileiro, mas insignificante comparada a uma multinacional. Aí, o sujeito acaba engolido.”
Poucas ideias retratam tão bem a trajetória e a clarividência do empresário Olavo Egydio Setubal quanto essa, registrada em entrevista a VEJA em 2000.
Morreu no dia 27 de agosto de 2008, aos 85 anos de idade, em São Paulo, de insuficiência cardíaca.

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(Fonte: Veja, 3 de setembro, 2008 – edição 2076 – ano 41 – n° 35 – Editora Abril – Memória/Por Marcio Aith – Pág; 96)

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