“O problema de Brasília é o tráfico de influência. O do Rio é a influência do tráfico.” Zózimo Barrozo do Amaral (1941-1997), jornalista e colunista que relatou as mudanças na sociedade carioca a partir da década de 1970

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“O problema de Brasília é o tráfico de influência. O do Rio é a influência do tráfico.”

Zózimo Barrozo do Amaral (1941-1997), burguês de fino trato que fez história no colunismo social carioca com informação e ironia. O colunista relatou as mudanças na sociedade carioca a partir da década de 1970

 

“Enquanto Houver Champanhe, há Esperança” de Joaquim Ferreira dos Santos

“Enquanto Houver Champanhe, há Esperança” de Joaquim Ferreira dos Santos

 

Carioca da zona sul, Zózimo estudou Direito mas não exerceu. Aos 22 anos, vestiu um terno e se apresentou à redação do Globo para começar a trabalhar como “repórter para assuntos de cidade.” Como tinha tanto a aparência (com olhos azuis cativantes) quanto os modos de gente fina, no ano seguinte foi escolhido para colaborar com Álvaro Americano, então titular da coluna social Carlos Swann.

Passado mais um ano, com o pedido de demissão de Americano, Zózimo assume o comando da coluna, ofício que exerceria até pouco antes de sua prematura morte, em 1997, aos 56 anos, devido a um câncer de pulmão. Os excessos da vida noturna que ele tanto gostava acabaram por levá-lo também ao alcoolismo – tendência iniciada no fim da adolescência e começo da juventude. A primeira desilusão amorosa quase acabou em suicídio, com uma overdose do tranquilizante Gardenal, que seu pai tomava. Zózimo imaginava ter pedido o grande amor de sua vida, Márcia Kuperman. Sobreviveu ao infortúnio e, anos depois, casou-se com Márcia, com quem teve o filho único, Fernando. Apesar da pinta de galã e do assédio das socialities, foi um homem de relações duradouras. Com Dorita, a segunda mulher, viveu até o fim.

 

FESTA: Zózimo, Paulo Marinho e Ricardo Boechat: ele não apenas descreveu com fez parte da noite carioca

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Os anos 1980 chegaram com um ingrediente novo às festas da alta roda: o “realce”, ou seja, cocaína. Para o Joaquim Ferreira dos Santos, “Zózimo foi experimentador curioso da cocaína” e não falava sobre isso. Mas outros falavam, como o produtor musical Ezequiel Neves, que dimensionou ao biógrafo o grau de loucura da época. Neves diz que “cheirou uma fileira nas costas da atriz Elizabeth Taylor, sem ela perceber”.

Na medida em que era possível publicar, a coluna de Zózimo, das mais bem-informadas, noticiava as transformações da sociedade brasileira, antecipando o que viria a acontecer. Um exemplo é a submersão da sociedade tradicional e o surgimento de novos ricos: não por acaso, a mansão da Granja Comary foi vendida pelo playboy milionário Jorginho Guinle para o comediante Renato Aragão, o trapalhão Didi.

(Fonte: http://istoe.com.br – Nº 2448 – O lobo da zona sul – CULTURA – “Enquanto Houver Champanhe, há Esperança” de Joaquim Ferreira dos Santos – 04.11.2016)

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