O primeiro reality show da história

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Primeiro reality da história fisgou os EUA e apresentou ícone gay

 

O pioneirismo de ‘An American Family’, foi ao ar nos anos 1970

 

 

A família Loud, no sentido horário a partir do topo: Kevin, Lance, Michele, Pat, Delilah, Grant e Bill, sujeitos do documentário de televisão pública de 1973 de Craig Gilbert, “An American Family”. (Crédito: John Dominis / The LIFE Images Collection, via Getty Images)

 

A primeira família a monopolizar as atenções do público na televisão americana, foi a família Loud. O pioneirismo e o legado de ‘An American Family’ que foi ao ar no início dos anos 1970, é tida como a primeira série de reality da história.

 

Lavação de roupa suja em público, rixas, torcidas por participantes e até aceno à diversidade já faziam parte do cardápio deste programa histórico, exibido na época pela PBS, a emissora pública de televisão nos Estados Unidos.

 

Em 1970, o documentarista Craig Gilbert (1925-2020), teve a ideia de aproveitar a onda dos filmes de cinema direto, marcados pela ideia da mínima interferência do diretor sobre o que está em cena, para acompanhar a rotina de uma típica família de classe média.

 

Craig Gilbert no “The Dick Cavett Show” em 1973. Em uma entrevista em 2013, ele defendeu “An American Family” como uma “realidade honesta para Deus”, acrescentando: “Eu não escrevi nada”. (Crédito: Walt Disney Television, via Getty Images)

 

Os escolhidos foram os Loud, que moravam em Santa Bárbara, na Califórnia, e eram formados pelo casal Bill e Pat e seus cinco filhos adolescentes. “Eu os conheci numa quinta-feira, e eles toparam no domingo”, disse o documentarista numa entrevista ao New York Times. À mesma publicação, a matriarca Pat declarou que a ideia “parecia divertida”. “Perguntamos aos nossos filhos, e todos concordaram.”

 

Mas a rotina que a equipe de Gilbert captou, em mais de 300 horas de filmagens entre maio e dezembro de 1971, não foi assim tão colorida. Entre os episódios mais dramáticos estão as rusgas do casal, fustigadas pelo álcool e, pela onipresença das câmeras. Numa das cenas, Pat revela ao irmão e à cunhada detalhes dos casos extraconjugais que ela e o marido tiveram. Os reality shows já nasceram, portanto, com as mesmas discussões que hoje os envolvem, 50 anos depois.

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Em 1973, quando ‘An American Family’ foi ao ar, em doze capítulos de uma hora, e os Loud se tornaram um assunto nacional, eles passaram a atacar Gilbert, o acusando de ter manipulado os integrantes da família e pesado na edição das cenas. O documentarista sempre negou essas acusações.

 

Talvez o principal evento registrado pelas lentes do documentarista tenha sido a saída do armário de Lance Loud, o primogênito da família, e, de longe, o personagem mais instigante de ‘An American Family’.

 

Aficionado por Andy Warhol, pelo Velvet Underground e por toda a efervescência cultural da Nova York da virada dos anos 1960 para os 1970, Lance foi de longe o mais controverso participante do programa, mas a sua presença ali foi um divisor de águas na forma como o público americano passou a encarar a homossexualidade. Hoje, ele ganhou o status de ícone gay.

 

Logo no segundo episódio que foi ao ar, a equipe de Gilbert acompanha Pat em sua viagem da Califórnia até Manhattan, onde o primogênito estava vivendo – mais precisamente no Chelsea Hotel, icônica morada de hippies, boêmios e desbundados de toda a sorte. Lá ele havia se tornado amigo de Jackie Curtis e Holly Woodlawn, transformistas que eram habitués da Factory de Warhol e que são citadas em “Walk on the Wild Side”, de Loud Reed.

 

‘An American Family’ é um retrato curioso de um período bem específico da história dos Estados Unidos, então sacudidos pela Guerra do Vietnã, pela revolução sexual e pelos embates entre gerações de pais e filhos.

 

Foi uma obra que começou como um experimento cinematográfico de vanguarda e se tornou a semente de um dos mais bem-sucedidos formatos da história da televisão.

(Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2021/01 – ILUSTRADA / por Guilherme Genestreti – 11.jan.2021)

(Fonte: The New York Times Company – TELEVISÃO / por William Yardley – 13 de abril de 2020)

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