O primeiro laboratório de bioengenharia de tecidos de pele humana para testes do Brasil

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Primeiro laboratório de produção de pele humana para testes do Brasil é inaugurado no Rio de Janeiro

 

Amostras são alternativas ao uso de animais como cobaias. Episkin, no Fundão, é capaz de recriar tecidos em 17 dias.

Rio abre 1º laboratório do Brasil que produz pele para testes

Material feito pelo Episkin é alternativa ao uso de animais como cobaias.

 

 

 

O Brasil ganhou em 9 de setembro de 2019 o primeiro laboratório de bioengenharia de tecidos que vai disponibilizar pele reconstruída para testes em produtos. A unidade, no Rio de Janeiro, vai fornecer amostras de pele humanas recriadas como alternativa ao uso de animais como cobaias.

A filial da Episkin, subsidiária da L’Oréal, será inaugurada às 14h no Centro de Pesquisa e Inovação, no câmpus do Fundão da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). É a terceira a entrar em operação no mundo, juntando-se à de Lyon, na França, e à de Xangai, na China.

 

“Produzimos a cada semana milhares de tecidos de pele e epitélios, como córnea, com um rigoroso controle de qualidade”, explicou ao G1 Rodrigo De Vecchi, diretor-presidente da Episkin Brasil.

 

 

Epiderme

Episkin abre centro na Ilha do Fundão — (Foto: Samuel Allard/Divulgação)

 

 

 

 

Segundo De Vecchi, a implementação do modelo de pele reconstruída no Brasil começou em 2016, em colaboração com o Instituto D’Or. Mas o laboratório do Fundão traz uma vantagem.

 

 

“A diferença é que agora este modelo está disponível para as comunidades científicas brasileiras e latino-americanas e para quaisquer empresas interessadas, a fim de estimular o uso de métodos alternativos”, destacou o diretor-presidente.

 

 

Os modelos da Episkin são os únicos validados e recomendados pela Organização para a Cooperação do desenvolvimento Econômico – e aceitos no mundo todo.

 

 

Como funciona

 

 

Pele de laboratório

Arte mostra como funciona a produção da Episkin — (Foto: Infográfico: Juliane Monteiro/G1)

 

 

 

A “matéria-prima” são restos de cirurgias plásticas. O descarte, cedido com autorização do paciente, vai para o laboratório, onde se extraem os queratinócitos.

 

Essas células específicas são cultivadas em placas de cultura e, após 17 dias em contato com o ar, se proliferam, formando múltiplas camadas.

 

No caso de testes com cosméticos, a parte que interessa é a epiderme, a mais externa – e a que será produzida no Rio de Janeiro.

 

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“Uma das principais vantagens deste modelo é o seu alto nível de reprodutibilidade. Este modelo é histologicamente semelhante à epiderme humana ‘in vivo’”, afirmou De Vecchi.

 

 

“Isso significa que ela pode ser usada em avaliações de segurança para produtos químicos cosméticos, bem como qualquer tipo de produto que toca a nossa pele”, detalhou.

 

“Nossa tecnologia reage a diferentes estímulos, como a agentes químicos, luz e estresse, liberando fatores específicos que refletem o potencial toxicológico e corrosivo de novos compostos químicos”, exemplificou.

Legislação ainda engatinha

Pele de laboratório

Laboratórios também fazem o controle de qualidade dos tecidos — (Foto: Samuel Allard/Divulgação)

 

Uma resolução normativa do Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal (Concea), órgão ligado ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, previa há cinco anos o uso de alternativas a cobaias.

 

O texto enumerava 17 procedimentos e fixava o próximo dia 24 de setembro como data-limite para a adoção, quando possível, dos métodos validados.

 

O Brasil ainda não tem uma lei federal sobre o fim de testes em animais. Um projeto de lei está no Congresso desde 2014.

 

Oito estados, porém, criaram leis para proibir a exploração de cobaias para este fim:

  • Amazonas;

 

  • Mato Grosso do Sul;

 

  • Minas Gerais;

 

  • Pará;

 

  • Paraná;

 

  • Pernambuco;

 

  • Rio de Janeiro;

 

  • São Paulo (o pioneiro).

 

 

Parceria com a UFRJ

 

De Vecchi lembra que a UFRJ – onde a Episkin está sediada – colabora com a L’Oréal há sete anos. A universidade ajuda na pesquisa para a obtenção de neurônios sensoriais humanos.

“O grande objetivo é a inervação da pele humana. Vai servir, por exemplo, para testes de coceira provenientes de alergias de pele”, explicou. “Também será fundamental no desenvolvimento de produtos mais eficazes contra o neuroenvelhecimento da pele”, emendou.

Segundo De Vecchi, a empresa tem desenvolvido métodos alternativos desde 1979. “Em 1989, a L’Oréal parou completamente de testar seus produtos em animais”, lembra.

(Fonte: https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2019/09/09 – RIO DE JANEIRO / NOTÍCIA / CIÊNCIA / Por Eduardo Pierre, G1 Rio – 09/09/2019)
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