O APRENDIZADO DA LINGUA PORTUGUÊSA

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Língua e fala
Dois conceitos do filólogo suíço Ferdinand de Saussure são básicos para os estudos lingüísticos: língua e fala. A língua é a estrutura que compreende as convenções adotadas por determinado grupo social. A fala está sujeita a modificações regionais, gírias e jargões, relacionados à forma como os indivíduos utilizam essas convenções. A fala varia, além disso, em função dos diversos registros em que é empregada, ou seja, os níveis de linguagem ora mais formais, ora mais descontraídos. Não se fala da mesma maneira quando se está pronunciando uma conferência ou conversando despreocupadamente com um amigo pelo telefone; e não se escreve da mesma maneira um ensaio acadêmico e uma carta pessoal.

VARIANTES DA LÍNGUA
Uma língua nunca é idêntica em todas as suas manifestações. As variações podem ser históricas ou diacrônicas (de época para época), diatópicas (de lugar para lugar), diastráficas (de classe social para classe social) e ainda de situação para situação (formal ou informal). As variações podem se dar em vários níveis: fonético, como a pronúncia do “s” carioca que difere da do “s” paulista, ou o “l” de certas regiões do Rio Grande do Sul (animal / “animau”); sintático, como a regência do verbo assistir (assistir ao jogo / assistir o jogo); ou lexical (macaxeira, mandioca, aipim são variações regionais que designam o mesmo tubérculo).

Língua padrão – A variabilidade da língua deve-se às diferenças socioeconômicas e regionais do país. Existe, entretanto, a necessidade de se estabelecer uma língua padrão, acima de todas as variantes, para ser usada no ensino básico e na produção cultural. As convenções que regem essa língua padrão a tornam distante da língua escrita informal, e mais distante ainda das formas orais. Isso não significa que as demais variantes da língua sejam melhores ou piores que a norma padrão, culta ou literária.

GRAMÁTICA
Os falantes nativos de uma língua possuem um código comum que é utilizado e compreendido dentro de uma determinada comunidade. O falante possui, desde a infância, um sistema de regras intuitivamente interiorizado, compartilhado pelos membros da comunidade e aperfeiçoado com seu desenvolvimento intelectual. Ao contrário do ensino de uma língua estrangeira, que pressupõe o desconhecimento da estrutura da língua e exige um treinamento artificial, o ensino da língua portuguesa nas escolas deve complementar o saber que a criança já possui, desde que começa a falar, melhorando e tornando eficaz a expressão oral e escrita.

A gramática normativa registra, dentro da diversidade das modalidades da língua, o padrão de como falar e escrever corretamente. Reflete a norma culta, que deve ser usada em documentos e cerimônias oficiais, no ensino básico, nos meios de comunicação e na maior parte dos modos de produção cultural.

Explícita – A gramática explícita contém a descrição dos mecanismos de funcionamento da língua e abrange as variações gramaticais decorrentes da variabilidade e da evolução da língua. O conjunto de normas da língua portuguesa, que recebe o nome de gramática, não é imutável. A fala evolui rapidamente, incorporando à língua novas expressões e descartando outras, ou seja, está em constante modificação. Uma boa gramática deve ser freqüentemente revista para que possa abranger as mudanças advindas da língua falada. A gramática que não acompanha a variabilidade da língua só é possível no caso das línguas mortas, como o grego clássico por exemplo. Já as normas ortográficas controlam a grafia das palavras, e eventuais reformas requerem aprovação do Congresso ou Parlamento.

Implícita- A gramática implícita é a gramática dos falantes. Também chamada de “natural”, consiste num sistema de regras interiorizado pelos falantes desde a infância, permitindo a eficácia do processo comunicativo. Este sistema é um saber intuitivo que o falante domina, mesmo que não saiba as regras da gramática tradicional. Essa gramática implícita compreende as significações, a estruturação de textos e frases e as estruturas lingüísticas complexas que não se confundem com uma combinação aleatória de palavras. As gramáticas dos teóricos e estudiosos reproduzem, através de regras e nomenclaturas, esse processo natural e implícito resultante da necessidade básica de comunicação do ser humano que vive em sociedade.

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