No fundo, a questão é muito simples: o caixa está pequeno e tem muita gente de olho nele.

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Nas frases, o retrato fiel de Roberto Gusmão

Mineiro radicado em São Paulo, o ex-ministro da Indústria e do Comércio, é habitualmente identificado como a face dura da administração Sarney.

Franco, de paciência curta e muitas vezes próximo do mau humor, esse homem que na juventude flertou com a esquerda aproximou-se, depois de cassado pelo regime ditatorial de 1964, dos círculos conservadores.

Não costuma medir palavras quando fala de coisas que o aborrecem – a inarredável inoperância colada na burocracia estatal. Cultiva, algumas excentricidades. Uma delas é que, na condição de diretor licenciado da Antarctica, não há hipótese de beber cerveja de outra marca.

Das pérolas desse fazendeiro de café em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, pode-se colher provavelmente o seu perfil mais fiel. Uma amostra delas:

“No fundo, a questão é muito simples: o caixa está pequeno e tem muita gente de olho nele.”

“Lucro não é pecado, mas simplesmente a consequência do trabalho empresarial bem-sucedido. No Brasil, os intelectuais têm preconceito contra o lucro e os empresários.”

“A iniciativa privada deve gerir seus próprios negócios, cabendo ao Estado apenas uma função normativa. O paternalismo e a intervenção estatal inibem a eficiência e a produtividade.”

“Se algum dia alguém me encontrar falando em “esconomês”, pode ter certeza de que estou delirando.”

“O Brasil tem muitas potencialidades, mas também muita desordem. Um pouco de ordem na casa não faria mal a ninguém.”

“Não é com discurso ideológico ou com palavras de ordem que vamos resolver os problemas do país.”

“Não me abalo em ser chamado de homem da linha dura do governo. O que eu não tolero é a hipocrisia social.”

“Não dou importância aos choques entre os ministros. Cada um de nós sabe o que o outro é.”

“É natural que os ministros imprimam suas convicções pessoais nas respectivas áreas e que discordem entre si. O que não pode acontecer é divergência com o presidente da República.”

“Os sindicatos devem estar desvinculados do Ministério do Trabalho. Não devem também ser sustentados pelo imposto sindical.”

“Esse pessoal atira em você e erra. Quando você atira de volta e acerta, eles dizem que você é violento. O que eles têm é inveja da pontaria.”

“Na área da informática, temos uma indústria nascente que deve ser protegida, sem chegar ao ponto de a reserva de mercado torná-la obsoleta por causa de um protecionismo exagerado.”

“A pobreza ideológica no país é imensa. Há os que leram Marx e não entenderam e os que citam Marx sem tê-lo lido.”

“Maquiavel é muito citado como exemplo de esperteza política, quando na verdade é um exemplo de lógica política.”

“Sempre defendi a legalização dos partidos comunistas, pois todo grupo tem o direito de se organizar para manifestar suas ideias. Só existe uma barreira a esse direito: a lei.”

“O que me aconteceu, dos anos 50 para cá, foi que envelheci. Dia um ditado popular que o diabo sabe mais porque é velho.”

“Vender, não está no campo de competência do Estado. Que cada um ponha a mercadoria nas costas e vá vender. Os fenícios já faziam assim 3 000 anos atrás, e nós temos que aprender.”

(Fonte: Veja, 7 de agosto de 1985 – Edição 883 – ECONOMIA & NEGÓCIOS – Pág; 104/111)

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