Nelson Gonçalves (1919-1999), foi um dos maiores nomes da música brasileira de todos os tempos. Nelson Gonçalves, depois do rei Roberto Carlos, é campeão de vendas no país, com 78 milhões de discos.
Nasceu Antônio Gonçalves Sobral, em 21 de junho de 1919, em Santana do Livramento, no Rio Grande do Sul, de pais imigrantes portugueses, que tinham acabado de chegar ao país. Aos seis dias de vida, o pequeno Tonico viu-se mudando para o bairro italiano do Brás, em São Paulo.
Enquanto o pai tocava violão, acompanhava-o, em sua infância, nas feiras livres e nas praças.
Na infância, tinha dois apelidos: na escola, era chamado de Carusinho, por sua voz excepcional. Como gaguejava, passou a ser ainda chamado de Metralha, já que falava cuspindo as palavras, por disfunção fonética.
Em sua biografia, ficou conhecido como intempestivo e brigão. Canalizou sua impetuosidade para o boxe. Com 17 anos, foi campeão paulista. Mas ele focou em seu sonho: estudou canto acadêmico, por seis anos, com o maestro Bellardi, que aconselhou: deveria ser cantor popular. Entrou no mundo da música, casou, teve filhos. Quando decidiu ir ao Rio de Janeiro em busca de sua carreira, em 1939, fez vários testes e foi reprovado em todos. Até o grande Ary Barroso comete a gafe histórica de não gostar da voz do jovem. Mas a voz excepcional e a vida atribulada são marcas daquele que foi cantor, compositor, jornaleiro, mecânico, polidor, tamanqueiro, engraxate e garçom, além de lutador de boxe. No auge do sucesso, abandonado pela mulher, envolve-se com drogas e acaba preso. Dedicou 50 anos a sua paixão, que era a música, recebeu 20 discos de platina, 40 discos de ouro e foi recordista nacional de gravações, com 128 LPs e 300 compactos. Ídolo, faz shows em todo o país, no Uruguai, na Argentina e no Radio City Hall, de Nova Iorque.
Quando saí do inferno, a cadeia, a minha mulher, Maria Luiza da Silva Ramos Gonçalves, tentava vender meus shows em circos, mas não os queriam. Estavam dizendo por aí que o Nelson já era, e eu disse: Eu não, eu sou, disse em entrevista a Especial Ribalta, na TV Tupi, em 1977. Nelson Gonçalves morreu no dia 18 de abril de 1999.
(Fonte: Correio do Povo N° 264 Ano 114 Arte & Agenda Marcos Santuario – 21/06/09 Pág; 6)

