Murillo Mendes, presidente da construtora Mendes Júnior, pioneira na internacionalização das empresas brasileiras do setor durante o chamado período do milagre econômico

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Murillo Mendes, filho do fundador da construtora Mendes Junior

 

Murillo Mendes estava à frente dos negócios há mais de 40 anos, tendo comandado construções importantes como da Ponte Rio-Niteró e das usinas hidrelétricas de Itaipu e Furnas.

 

 

 

Murillo Mendes, empresário do ramo da construção civil mineiro, presidente da construtora Mendes Júnior, foi uma das maiores reservas de intelectualidade e empreendedorismo de Minas Gerais. Um homem simples, de trato ameno, que deixou sua contribuição para o progresso do país.

 

 

O empreiteiro Murillo Mendes, filho do fundador da construtora Mendes Junior, o engenheiro José Mendes Junior, criada em 1953 e que foi pioneira na internacionalização das empresas brasileiras do setor durante o chamado período do milagre econômico, nos anos 70, período da ditadura militar.

 

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Murillo Mendes protagonizou uma verdadeira batalha jurídica contra a União, ao cobrar indenização bilionária, no fim dos anos 90, pelo suposto atraso de pagamentos referentes a obras contratadas pela Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf). Antes disso, a companhia já havia também recorrido aos tribunais contra o Banco do Brasil (BB) em razão de prejuízos que a empresa sofreu na execução de obras no Iraque, cujos pagamentos foram afetados depois da Guerra do Golfo. Mendes cobrava quase US$ 1 bilhão sob o argumento de que obrigações contratuais não foram cumpridas e que o BB havia “arruinado o crédito da companhia”. Cerca de US$ 420 milhões se referiam a dívidas do governo iraquiano com a construtora assumidas pelo BB.
Murillo Mendes chegou a escrever o livro “Quebra de Contrato”em que afirma que o governo federal “deu o cano” na construtora após um investimento malsucedido no Iraque. Anos depois, voltou a se recuperar a partir de novos contratos com governos estaduais e federal além de novas investidas em países vizinhos. A partir de 2010, o faturamento alcançou cifras bilionárias.

 

 

A Mendes Júnior já foi uma das maiores construtoras do país, tendo ajudado a levantar a Hidrelétrica de Itaipu e a Ponte Rio-Niterói. Em 2014, porém, virou alvo da Operação Lava Jato.

 

 

O empreiteiro Murillo Mendes sucedeu o pai, José Mendes Júnior, que fundou a empresa em 1953. Entre as obras importantes que a construtora participou está a Hidrelétrica de Furnas, em 1957, a ponte Rio-Niterói, em 1971, a Hidrelétrica de Itaipu, 1973, além de construções no exterior.

A atuação internacional da empreiteira começou em 1969, na construção da Usina Hidrelétrica de Santa Isabel, na Bolívia. Em 1978, a Mendes Júnior iniciou no Iraque a construção da Ferrovia Baghdad-Akashat-Alqaim, que liga essas três importantes cidades do Oriente Médio.

A empresa foi ainda contratada para a construção da rodovia Expressway no Iraque, entre 1981 e 1986. Também foi responsável por uma nova estação de bombeamento no Rio Eufrates, no chamado Projeto Sifão, iniciado em 1984.

Em 1994, a Mendes Júnior assinou o primeiro contrato de construção de uma empresa brasileira na China. A empreiteira construiu a barragem e realizou a montagem eletromecânica do vertedouro da Usina Hidrelétrica de Tianshengqiao I (TSQ – I). Atualmente, é a segunda maior barragem de enrocamento com face de concreto (BEFC) do mundo e a maior da Ásia, conforme divulgado no site da empresa.

Em recuperação judicial desde 2016, a Mendes Júnior tenta se recuperar das dificuldades financeiras, mas ainda vêm registrando resultados negativos. No primeiro semestre de 2018, a empresa teve prejuízo de R$ 555 milhões, segundo dados da B3. O valor representa uma piora na comparação com o mesmo período de 2017, quando o resultado ficou negativo em R$ 371 milhões.

Lava Jato

A empreiteira está entre as empresas investigadas pela Lava Jato. No último dia 13, o juiz federal Sérgio Moro determinou a prisão dos ex-executivos da construtora Sérgio Cunha Mendes, Rogério Cunha Oliveira e Alberto Elísio Vilaça Gomes para cumprimento de pena.

Os três tinham sido condenados por Moro em novembro de 2015. O ex-vice-presidente da Mendes Júnior Sérgio Cunha Mendes foi condenado pelo TRF-4 a 27 anos e 2 meses de prisão. Rogério Cunha Oliveira, ex-diretor de Óleo e Gás da empresa, recebeu pena em segunda instância de 18 anos e 9 meses, e Alberto Vilaça, antecessor de Cunha Oliveira no cargo, foi condenado a 11 anos e 6 meses.

Os executivos foram denunciados após a 7ª fase da operação, deflagrada em novembro de 2014, que investigou irregularidades em contratos da Petrobras com empreiteiras.

O processo teve por objeto contratos e aditivos da Mendes Júnior com a Petrobras na Refinaria de Paulínia (Replan), na Refinaria Getúlio Vargas (Repar), no Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), no Terminal Aquaviário Barra do Riacho, na Refinaria Gabriel Passos, e nos Terminais Aquaviários de Ilha Comprida e Ilha Redonda.

Plano de recuperação judicial

Em 2016, a empreiteira apresentou ao Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) um plano de recuperação judicial da empresa. O plano faz parte do processo de recuperação judicial da empresa. Na ocasião, o Fórum Lafayette informou que o valor a ser recuperado era de R$ 258 milhões, que corresponde ao montante da dívida, segundo a própria empresa.

No mesmo ano, a Controladoria-Geral da União (CGU) havia declarado a construtora inidônea. Com isso, ela ficou impedida de fazer contratos com qualquer instituição pública por dois anos. Foi a primeira decisão desse tipo em relação a empresas envolvidas na Lava Jato.

O órgão colheu provas de irregularidades na atuação da construtora Mendes Júnior em contratos da Petrobras de 2004 a 2012. Na investigação, a empresa até admitiu o suborno, mas alegou que a propina foi extorquida por operadores do esquema. Porém, isso não convenceu a CGU.

Aprovado em abril de 2018, o processo de recuperação judicial da empreiteira acusada de envolvimento nos esquemas de corrupção investigados pela Operação Lava-Jato foi suspenso no começo de junho por decisão liminar do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG). Agravo de instrumento apresentado pelo Bradesco S/A e o Bradesco Cartões S/A, e acatado pelo desembargador Kildare Carvalho, questionou alguns pontos da proposta da empresa já homologada.
Em assembleia, os representantes dos 3.300 credores da Mendes Junior Trading e Engenharia aprovaram o plano de recuperação judicial em abril, incluindo a negociação de uma dívida total estimada ao redor de R$ 400 milhões. As indenizações trabalhistas a 1.895 ex-empregados somam cerca de R$ 36,6 milhões. Os outros R$ 735 milhões são créditos contratados junto a grandes credores, instituições financeiras e fornecedores, a exemplo da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig).
Murillo Mendes estava à frente da companhia até 2017, quando, por decisão da família, se afastou do comando diário, mas sem perder a influência e a presença na definição dos rumos da empresa.
Murillo Mendes morreu em 19 de agosto de 2018 aos 93 anos em Belo Horizonte, em decorrência de um infarto.
O empreiteiro estava afastado da presidência da empresa desde 2017, mas ainda participava dos processos de decisão.
A morte de Murillo Mendes, para o advogado José Murilo Procópio de Carvalho, responsável pelo plano de recuperação judicial da Mendes Junior, representa o fim “de uma reserva da intelectualidade de Minas, do empreendedorismo e da moralidade no estado”.

(Fonte: https://g1.globo.com/mg/minas-gerais/noticia/2018/08/19 – MINAS GERAIS / Por G1 MG, Belo Horizonte – 

(Fonte: http://hojeemdia.com.br/horizontes – HORIZONTES / Da Redação – 19/08/2018)

(Fonte: https://www.em.com.br/app/noticia/economia/2018/08/19 – ESTADO DE MINAS – NOTÍCIA / ECONOMIA – 19/08/2018)

(Fonte: https://economia.uol.com.br/noticias/estadao-conteudo/2018/08/19 – ECONOMIA / Operação Lava Jato / Por Luciana Dyniewicz De São Paulo – 19/08/2018)

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