Milena, cantora de samba baiana projetada nos anos 1970

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Milena, cantora revelada nos anos 1970

Gravação de show feito pela artista baiana com João do Vale em 1977 é recuperada e vira álbum póstumo de discografia espaçada.

 

Milena (Juazeiro (BA), 5 de novembro 1942 – São Paulo (SP), 1º de junho de 2020), cantora de samba baiana projetada nos anos 1970.

 

Em 1975, a gravadora Odeon decidiu apostar em Milena como cantora de samba quando a maior estrela da companhia fonográfica no gênero, Clara Nunes (1942 – 1983), cogitou migrar para a gravadora concorrente Philips. Só que Clara acabou ficando na Odeon e, com a permanência da cantora mais popular do elenco, a gravadora pouco ou nada investiu em Sorriso aberto, o primeiro álbum de Milena, lançado naquele ano de 1975.

 

Esse fato seria determinante da cantora baiana nascida em Juazeiro (BA), para a descontinuidade da carreira fonográfica de Milena.

Milena estreou em disco em 1968 com a edição, pela gravadora Continental. de compacto com versões de duas músicas estrangeiras. Sete anos depois, em 1975, a cantora entrou na Odeon pelas mãos do produtor musical Moacyr Machado (então no posto de diretor de marketing da companhia), após lançar dois compactos pela Chantecler, voltados para o samba.

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A entrada da artista na Odeon para ocupar o lugar de Clara Nunes seria a grande chance de Milena, cantora projetada em 1970 no programa Mercado Internacional do Talento (MIT), comandado pelo apresentador Flávio Cavalcanti (1923 – 1986) na TV Tupi.

Sem receber a devida atenção na gravadora, Milena saiu da Odeon após compacto editado sem repercussão em 1976. No ano seguinte, Milena foi apadrinhada pelo cantor e compositor maranhense João do Vale (1934 – 1996), com o qual correu o Brasil em show itinerante promovido pela Funarte. Esse show de 1977 legitimou a cantora a lançar, 42 anos mais tarde, o álbum João do Vale – Muita gente desconhece (2019).

Recuperado recentemente em fita, o show de Milena com João do Vale em 1977 vai dar origem a um disco póstumo da cantora, a ser editado pelo mesmo selo Discobertas que, neste ano de 2020, lançou a coletânea Anos 70, com gravações inéditas da artista.

A compilação Anos 70 foi arquitetada por Thiago Marques Luiz, produtor que trouxe Milena de volta ao mercado fonográfico em 2008 com a gravação de faixa em disco em tributo ao compositor Paulinho da Viola. Na ocasião, Milena estava afastada do mercado há 21 anos, mais precisamente desde a edição do terceiro álbum, O gosto do amor, produzido por José Milton e lançado pela gravadora 3M em 1987.

Oito anos antes, em 1979, a cantora tinha lançado o álbum Milena pela CBS com músicas de Ivone Lara (1922 – 2018), João Bosco e Luiz Gonzaga (1912 – 1989) no repertório arranjado pela violonista Rosinha de Valença (1941 – 2004).

Sem gravar disco na década de 1990, a cantora somente foi lançar o quarto álbum, Por onde passa a memória, em 2012, já com a chancela do produtor Thiago Marques Luiz, de quem era amiga e em cujos braços Milena saiu de cena em 1º de junho, deixando discografia espaçada, ainda a ser descoberta por seguidores da MPB.

Milena saiu de cena aos 77 anos na cidade de São Paulo (SP), por volta do meio-dia de segunda-feira 1º de junho, vítima de parada cardíaca decorrente da fibrose pulmonar contra a qual lutava há anos.

(Fonte: https://g1.globo.com/pop-arte/musica/blog/mauro-ferreira/post/2020/06/02 – POP & ARTE / Por Mauro Ferreira – 02/06/2020)

Jornalista carioca que escreve sobre música desde 1987, com passagens em ‘O Globo’ e ‘Bizz’. Faz um guia para todas as tribos

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