Martin McGuinness, antigo vice-primeiro-ministro e histórico líder do grupo separatista IRA – figura central no processo de paz na Irlanda do Norte

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Martin McGuinness, ex-líder do IRA e da paz na Irlanda do Norte

 

(2016) O ex-vice-premier da Irlanda do Norte Martin McGuinness - (Foto: AFP/Arquivos)

(2016) O ex-vice-premier da Irlanda do Norte Martin McGuinness – (Foto: AFP/Arquivos)

 

Figura central no processo de paz na Irlanda do Norte

Histórico líder do IRA, foi uma figura controversa, mas também crucial no processo de paz na Irlanda do Norte nos anos 90.

 

Martin McGuinness, foi figura central no processo de paz na Irlanda do Norte (Foto: Getty Images/Arquivos)

Martin McGuinness, foi figura central no processo de paz na Irlanda do Norte (Foto: Getty Images/Arquivos)

 

James Martin Pacelli McGuinness (Derry, 23 de maio de 1950 – Derry, 21 de março de 2017), ex-vice-primeiro-ministro da Irlanda do Norte e ex-comandante do grupo IRA, antigo vice-primeiro-ministro e histórico líder do grupo separatista IRA – e, por isso, também uma das figuras centrais no processo de paz na Irlanda do Norte, que passou de comandante do IRA na Irlanda do Norte a um dos líderes do processo de paz na província britânica.

McGuinness foi um líder histórico na Irlanda do Norte e conseguiu levar o Exército Republicano Irlandês (IRA) ao desarmamento, colocando fim à violência política no país e iniciando um processo de paz, o qual culminou com a formação de um governo de poder compartilhado em 1998.

O IRA combateu a presença britânica na Irlanda do Norte por mais de 30 anos e realizou uma série de atentados terroristas durante sua luta armada. Apesar de McGuinness ter liderado o grupo, ele incentivou o processo de paz e se tornou vice-premier do país em 2007.

Ex-líder do IRA – grupo separatista que usava o nome de Exército Revolucionário Irlandês -, Martin McGuinness acabou por se tornar no principal negociador do Sin Féinn no processo de paz na Irlanda do Norte, que levou à assinatura a 10 de abril de 1998 do Acordo de Belfast (também conhecido como Acordo da Sexta-feira Santa) pelos governos britânico e irlandês, pondo assim fim ao conflito sangrento entre nacionalistas e unionistas. Em 2007, tornou-se vice-primeiro-ministro da Irlanda do Norte, durante o governo de Ian Paisley, do Partido Democrático Unionista, mantendo-se no cargo nos dois governos seguintes (de Peter Robinson e Arlene Foster).

Demitiu-se a 9 de janeiro, depois de Foster se ter recusado a afastar-se temporariamente na sequência de um inquérito a um escândalo de energia pública. A sua demissão levou ao colapso do governo de coligação irlandês e à realização de novas eleições, às quais já tinha admitido que não iria concorrer.

“O meu trabalho enquanto líder político é evitar a guerra”

James Martin Pacelli McGuinness nasceu a 23 de maio de 1950, em Derry, a segunda maior cidade da Irlanda do Norte. Foi na adolescência que se começou a envolver politicamente, depois de ter visto as imagens do deputado Gerry Fitt coberto de sangue durante uma manifestação pelos direitos civis em 1968. Alistou-se no Exército Republicano Irlandês (IRA) e, numa questão de meses, chegou a número dois na Brigada de Derry. Era esse o cargo que ocupava a 30 de janeiro de 1972, o Domingo Sangrento. Nesse dia, um regimento de soldados britânicos matou a tiro 13 católicos desarmados, durante uma manifestação em Derry.

Em março desse ano, o primeiro-ministro do Reino Unido, Edward Heath (1916-2005), suspendeu o governo irlandês e Martin McGuinness foi enviado para Inglaterra, juntamente com Gerry Adams, para iniciar negociações com o Secretário de Estado da Irlanda do Norte, Willie Whitelaw, em nome do IRA. Adams e McGuinness não eram completos desconhecidos, mas foi durante essa viagem que nasceu a amizade estreita e parceria política que mantiveram até ao fim.

McGuinness deixou o IRA em 1974, depois de ter sido condenado a um ano a duas penas de prisão — uma por ter sido apanhado com um carro cheio de explosivos e outra por pertencer à organização irlandesa. Foi nessa altura — com a entrada para o Sinn Féin — que o ex-primeiro-ministro entrou definitivamente na política, tornando-se numa das figuras centrais na defesa da paz na Irlanda do Norte. Foi também um período em que enfrentou fortes críticas pelo seu ativismo enquanto líder do IRA e a oposição de outros políticos que se recusavam, inclusivamente, a cumprimentá-lo. Daí que o momento em que a Rainha Isabel II e Martin McGuinness deram um aperto de mãos, em Belfast, em 2012, tenha ficado na história.

 

27 de Junho de 2012. O dia histórico, em Belfast, em que a Rainha Isabel II e Martin McGuinness selaram anos de revoltas e costas voltadas com um histórico aperto de mão.

27 de Junho de 2012. O dia histórico, em Belfast, em que a Rainha Isabel II e Martin McGuinness selaram anos de revoltas e costas voltadas com um histórico aperto de mão.

 

McGuiness era um dos responsáveis do IRA quando o grupo organizou um atentado bombista em 1979 que matou Lord Mountbatten, primo da monarca britânica. O cumprimento, impensável durante anos, acabou assim por selar um acordo de paz.

Ao lado de Gerry Adams, McGuinness foi a face visível dos republicanos no processo que resultou nos acordos de paz da Sexta-Feira Santa de 1998, que encerraram um conflito de três décadas entre católicos leais a Dublin e protestantes leais a Londres que deixou mais de 3.500 mortos.

Destaca-se sua conversão ao processo de paz, que o levou a conviver com antigos inimigos, como a rainha da Inglaterra, Elizabeth II, com quem se reuniu pelo menos duas vezes, e o reverendo unionista Ian Paisley, que foi seu primeiro chefe de Governo.

McGuinness era o número dois do IRA em Derry, sua cidade natal, em um dos episódios mais amargos do conflito, o “Domingo Sangrento”, o dia 30 de janeiro de 1972, quando 13 manifestantes morreram em uma ação do exército britânico.

Ex-vice-primeiro-ministro da província entre 2007 e 2017, McGuinness renunciou em protesto contra as suspeitas de corrupção que pesavam sobre a chefe de Governo, Arlene Foster, do Partido Democrático Unionista (DUP), o que provocou novas eleições regionais.

Pelos acordos de paz, o maior partido de cada comunidade, neste caso o DUP e o Sinn Fein, eram obrigados a governar em coalizão.

Nos anos que se seguiram, foi ganhando cada vez mais destaque dentro do partido, ocupando vários cargos políticos. Um dos principais responsáveis pela negociação do processo de paz, que levou à assinatura do Acordo de Belfast em 1998, foi membro do parlamento irlandês entre 1997 e 2013, ministro da Educação entre 1999 e 2002 e vice-primeiro-ministro desde 2007 até à sua demissão em janeiro de 2017, afirmando que não voltaria à vida política por motivos de saúde. Recentemente, admitiu que a sua guerra “tinha acabado”. “O meu trabalho enquanto líder político é evitar a guerra.”

Martin McGuinness morreu em Derry, em 21 de março de 2017, aos 66 anos, em consequência de uma doença cardíaca que o havia afastado da política nos últimos meses, o ex-governante sofria de uma rara doença genética, causada por depósitos anormais de proteínas nos tecidos e órgãos.

“Embora eu nunca possa perdoar o caminho que ele tomou na primeira parte de sua vida, Martin McGuinness terminou desempenhando um papel determinante ao liderar o movimento republicano em seu afastamento da violência”, afirmou a primeira-ministra britânica Theresa May em um comunicado.

“Para aqueles de nós que finalmente conseguimos levar o acordo de paz para a Irlanda do Norte, nós sabemos que não conseguiríamos ter feito isto sem a liderança, coragem e persistência de Martin, de que o passado não deve definir o futuro”, afirmou Tony Blair, primeiro-ministro em 1998.

– “Um homem corajoso” –

Colin Parry, que perdeu o filho de 12 anos em um atentado do IRA na cidade inglesa de Warrington, em 1993, disse que nunca poderá perdoar a organização armada, mas elogiou o “anseio de paz” de McGuinness.

“Foi um homem corajoso, que assumiu riscos ante a linha dura do movimento republicano”, disse Parry, de acordo com o jornal The Guardian.

“O que importa não é como você começa a sua vida, e sim como acaba”, declarou à BBC Ian Paisley, filho do reverendo unionista e também político.

“Era um republicano apaixonado que trabalhou sem descanso pela paz e a reconciliação e pela reunificação de seu país. Mas, acima de tudo, amava sua família e as pessoas de Derry, da qual tinha muito orgulho”, disse o líder histórico do Sinn Fein, Gerry Adams.

“Com grande pesar e imensa tristeza, tomamos conhecimento da morte de nosso amigo e camarada Martin McGuinness, que faleceu em Derry durante a noite. Aqueles que o conheceram sentirão muita falta”, afirma o Sinn Fein em seu site.

(Fonte: http://istoe.com.br – EDIÇÃO Nº 2466 – MUNDO – AFP – 21.03.17)

(Fonte: http://observador.pt/2017/03/21 – MUNDO – IRLANDA DO NORTE/ Por Rita Cipriano – 21/03/17)

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