Luiz Alberto Bahia, jornalista, membro do Conselho Editorial da Folha de S.Paulo

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Luiz Alberto Ferreira Bahia (Rio de Janeiro, então Distrito Federal, no dia 14 de fevereiro de 1923 – Rio de Janeiro, 28 de novembro de 2005), jornalista, membro do Conselho Editorial da Folha de S.Paulo

 

 

Ele integrava o Conselho desde sua criação, em 1978, e nunca deixou de fazer parte dele, ainda que nos últimos tempos não pudesse participar ativamente.

 

 

 

TRAJETÓRIA

 

 

Bahia nasceu em Botafogo (zona sul do Rio de Janeiro), em 14 de fevereiro de 1923, filho de um oficial da Marinha e uma professora primária –que largou o magistério ao se casar–, Bahia cresceu em Botafogo, bairro da zona sul do Rio de Janeiro, em um ambiente de “classe média pobre”, como definia.

 

 

Luís Alberto Ferreira Bahia nasceu no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, no dia 14 de fevereiro de 1923, filho de Henrique Alber­to de Figueiredo Bahia e de Laura Ferreira Bahia. Pelo lado paterno descendia de Manuel Lopes Ferreira Bahia, visconde de Meriti, im­portante banqueiro do Segundo Reinado.

 

 

 

Realizou os primeiros estudos no Colégio Militar do Rio de Janeiro, bacharelando-se em ciências jurídicas e sociais pela Faculdade de Direito da Universidade do Distrito Federal.

 

 

 

Bahia estudou direito, foi dissuadido pelo pai de cursar filosofia, trabalhou como arquivista do Itamaraty e, em 1945, entrou no que seria, como dizia, a “constante” de sua vida: o jornalismo.

 

 

Ocupou cargos públicos e passou pelos principais veículos da imprensa brasileira. Entrou no jornalismo – o que dizia ser uma “constante” de sua vida em 1945.

 

 

Teve formação católica, o que o marcou por toda a vida, mas tornou-se agnóstico durante os anos de estudo no Colégio Militar. Estudou direito, foi dissuadido pelo pai de cursar filosofia, trabalhou como arquivista do Itamaraty e, em 1945, entrou no que seria, como dizia, a “constante” de sua vida: o jornalismo.

 

 

 

Luiz Alberto Bahia, membro do Conselho Editorial da Folha. (A.Campbell/Folha Imagem)

 

 

O início da carreira

 

 

 

 

Ele iniciou sua carreira como repórter do “Correio da Manhã”, jornal em que trabalhou até 1962 – com um intervalo entre 1950 e 53. Nesse período, foi diretor da British News Service no Brasil. No “Correio”, Bahia foi também editor de noticiário internacional, secretário de redação, redator-chefe e diretor de redação.

 

 

Foi no “Correio” que dizia ter aprendido a linha que considerava ideal para um jornal: conservador em matéria econômica, aberto em matéria política e revolucionário na área cultural.

 

 

O convívio no jornal com o crítico de arte Mário Pedrosa (1900-1981) reforçou sua inclinação socialista. Tornou-se trostskista, sem abandonar seu interesse pelo catolicismo e pelo espiritismo. Sobre as tentativas de unir essas três vertentes, escreveu o livro O Fenômeno Divino e Outras Convicções” (Dublin, 1999).

 

 

 

Antes, publicara outros dois: A Dimensão Injusta – Bases para a Revolução Igualitária” (Zahar Editores, 1968) e “Soberania, Guerra e Paz” (Zahar, 1978).

 

 

 

Em 1962 foi afastado da direção do jornal por determinação de Paulo Bittencourt (1895-1963), que não aprovou a violenta campanha movida contra o então governador do estado da Guanabara, Carlos Lacerda (1960-1965).

 

 

 

Demitido do Correio pela família Bittencourt, que discordava de suas posições pró-Cuba no plano internacional e anti-Lacerda na política brasileira, tornou-se em 62 assessor de San Tiago Dantas (1911-1964), ministro da Fazenda de João Goulart.

 

 

 

Mas logo voltou à imprensa, atuando como editor político da revista Visão e editorialista do Jornal do Brasil.

 

 

 

Em 1962, foi designado para atuar como conselheiro do BNDE (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico), função que exerceu até 67.

 

 

 

Ainda em 1962, tornou-se assessor político de Francisco Clementino de San Tiago Dantas, ministro da Fazenda do governo João Goulart (1961-1964), e nessa qualidade participou de negociações internacionais. Passou também a inte­grar o conselho de administração do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDE), onde permaneceria até 1967.

 

 

Depois de ser editor politico da revista Visão em 1962, foi editorialista do Jornal do Brasil, de 1963 a 1965. Nesse último ano participou dos primeiros “Encontros do Século XX”, realizados em Guernavaca, México, e de um programa de análise de política nacional e internacional na TV Continental, no Rio de Janeiro.

 

 

 

Também foi chefe do gabinete civil de Negrão de Lima, governador da Guanabara, entre 66 e 68. Voltaria a ter um cargo público em 1980, quando se tornou conselheiro do Tribunal de Contas do Município do Rio de Janeiro.

 

 

 

Em 1966 foi nomeado chefe do Gabinete Civil do governador da Guanabara, Francisco Negrão de Lima (1965-1971).  Por essa mesma época integrou o conselho de desenvolvimen­to da Companhia Progresso do Estado da Guanabara (Copeg). Em dezembro de 1968 , logo após a decretação  do Ato Institucional nº 5 (13 de dezembro), deixou a chefia do Gabinete Civil de Negrão de Lima e abandonou a vida pública.

 

 

 

Foi editorialista de O Globo entre 69 e 72 e, em seguida, editor de opinião do Jornal do Brasil entre 73 e 75. Neste ano chegou à Folha. Entre 77 e 80 foi colunista da página 2 do jornal.

 

 

Em 1969 tornou-se editorialista do jornal O Globo e passou a inte­grar o conselho da Associação Brasileira de Imprensa (ABI).  Em setembro do ano seguin­te, convidado pelo Center of International Af­fairs, da Universidade de Harvard, transferiu-­se para os Estados Unidos, onde fez estudos e pesquisas no programa Fellow daquela uni­versidade.

 

Durante o curso procurou discutir o conceito de soberania como forma de pro­priedade e a natureza dos regimes políticos em relação à escassez econômica e tentou ela­borar um modelo político de reconciliação de­mocrática, terminando por defender a tese Sovereignty: the property or properties em 1971. De regresso ao Brasil nesse mesmo ano, voltou a ser editorialista de O Globo, onde permaneceu até 1972.

 

 

 

Bahia integrava o Conselho Editorial da Folha desde sua criação, em 1978, e nunca deixou de fazer parte dele, ainda que nos últimos tempos não pudesse participar ativamente.

 

 

Voltou  então ao Jornal do Brasil, também como edi­torialista, e em dezembro de 1973 tornou-se editor de opinião do jornal, onde assinava a coluna Um observador político.  Por essa o­casião foi admitido como membro do conse­lho de curadores do Conjunto Universitário Cândido Mendes, no Rio de Janeiro. Em de­zembro de 1975 deixou o Jornal do Brasil pa­ra fazer uma viagem ao exterior.  Ao voltar, passou a colaborar na Folha de São Paulo.

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De 1976 a 1977, foi membro associado do Centro de Estudos Latino-Americanos da Universidade de Cambridge, na Inglaterra. Retornando ao país nesse último ano, assinou uma coluna diária na Folha de São Paulo até 1980, quando passou a integrar o conselho editorial do jornal. Ainda em 1980, tornou-se conselheiro do Tribunal de Contas do Município do Rio de Janeiro. No período de 1981 a 1984, foi diretor do Fórum San Tiago Dantas, no Instituto de Estudos Políticos e Sociais do Rio de Janeiro.

De junho a agosto de 1992 publicou na Folha de São Paulo uma série de 11 artigos em que criticou duramente os rumos daquilo que, a seu ver, se configurou como um julgamento não isento e eminentemente político do presidente Fernando Collor de Melo, por ocasião dos trabalhos da comissão parlamentar de inquérito (CPI) instaurada no Congresso para investigar denúncias de corrupção contra Paulo César Farias, o PC, tesoureiro da campanha do presidente.

Embora declarasse ter sido eleitor de Luís Inácio Lula da Silva, candidato do Partido dos Trabalhadores (PT) derrotado no pleito de 1989, defendia o pleno direito de defesa de Collor de Melo e considerava defeituoso o processo de formação de provas contra ele. Um desses artigos, intitulado “Linchamento ou julgamento”, chegou a ser lido como reforço para os argumentos da defesa do presidente numa das sessões da CPI.

 

 

Em setembro último, o jornalista foi admitido na Ordem de Rio Branco, no grau de comendador. A homenagem se deveu a sua obra “Soberania, Guerra e Paz”, publicada pela editora Jorge Zahar.

 

 

Em 1993, Bahia aposentou-se do Tribunal de Contas do Município do Rio de Janeiro e desde então passou a trabalhar na confecção de um livro de meditações sobre temas variados que marcaram sua trajetória como jornalista e analista político.

Ao longo de sua carreira fez várias conferências no exterior, tendo participado da mesa-redonda de direto­res e editores de jornais e revistas realizada em Genebra, na Suíça, sob o patrocínio da Orga­nização das Nações Unidas (ONU), e de semi­nários em universidades norte-americanas sobre o tema “Dilemas políticos brasileiros”.

 

 

Leia frases do jornalista Luiz Alberto Bahia

 

 

 

Confira abaixo algumas frases do jornalista Luiz Alberto Bahia, membro do Conselho Editorial da Folha.

 

 

 

 

Nem o índio da Amazônia nem o pampeiro do Sul querem ser governados pelos burocratas de Brasília, incapazes de entender algo mais do que cifras estatísticas.” (Folha, 23 jun. 1993)

 

 

 

A democracia não resiste sem a Federação; é um Estado federal que evita uma federação de Estados.” (Folha, 28 abr. 1993)

 

 

 

Não nos iludamos: a crise de desconfiança, por abranger os candidatos à Presidência da República, não se resolverá por CPIs e atos de purificação de tantos eleitos pela fraude eleitoral. A solução não está na renúncia, mas nas reformas.” (Folha, 31 jul. 1992)

 

 

 

Collor desatinadamente estimulou o ‘marketing’ da anticorrupção que agora se volta contra seu governo renovado.” (Folha, 21 jun. 1992)

 

 

 

A quarta onda [da pobreza]aí está: uma resposta ao desafio mal resolvido da melhor distribuição de renda mundial e da defeituosa divisão internacional do trabalho.” (Folha, 21 jul. 1991)

 

 

 

Não exageremos (…) no julgamento do gestor público enquanto não enxergarmos melhor a trave do olho do corruptor do gestor privado livremente em ação do mercado.” (Folha, 30 abr. 1991)

 

 

 

Frente à possibilidade de recessão ou mesmo de depressão, preservamos a liberdade que secará em nossa alma havendo medo. Restrinjam-se, pois, através de emenda constitucional, os casos de aplicação das medidas provisórias.” (Folha, 13 abr. 1990)

 

 

 

Inseguros diante da hiper [inflação], inseguros frente ao desemprego e à ruína, corremos risco iminente de cairmos em nova ditadura (…). Há pressa, sim de abater a inflação; mas haverá pressa em jogar os brasileiros em desemprego?” (Folha, 1 abr. 1990)

 

 

 

Só a visão conspiratória da política encontraria, na ideia de governo paralelo, objetivo de instabilizar a situação que se configura.” (Folha, 20 mar. 1990)

 

 

 

O federalismo não é incompatível com o liberalismo, fundamenta a democracia cristã e é essencial ao socialismo democrático, sempre que essas posições doutrináveis defendem a liberdade, o cristianismo e o socialismo.” (Folha, 20 fev. 1990)

 

 

 

Caso as Diretas-Já não sejam aprovadas pelo Congresso, não será sábio insistir em posição que questione a legitimidade do governo que se instalará por via de eleição indireta. Tal insistência pode semear condições do que eu chamaria de ‘golpe democrático’, que destruiria os ganhos políticos de democratização lenta e gradual, e nos lançaria numa aventura de desfecho imprevisível.” (Folha, 27 jun.1984)

 

 

 

O Sr. Brizola não mudou de posição. Continua fazendo ‘oposição à Oposição’. Ele quer o seu partido como uma criança quer um brinquedo.” (Folha, 21 out. 1979)

 

 

 

O ministro das Minas e Energia anunciou atraso de cinco anos no programa nuclear do acordo com a República Federal da Alemanha (…). De saída, como somos radicalmente contra o programa, só podemos dizer: graças a Deus!” (Folha, 03 out. 1979)

 

 

 

A nossa democracia enquadrada terá dois tipos ou duas qualidades de partido –os segregados e os não segregados do poder.” (Folha, 29 set. 1979)

 

 

 

Do ponto de vista do futuro da espécie humana, o modelo Estado-Nação está se deslegitimando. Para ser legitimado, ele terá de ter moderado o seu atributo essencial de soberania absoluta. O Estado soberano origina a desigualdade e os conflitos bélicos.” (Folha, 26 set. 1979)

 

 

 

Pertenço a uma escola de pensamentos para a qual a atividade acadêmica só é fundamental quando se mostra capaz de apresentar propostas para a ação.” (Folha, 23 mai. 1978)

 

 

 

Temos sido um País de reformas de Constituições, estas em geral anti-reformistas e rígidas. E o resultado já se conhece: remédios heroicos que não curam.” (Folha, 16 mar. 1977)

 

Bahia, 82, morreu em 28 de novembro de 2005, no Hospital Samaritano, no Rio de Janeiro, onde estava internado havia cerca de um mês.

Bahia sofreu sucessivos derrames, comprometendo seu estado de saúde geral. Ele enfrentou problemas nos pulmões e nos rins. Teve falência múltipla dos órgãos.

(Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil – FOLHA – BRASIL / PODER / da Folha de S.Paulo, no Rio da Folha Online – 28/11/2005)

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(Fonte: http://www.fgv.br/cpdoc/acervo/dicionarios/verbete-biografico – VERBETE / LUIS ALBERTO FERREIRA BAHIA)

FONTES: ARQ. DEP. PESQ. JORNAL DO BRASIL; CURRIC. BIOG; ENTREV. BIOG. (1/10/96); Grande Encic. Delta; Jornal do Bra­sil (14/10/66); Who’s who in Brazil.

(Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil – FOLHA – BRASIL / PODER / Leia frases do jornalista Luiz Alberto Bahia / do Banco de Dados da Folha – 28/11/2005)

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