Luis Sepúlveda, escritor latino-americano de grande sucesso, com destaque para O Velho que Lia Romances de Amor, forçado ao exílio durante a ditadura de Augusto Pinochet

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Luis Sepúlveda, escritor chileno, era autor de romances e livros infantis vivia na Espanha, país adotado por ele desde o exílio imposto pela ditadura de Pinochet

 

O escritor chileno Luis Sepulveda na feira do livro de Paris, em março de 2010 — (Foto: ETIENNE DE MALGLAIVE / AFP)

 

Autor de O Velho Que Lia Romances de Amor

Luis Sepúlveda (Ovalla, 4 de outubro de 1949 – Oviedo (norte da Espanha), 16 de abril de 2020), escritor chileno, autor de mais de 20 romances, livros de viagem, guias e ensaios, foi forçado ao exílio durante a ditadura de Augusto Pinochet.
Escritor latino-americano de grande sucesso, autor de vinte romances, livros de crônicas e contos para crianças, com destaque para O Velho que Lia Romances de Amor, Sepúlveda deixou o Chile em 1977 após sofrer represálias da ditadura de Augusto Pinochet. Depois de um longo périplo pela América Latina, que incluiu sua participação na revolução sandinista da Nicarágua (também esteve na Argentina, Uruguai e Brasil), em 1977 chegou a Gijón, na província de Astúrias.

Algumas de suas obras foram adaptadas para o cinema, como História de uma gaivota e do gato que a ensinou a voar, pelo italiano Enzo D’Alò e em versão animada, e Um velho que lia romances de amor, dirigida pelo holandês-australiano Rolf de Heer.

Instalado na Europa desde os anos 1980, Sepúlveda conquistou o sucesso como autor de 20 romances, livros de crônicas e contos, com destaque para O velho que lia romances de amor.

Sepúlveda alcançou um melhor reconhecimento no exterior do que no Chile, seu país natal para o qual nunca quis voltar. “Há contas pendentes com o país, contas que não significam que precisamos de alguma reparação ou algo assim, e sim os amigos que nos faltam”, disse Sepúlveda em uma entrevista em novembro de 2014 à rádio da Universidade do Chile.

 

“No exílio você também vai estabelecendo um universo emocional. Funda ou aumenta sua família e não pode desarraigar seus filhos, não pode condená-los ao mesmo desenraizamento que sentiu quando teve que sair”, completou o escritor, que só recuperou em 2017 a nacionalidade chilena.

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Prisão em 1973

Nascido em outubro de 1949 em Ovalla, uma cidade ao norte de Santiago, Sepúlveda militou na juventude comunista e depois no Partido Socialista, o que provocou sua detenção em 1973, depois do golpe de Estado liderado por Augusto Pinochet contra o governo de Salvador Allende. Sepúlveda passou dois anos preso e depois foi colocado em prisão domiciliar. Conseguiu escapar e passou quase um ano na clandestinidade, até uma nova detenção e seu envio para o exílio em 1977, um período refletido em obras como A Loucura de Pinochet (2003) ou A Sombra do que Fomos (2009).
Depois de um período conturbado, alternando dois períodos na prisão, outro em prisão domiciliar e quase um ano foragido na clandestinidade, em 1977 conseguiu sair do Chile, onde nunca voltou a morar.
Sepúlveda sempre disse que tinha nascido “profundamente vermelho”. Militou em várias formações comunistas e socialistas, mas acabou desencantado. Foi um grande viajante: adorava pesquisar as diferentes culturas e etnias. “É o maior tesouro da espécie humana”, dizia sobre as idiossincrasias regionais. Com uma grande consciência ambiental, trabalhou em um dos navios do Greenpeace durante vários anos da década de 1980. Dedicou um de seus romances, Historia de un perro llamado Leal, ao povo mapuche, etnia de um de seus avós. “O povo mapuche é constantemente perseguido. Suas reivindicações, que são bastante justas, são respondidas com repressão e a aplicação de uma absurda legislação antiterrorista”, afirmou na apresentação do romance, em 2016. Seu último livro foi Historia de una ballena blanca, de 2019.
Durante sua longa carreira como escritor, recebeu cerca de 20 prêmios, entre eles o Pégaso de Ouro, em Florença, e o Prêmio da Crítica, no Chile. Era, além disso, Cavaleiro das Artes e Letras da República Francesa e doutor honoris causa pela Universidade de Urbino, na Itália.
Em um encontro com leitores do EL PAÍS, Sepúlveda definia assim o tratamento dos personagens de seus romances: “O bom romance foi a história dos perdedores, porque os ganhadores escreveram sua própria história. Cabe aos escritores sermos a voz dos esquecidos”.
Em outro momento da conversa, explicou sua técnica narrativa: “Movo-me inteiramente pela história que estou contando e gosto de ser muito fiel aos meus personagens, me apaixonar por eles, porque sei que o leitor, ao ler, vai sentir uma emoção muito parecida com a que sinto ao escrever, e isso é o mais lindo que tem a literatura, poder compartilhar emoções e poder compartilhar sensações”.
Ele deveria iniciar o exílio na Suécia, mas fez escalas na Argentina, Uruguai, Brasil, Paraguai, Bolívia, Peru e Equador. Depois de uma passagem pela Nicarágua, onde integrou as brigadas sandinistas, emigrou para a Alemanha, onde morou por 14 anos. Nesta país casou com sua segunda esposa, Margarita Seven, e foi correspondente do Greenpeace.
Depois da separação da segunda esposa, se mudou para Paris e depois foi para a cidade espanhola de Gijón, onde fixou residência e reencontrou a primeira mulher, a poeta chilena Carmen Yáñez.
Luis Sepúlveda faleceu em Oviedo (norte da Espanha) aos 70 anos, depois de passar um mês e meio hospitalizado por causa do coronavírus. O autor estava internado desde o fim de fevereiro no Hospital Universitário Central das Astúrias, na região norte da Espanha, onde morava. Ele apresentou resultado positivo para o novo coronavírus depois de retornar de um festival no norte de Portugal.

De acordo com a imprensa local, em 10 de março, o escritor estava em estado crítico e, desde então, a família não divulgou mais informações sobre a saúde de Sepúlveda.

“Os profissionais da saúde fizeram tudo para salvar sua vida, mas não superou a doença. Meus emocionados pêsames para a mulher e a família”, escreveu no Twitter o presidente regional das Astúrias, Adrián Barbón.

(Fonte: https://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2020/04/16 – POP & ARTE / NOTÍCIA / Por France Presse – 16/04/2020)
(Fonte: https://veja.abril.com.br/entretenimento – ENTRETENIMENTO / Por Redação – (Com agência France-Presse) – Atualizado em 16 Apr 2020)
(Fonte: https://brasil.elpais.com/cultura/2020-04-16 – CULTURA – Madri – 16 ABR 2020)
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