Lev Navrozov, foi tradutor literário na União Soviética que contrabandeou seus estudos sobre as campanhas de terror de Lenin e Stalin quando emigrou para os EUA em 1972, em seu livro “A Educação de Lev Navrozov: Uma Vida no Mundo Enclausurado Outrora Chamado Rússia” (1975), ele descreveu Lenin como um “bárbaro” indigno da deificação de seu país

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Lev Navrozov, tradutor literário e dissidente soviético

Lev Navrozov em Nova York em 2001. (Crédito da fotografia: Cortesia © Copyright All Rights Reserved/ Managed/ Direitos autorais: Divulgação/ Sasha Gusov/Arenapal ®/ REPRODUÇÃO/ TODOS OS DIREITOS RESERVADOS)

 

 

Lev Navrozov (nasceu em 26 de novembro de 1928, em Moscou na União Soviética – faleceu em 22 de janeiro de 2017, no Brooklyn, Nova Iorque, Nova York), foi tradutor literário na União Soviética que contrabandeou seus estudos sobre as campanhas de terror de Lenin e Stalin quando emigrou para os Estados Unidos em 1972.

Navrozov, foi um escritor, historiador, tradutor e polemista russo que deixou a União Soviética rumo aos Estados Unidos em 1972 e, em 1975, publicou um livro de memórias reveladas, “A Educação de Lev Navrozov”, que se tornou um best-seller e o consagrou como um dos principais dissidentes russos.

Saul Bellow, que se tornou amigo de Navrozov, o utilizou como modelo para um pensador dissidente russo moderno em dois de seus romances, descrevendo-o em “More Die of Heartbreak” como uma das “figuras dominantes” de sua época. 

Numa época em que alguns irredutíveis no Ocidente ainda acreditavam no paraíso comunista por trás da Cortina de Ferro, o livro de Navrozov apresentou aos leitores americanos a sensação de viver num “estado servil”, onde a brutalidade, a tortura e as mentiras se tornam normalizadas e o dia a dia está tão distante da experiência do mundo livre que se torna quase inimaginável.

O desprezo do Sr. Navrozov por Lenin, o líder da Revolução Bolchevique, e por Stalin, seu brutal sucessor, surgiu de uma aversão intelectual, não de uma história pessoal de exílio ou repressão. Em seu livro “A Educação de Lev Navrozov: Uma Vida no Mundo Enclausurado Outrora Chamado Rússia” (1975), ele descreveu Lenin como um “bárbaro” indigno da deificação de seu país.

“Ele tinha que escravizar psicologicamente cada alma”, escreveu. “Ele tinha que destruir dentro de cada alma toda a psicologia da independência que vinha se acumulando ao longo da história da Rússia.”

O livro, em parte autobiográfico, foi elogiado pelo filósofo Sidney Hook e pelo historiador Robert K. Massie (1929 – 2019). Mas, na revista The New York Review of Books, Helen Muchnic , especialista em literatura russa, escreveu que Navrozov, “levado por um desgosto certamente justificável pelas injustiças, crueldades e hipocrisias de um despotismo bárbaro”, havia “deixado que seu ódio transbordasse os limites da racionalidade”.

No entanto, Saul Bellow, em seu romance “More Die of Heartbreak” (1987), colocou o Sr. Navrozov entre os escritores dissidentes Aleksandr Solzhenitsyn, Vladimir Maximov e Andrei Sinyavsky como “figuras imponentes, homens de gênio, alguns deles”.

“Jamais me esquecerei do filme americano baseado em As Vinhas da Ira, de Steinbeck”, recordou Navrozov. “O autor e os cineastas queriam mostrar a vida dos pobres na década de 1930. Os pobres andavam em caminhonetes. O público russo ficou boquiaberto. Mesmo um carro pequeno e surrado de 30 anos é um símbolo de status aqui, tão valioso quanto um iate nos Estados Unidos. Mas possuir uma caminhonete como aquela que os Joads usaram para ir à Califórnia era um sinal de prestígio tão inimaginável para a maioria dos cidadãos soviéticos quanto ‘possuir uma frota de dirigíveis’ seria para um americano médio. O que Steinbeck pretendia como uma ‘mensagem de ira sobre a pobreza’, o público soviético interpretou como uma fantasia de opulência.”

Lev Navrozov nasceu em Moscou em 26 de novembro de 1928. Seu pai, Andrei Navrozov, dramaturgo e membro fundador da União dos Escritores Soviéticos, foi morto em combate em 1941, quando seu filho tinha 13 anos. Embora Lev tenha descrito posteriormente o mundo em que nasceu como “o inferno de Stalin na Terra”, os Navrozov pertenciam a uma das “castas” mais privilegiadas da sociedade soviética – os intelectuais russos que, em sua maioria, conseguiam evitar as privações comuns da vida soviética.

Seu filho, Andrei, confirmou o falecimento. Ele disse que seu pai sofria da doença de Parkinson.

Em uma homenagem afetuosa, o filho de Lev, o poeta e escritor Andrei Navrozov, lembrou que seu pai “não tinha interesse em comida, bebida ou esporte, e considerava as mulheres bonitas pouco mais que uma plateia… Consequentemente, como nossos pecados são em grande parte criações da carne, ele era alheio à tentação e à transgressão”.

(Créditos autorais reservados: https://www.nytimes.com/2017/02/09/arts – New York Times/ ARTES/ Arquivos do The New York Times/ Por Richard Sandomir – 9 de fevereiro de 2017)

Uma versão deste artigo foi publicada na edição de 14 de fevereiro de 2017, Seção B, página 12, da edição de Nova York, com o título: Lev Navrozov, tradutor literário e dissidente soviético.

Um obituário publicado sobre o dissidente soviético Lev Navrozov fez referência incorreta a uma declaração publicada na revista Commentary a respeito de uma acusação que ele teria feito contra Golda Meir, ex-primeira-ministra de Israel. A declaração afirmava que o Comitê Judaico Americano, que na época publicava a Commentary, acreditava na negação da acusação por parte da Sra. Meir — e não que a própria revista a acreditasse.

© 2017 The New York Times Company
(Créditos autorais reservados: https://www.telegraph.co.uk/archives/2017/02/06 – Telegraph/ ARQUIVOS/ Lev Navrozov, dissidente russo – 6 de fevereiro de 2017)
© Telegraph Media Group Holdings Limited 2017
Lev Navrozov, o escritor judeu soviético que se representa a si mesmo em sua ação de indenização de US$ 4 milhões contra Golda Meir, foi aconselhado ontem pelo juiz Hyman Korn, da Suprema Corte Estadual de Manhattan, a contratar um advogado. A ex-primeira-ministra israelense entrou com uma ação por difamação no valor de US$ 3 milhões em julho passado contra Navrozov, o Comitê Judaico Americano (na qualidade de editor da revista Commentary) e Norman Podhoretz, editor da revista.
Navrozov escreveu na Commentary que Meir, enquanto embaixadora de Israel na União Soviética, teria sido enganada e induzida a fornecer uma lista de judeus soviéticos que posteriormente foi usada para persegui-los. O escritor, que reside em Riverdale, entrou com uma contra-ação por difamação, alegando a intenção de desacreditá-lo como acadêmico. Ontem, o juiz Korn analisou duas moções apresentadas em nome de Meir e deu a Navrozov duas semanas para apresentá-las.
(Créditos autorais reservados: https://www.nytimes.com/1976/01/28/archives – New York Times/ ARQUIVOS/ Arquivos do The New York Times/ por LAURIE JOHNSTON – 28 de janeiro de 1976)
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