Leonardo Villar, ator de novelas que eternizou Zé do Burro no cinema de ‘O Pagador de Promessas’, de Anselmo Duarte

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Ator Leonardo Villar, de novelas da Globo

Protagonista de ‘O Pagador de Promessas’, de Anselmo Duarte

 

Leonardo Villar, ator de novelas que eternizou Zé do Burro no cinema

 

O ator Leonardo Villar em cena do filme ‘O Pagador de Promessas’, que foi exibido no Festival de Cannes, na França, em 1962, onde a produção dirigida por Anselmo Duarte conquistou a Palma de Ouro. (Foto: DIREITOS RESERVADOS)

 

Intérprete protagonizou ‘O Pagador de Promessas’, único filme brasileiro a faturar prêmio máximo de Cannes

 

 

Leonardo Villar (Piracicaba, São Paulo, 25 de julho de 1923 – São Paulo, 3 de julho de 2020), ator paulista que ficou conhecido do grande público por novelas da Globo e imortalizado no papel de Zé do Burro de ‘O Pagador de Promessas’, de Anselmo Duarte.

 

Villar nasceu em Piracicaba, no interior de São Paulo, em julho de 1923, e começou a carreira no teatro na capital do estado, no final dos anos 1940. Logo passou a integrar o elenco fixo do Teatro Brasileiro de Comédia, o TBC, onde brilhou em produções como “Pedreira das Almas”, ao lado de Fernanda Montenegro, e “Um Panorama Visto da Ponte”, de Arthur Miller, pela qual ganha troféus da Associação Brasileira de Críticos Teatrais, a ABCT.

 

Villar alcançou fama global ao interpretar o Zé do Burro, personagem principal do filme ‘O Pagador de Promessas’, de Anselmo Duarte, vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cinema de Cannes em 1962.

Leonardo Villar e Glória Menezes no filme ‘O pagador de promessas’, de 1962 — (Foto: Reprodução)

Ele também interpretou Lampião em ‘Lampião, Rei do Cangaço’ (1964), de Carlos Coimbra, e Augusto Matraga, em ‘A Hora e a Vez de Augusto Matraga’ (1965), de Roberto Santos, entre diversos outros filmes. Sua entrada na televisão aconteceu na mesma época, com “A Cor de Sua Pele”, da TV Tupi – o ator fazia par romântico com a primeira protagonista de novela negra, Iolanda Braga. Nas décadas seguintes, consolidou uma carreira na televisão ao participar de diversas novelas da Tupi e da Globo.

 

Nas décadas seguintes, Villar participou de uma série de novelas, como “Barriga de Aluguel”, de 1990, “Laços de Família”, de 2000, e “Coração de Estudante”, de 2002. Seu último trabalho foi na novela ‘Passione’, exibida em 2010 e 2011 pela Globo. Então com quase 90 anos, ele se envolvia num inesperado triângulo amoroso da terceira idade ao reencontrar a personagem Aracy Balabanian, por quem tinha se apaixonado na juventude, cinco décadas depois. Também atuou em filmes como “Brava Gente Brasileira”, de Lúcia Murat, em 2000, e “Chega de Saudade”, de Laís Bodanzky, em 2007.

 

 

Leonardo Villar e Lima Duarte em ‘Os Ossos do Barão’, de 1973 — (Foto: Acervo/TV Globo)

 

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Foi no teatro, porém, que iniciou sua carreira. Leonildo Motta (seu nome de batismo) nasceu em Piracicaba, em 1923, foi aluno da Escola de Arte Dramática (EAD) da USP, onde se formou na turma de 1948, e começou na Companhia Dramática Nacional (CDN), e estreou como ator profissional sendo dirigido por Bibi Ferreira, com a peça “A Raposa e as Uvas”, e depois atuou no Teatro Brasileiro de Comédia (TBC), onde permaneceu por oito anos. Uma peça de Arthur Miller (‘Um Panorama Visto da Ponte’) e depois a de Dias Gomes, entre 1958 e 1960, alçaram seu nome ao primeiro círculo dos atores brasileiros.

Logo no começo da carreira continuou trabalhando com grandes nomes do teatro como o diretor Sérgio Cardoso em “Canção Dentro do Pão”. Ele também participou de “A Falecida”, de Nelson Rodrigues. Na televisão, Leonardo Villar fez mais de trinta novelas, como “Estúpido Cupido” (1976), “Barriga de Aluguel” (1990) , “Amazônia” (1991), “Laços de Família” (2000).

No Estadão, em uma crítica da peça de Miller em 1958, Décio de Almeida Prado escreveu: “Leonardo Villar está tão comovente e humano como em ‘Um Panorama Visto da Ponte’. Não é fácil parecer bom em cena: percebemos, com facilidade, a contrafação. Leonardo Villar não só retrata com tocante veracidade a inocência, mas o faz sem emprestar-lhe nada de edulcorado ou de piegas”.

 

É conhecido o embate entre Anselmo Duarte (galã do cinema da época) e Dias Gomes, dramaturgo de opiniões de esquerda, sobre a adaptação de ‘O Pagador de Promessas’ para o cinema. Ao comprar os direitos, Anselmo armou-se de uma cláusula, que lhe assegurava o direito de fazer mudanças no original. Dias Gomes assegurou-se de outra cláusula. Flávio Rangel teria de ser diretor assistente.

 

No limite, Anselmo fez as mudanças que julgava necessárias para tornar a história mais cinematográfica e eliminou a função do assistente. Dias Gomes leu o roteiro e achou uma m… Segundo Anselmo, acusou-o de estar estragando sua criação. A essa altura, Anselmo ligara-se ao produtor Anibal Massaini, que não estava colocando dinheiro, mas tinha know-how suficiente para fazer o projeto andar. Massaini teria lhe dito que tivesse calma, que Dias iria se amansar. O próprio Anselmo talvez tivesse se arrependido, se houvesse cedido a outra exortação do produtor. Pensando comercialmente, Massaini achava que o ator do teatro, Leonardo Villar, não teria apelo para grandes plateias. Tentou convencer Anselmo a contratar Mazzaropi para o papel, mas ele bateu pé. Seria Villar, e ninguém mais.

 

O filme foi a Cannes e brigava na competição com nomes como Michelangelo Antonioni (‘O Eclipse’), Luís Buñuel (‘O Anjo Exterminador’), Sidney Lumet (‘Longa Jornada Noite Adentro’) e Agnès Varda (‘Cléo das 5 às 7’). Depois, muita história rolou na imprensa brasileira. Criou-se um conflito de narrativas. O filme não teria vencido por suas qualidades, mas porque o júri não conseguira chegar a um consenso – mas não importa. ‘O Pagador de Promessas’ é um clássico, e o Leonardo Villar foi parte fundamental nessa história.

Aracy Balabanian e Leonardo Villar em ‘Passione’, de 2010 — (Foto: TV Globo/Renato Rocha Miranda)

 

Leonardo Villar faleceu em 3 de julho de 2020, aos 96 anos, em São Paulo. Na quinta, ele passou mal e foi levado a um hospital. Estava lúcido, apesar da idade, e se recuperava de uma cirurgia no fêmur, realizada há um mês, mas sofreu uma parada cardíaca. Por conta da pandemia, não hove velório e seu corpo foi cremado, como era desejo do ator.

(Fonte: https://www.terra.com.br/diversao/gente – DIVERSÃO / GENTE / FAMOSOS – 3 JUL 2020)

(Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2020/07 – ILUSTRADA / TELEVISÃO – 3.jul.2020)

(Fonte: https://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2020/07/03 – POP & ARTE / NOTÍCIA / Por G1 – 

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