Lázaro Brandão, ex-presidente do Bradesco, considerado um dos banqueiros mais poderosos da América Latina, iniciou a carreira na Casa Bancária Almeida & Cia.

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Ex-presidente do Bradesco

Considerado um dos banqueiros mais poderosos da América Latina, ele dedicou mais de 75 anos de sua vida ao banco que viu nascer, 36 deles no alto comando.

 

 

Lázaro Brandão (ao centro), em imagem de 2017, quando passou o comando do conselho do Bradesco para Luiz Carlos Trabuco (esq.). Na ocasião, Lazari Junior (dir.) foi anunciado como novo presidente do banco — (Foto: Darlan Alvarenga/G1)

Ex-presidente do Bradesco Lázaro de Mello Brandão deixou a presidência do Conselho de Administração há cerca de dois anos e ainda batia ponto todo dia na sede do banco

 

Executivo iniciou a carreira em 1942 na Casa Bancária Almeida & Cia., em Marília (SP)

 

 

Lázaro de Mello Brandão (Itápolis (SP), 15 de junho de 1926 – São Paulo, 16 de outubro de 2019), economista e administrador, ex-presidente do Bradesco e do conselho de administração do banco. Dedicou 76 anos de sua vida ao banco e se tornou um dos homens mais poderosos do País. Sob seu comando, o Bradesco se consolidou como o maior banco privado do Brasil, posição que só perdeu após a fusão de Itaú e Unibanco, em 2008.

Brandão era a maior referência do Bradesco e figura proeminente do mercado financeiro brasileiro nas últimas décadas.

 

Considerado um dos banqueiros mais poderosos da América Latina, foi o mais longevo do ramo no Brasil, sucedeu o fundador do Bradesco, Amador Aguiar. O executivo era considerado simples e criativo e conhecido por dedicar jornadas de 12 horas diárias iniciadas antes das 7h ao longo de seis décadas, incluindo muitos sábados.

Até pouco tempo atrás, Brandão batia ponto todo dia na sede do banco na Cidade de Deus, em Osasco. Chegava às 7h30 e ficava até um pouco mais de 5h da tarde. Em sua agenda estavam as decisões dos conselhos de administração da Fundação Bradesco e da holding que controla as empresas do banco.

 

Brandão cultivou no dia a dia uma das principais ideias de Amador Aguiar, que era que os executivos do banco fossem simples  a ponto de ser confundidos com correntistas.

 

Apesar de ser considerado cordato, ele tomou atitudes firmes em sua trajetória para defender o banco. Segundo relatos, impediu Alcides Tapias, então, vice-presidente do Bradesco, de chegar à Presidência Executiva em 1996. A versão oficial é que Tapias deixou o banco em busca de novos desafios. Nos bastidores dizia-se que Brandão não queria ser substituído por ele.

 

Mas Brandão também nomeou seus dois sucessores no cargo: Márcio Cypriano (de 1999 a 2009) e, mais recentemente, Luiz Carlos Trabuco. À frente da presidência executiva, ele cancelou o limite de 65 anos para ocupar o cargo, em benefício próprio – embora tenha reintroduzido a norma ao deixar o posto.

 

À frente de uma das maiores instituições financeiras do País, passou pelo período de hiperinflação do governo José Sarney, presenciou a abertura da economia e o impeachment de Fernando Collor de Mello e a estabilização da moeda.

 

Brandão assumiu a presidência do Bradesco em janeiro de 1981, sucedendo ao banqueiro Amador Aguiar, fundador do Bradesco e morto em 1991. Deixou o cargo em março de 1999.

 

No início dos anos 1990, também passou a acumular a presidência do conselho de administração do banco. Ao todo, Brandão ficou mais de sete décadas no banco. Saiu da função em 2017, função que passou a ser exercida por Luiz Carlos Trabuco Cappi. Trabuco passou a presidência executiva para Octávio De Lazari Júnior.

 

Nascido em Itápolis (SP), Brandão começou como escriturário ainda na Casa Bancária Irmãos Almeida, em 1942, antes mesmo de Amador Aguiar, fundador do Bradesco. Um ano depois, a instituição foi comprada pelo Bradesco.

 

 

 

 

Trajetória

Filho de José Porfírio Bueno Brandão e Anna Helena Mello, Lázaro Brandão nasceu em 15 de junho de 1926 em Itápolis, interior paulista. Passou a infância, junto aos cinco irmãos, no meio rural.

De origem humilde, vivendo em pacata cidade do interior, visava alcançar sustentabilidade própria, contam os professores Celso Castro e Sérgio Praça, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), que entrevistaram Brandão e escreveram sua biografia.

De uma entrevista, concedida em 2016, surgiu o livro “Senda de um executivo financeiro”, no qual Brandão deu detalhes de sua trajetória pessoal, que se funde à profissional, dado o tempo de dedicação ao banco que viu nascer.

Foi no começo da adolescência que Brandão estabeleceu como meta de vida atuar no ramo bancário. “A atividade bancária me fascinava”, afirmou. Em seu relato aos professores da FGV, confidenciou que sonhava trabalhar no Banco do Brasil. Seu principal anseio era “estabilidade e respeito na sociedade”.

O então presidente do Conselho de Administração do Bradesco, Lázaro de Mello Brandão, durante anúncio sobre a integração das atividades desenvolvida pelas Odontoprev e pelo Grupo Bradesco, em outubro de 2009 — (Foto: Jonne Roriz/Estadão Conteúdo)

 

De escriturário a presidente

Enquanto se dedicava aos estudos com foco no concurso do Banco do Brasil, foi convidado a ingressar na Casa Bancária Almeida & Cia. Foi contratado como escriturário, tendo sua carteira assinada em 1º de setembro de 1942, na cidade de Marília (SP). No ano seguinte, a pequena casa bancária se transformou no Banco Brasileiro de Descontos S.A., cuja sigla era Bradesco.

Degrau por degrau, Brandão passou por todas as áreas do banco fundado pelo mítico bancário Amador Aguiar. A cada escalada, Brandão foi assumindo cargos de gestão. Em 1963, 21 anos após sua contratação, foi nomeado diretor. Passados 14 anos, já em 1977, assumiu a vice-presidência. Amador Aguiar, que já tinha 73 anos de idade, apostava em Brandão como seu sucessor.

A ascensão ao cargo máximo do banco ocorreu em apenas quatro anos. Em 1981, Amador Aguiar passou a Brandão a presidência executiva do Bradesco. Em 1990, transferiu ao seu pupilo a responsabilidade de comandar, também, o Conselho de Administração do banco.

Amador Aguiar morreu em 1991. Brandão acumulou então os dois cargos de presidente – executivo e do Conselho – até 1999. Deixou a presidência executiva, que foi transferida a Márcio Cypriano, que exerceu o cargo por 10 anos.

Lázaro Brandão, então presidente do conselho administrativo do Bradesco, e Henrique Meirelles, então presidente do Banco Central, durante entrega do Prêmio Qualidade de Banco do ano de 2007, da Revista Banco Hoje, realizado na Bovespa. — (Foto: Márcio Fernandes/Estadão Conteúdo)

 

 

Nos últimos anos, o Bradesco vinha colocando à prova sua cultura de gestão conservadora num ambiente de ebulição para o mercado bancário brasileiro, com o crescimento dos bancos digitais, das fintechs e das gestoras independentes. Conseguiu sair na frente em algumas áreas. No final de 2017, lançou o seu próprio banco digital, o Next, com operação separada da original. Foi também o primeiro a adotar a biometria nos caixas eletrônicos e o depósito instantâneo, sem envelopes, nas máquinas de auto-atendimento. Nos últimos dois anos, o banco está sob o comando do presidente Octavio de Lazari Junior, que, como seus dois antecessores, começou no Bradesco ainda adolescente e foi subindo degrau por degrau na carreira.

 

 

Além da maior concorrência com instituições financeiras digitais, os grandes bancos brasileiros tradicionais também estão precisando lidar com juros em queda, que tendem a pressionar a receita e a rentabilidade. A taxa Selic, referência do país, foi cortada em setembro em 05, ponto percentual para 5,5% ao ano, a menor da história.

 

 

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Brandão ajudou a fazer do Bradesco um gigante sob medida para o Brasil dos últimos 60 anos. Construiu uma enorme e eficiente rede de 48.879 agências e postos de atendimento país afora. Agora, seus sucessores têm o desafio de construir uma instituição que dê respostas para um novo Brasil, em que as demandas dos clientes podem tanto estar atrás das portas giratórias quanto, principalmente, na tela dos smartphones.

 

 

Trabalho ininterrupto

Em 2016, ao completar nove décadas de vida, 74 anos de Bradesco e 35 no alto comando do banco, afirmou que aposentar-se era uma necessidade iminente, mas um desejo longínquo. Tinha satisfação com o trabalho, afirmava.

Em outubro de 2017, Brandão renunciou à presidência do Conselho do Bradesco, que ocupava desde 1990 e das demais funções que exercia nas empresas controladas pelo banco. Ele manteve contudo a presidência dos conselhos das controladoras do grupo, entre elas a Fundação Bradesco e a BBD Participações.

Brandão contou a jornalistas que ele próprio tomou a iniciativa de convocar o conselho e propor sua renúncia. “A necessidade de um conselho ativo me trouxe a consciência de que a sucessão por novas disposições para o trabalho que preservamos era prudente”.

Nonagenário, trabalhava, no mínimo, oito horas diárias. “Até para a saúde é melhor”, afirmava em relação ao trabalho, que tratava como lazer. Dizia que pagava para não viajar, a não ser para participar de eventos do banco.

Brandão continuou a receber políticos em busca de avaliações sobre o futuro do país e também apoio eleitoral.

 

Lázaro de Mello Brandão faleceu em 16 de outubro de 2019, aos 93 anos, no Hospital Edmundo Vasconcelos, em São Paulo, recuperando-se de uma cirurgia.

 

‘Legado inestimável’

 

O presidente do Santander Brasil, Sergio Rial, lamentou, em nota, a morte de Brandão. O executivo destacou o “legado inestimável” deixado por seu Brandão e o fato de ele ter construído uma das culturas mais sólidas de um grupo corporativo no Brasil.

 

“O banqueiro Lázaro Brandão foi um dos pilares na construção de uma organização contemporânea e à frente do seu tempo. Pensava em tecnologia e clientes muito antes”, diz a nota.

 

 

 

Leia a íntegra da nota do Bradesco

O banco divulgou o seguinte comunicado, assinado por Luiz Carlos Trabuco Cappi, presidente do Conselho de Administração:

“Com imenso sentimento de pesar, o Banco Bradesco S.A. (“Bradesco”) comunica aos seus acionistas, clientes e ao mercado em geral o falecimento, nesta data, do senhor Lázaro de Mello Brandão, Presidente das suas holdings.

Nascido em Itápolis, SP, tinha 93 anos, era economista e deixou esposa, duas filhas e um neto.

Iniciou sua atividade profissional em 1942, na cidade de Marília, como escriturário na então Casa Bancária Almeida & Cia., que se transformou, em 1943, no Bradesco. Em 1945, transferiu-se para a Capital do Estado, no centro bancário. Em 1953, fixou-se na atual sede administrativa, em Osasco, na batizada Cidade de Deus. Dedicou-se ao longo dessa jornada às mais variadas funções, tendo se empenhado nas reestruturações administrativas. Galgou a escala ascendente da hierarquia e em 1963 passou a compor a Diretoria Executiva.

Em 1981, assumiu a Presidência Executiva e, em 1982, a Vice-Presidência do Conselho de Administração, passando à Presidência do Órgão em fevereiro de 1990, renunciando em 10 de outubro de 2017. Permaneceu como Presidente das empresas controladoras do Bradesco. Em ambos os cargos, sucedeu ao mítico Amador Aguiar.

Homem de visão de futuro e inesgotável capacidade de trabalho, foi uma personalidade marcante, que influenciou a todos que com ele conviveram. Será sempre lembrado pelo talento, honradez e capacidade empreendedora.

Perde o sistema financeiro um dos mais ilustres e tradicionais representantes, que sempre soube guiar-nos pelos elevados ideais de honestidade, coerência profissional e dedicação. As lições que deixou certamente continuarão a influenciar positivamente as atuais e futuras gerações.

Nesse momento de dor, a Organização Bradesco leva aos familiares do querido Brandão o seu abraço solidário, desejando que Deus o receba no esplendor de Sua Glória.

Para a Família Bradesco, foi uma honra trabalhar, conviver e ser inspirada por esse ícone e grande líder, cuja ausência será muito sentida.”

(Fonte: https://g1.globo.com/economia/noticia/2019/10/16 – ECONOMIA / NOTÍCIA / Por G1 – 16/10/2019)

(Fonte: https://economia.estadao.com.br/noticias/geral – NOTÍCIAS / GERAL / Economia / Economia & Negócios / Por Aline Bronzati, O Estado de S.Paulo – 16 de outubro de 2019)

(Fonte: https://exame.abril.com.br/negocios – NEGÓCIOS / Por Da Redação – 16 out 2019)

(Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2019/10 – MERCADO – 16.out.2019)

(Fonte: Zero Hora – ANO 56 – N° 19.532 – 17 de OUTUBRO de 2019 – TRIBUTO / MEMÓRIA – Pág: 31)

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