Lançou a primeira revista em quadrinhos brasileira feita por um só autor

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Ziraldo Alves Pinto nasceu em 24 de outubro de 1932, em Caratinga, Minas Gerais. O cartunista, que está no imaginário popular por causa da obra “O Menino Maluquinho”, também é jornalista, teatrólogo, chargista, ator, escritor e “colecionador de piadas”.

Ziraldo começou sua carreira nos anos 50 em publicações como o Jornal do Brasil, O Cruzeiro, Folha de Minas e outros, mas ficou famoso nos anos 60, com o lançamento da primeira revista em quadrinhos brasileira feita por um só autor, A Turma do Pererê. Além disso, foi um dos idealizadores de O Pasquim (1964-1984), jornal que tratava questões sérias do Brasil com pitadas irreverentes de humor. 

O cartunista é o mais velho de uma família de sete irmãos. Seu nome, segundo perfil do autor pela editora Educacional, vem da combinação dos nomes de sua mãe, Zizinha, com o de seu pai, Geraldo. Assim surgiu o Zi-raldo, um nome único.

Ziraldo passou a infância em Caratinga (MG), onde cursou o Grupo Escolar Princesa Isabel. Segundo perfil da editora Educacional, em 1949, foi com o avô para o Rio de Janeiro, onde cursou dois anos no MABE (Moderna Associação de Ensino). Em 1950 voltou para Caratinga para fazer o Tiro de Guerra. Terminou o Científico no Colégio Nossa Senhora das Graças. Em 1957, formou-se em Direito na Faculdade de Direito de Minas Gerais, em Belo Horizonte.

Quando criança, Ziraldo desenhava em todos os lugares – na calçada, nas paredes, na sala de aula. Já nessa época, o cartunista descobriu a leitura. Monteiro Lobato (1882-1948), Viriato Correa (1884-1967) e Clemente Luz (1920-1999), além de todas as revistas em quadrinhos, já o fascinavam.

Anos 60 – Ziraldo fez cartazes para inúmeros filmes do cinema brasileiro, como “Os Fuzis” (1964), “Os Cafajestes” (1962), “Selva Trágica” (1963), “Os Mendigos” e outros.

Anos 60 – Cartuns e charges políticas de Ziraldo começaram a aparecer na revista O Cruzeiro e no Jornal do Brasil. Foi nessa época que o público conheceu personagens como Jeremias, o Bom, a Supermãe e o Mineirinho.

Anos 60 – Ziraldo realiza um sonho de infância e se torna autor de histórias em quadrinhos. O cartunista lançou A Turma do Pererê, primeira revista do gênero no Brasil. A publicação foi interrompida em 1964, com a tomada do poder pelos militares, No final dos anos 70, a revista voltou às bancas, editada pela Editora Abril.

Anos 60 – Heucy Miranda, João Barbosa e Paulo Abreu, são a equipe que, com Ziraldo, criou o “Pererê” da primeira fase.

Anos 60 – No período da ditadura, Ziraldo fez trabalhos de resistência a repressão. Com amigos, fundou o mais importante jornal não-conformista da história da imprensa brasileira, O Pasquim (1964-1984). A formação original da publicação: Millôr Fernandes (1923-2012), Jaguar, Ziraldo, Paulo Francis (1930-1997) e Sérgio Augusto.

Anos 60 – Ziraldo chegou a ser preso durante a ditadura militar. O cartunista foi detido depois de ajudar amigos a se esconderem. Um dia depois da edição do AI-5 (1968), o pai do Menino Maluquinho foi preso em sua residência e levado para o Forte de Copacabana por ser considerado um elemento perigoso. No mesmo ano, Ziraldo teve reconhecimento internacional com a publicação de suas produções na revista Graphis.

Outras publicações, como a Penthouse e Private Eye, da Inglaterra, Plexus e Planète, da França, e Mad, dos Estados Unidos, deram destaque ao autor. Em 69, Ziraldo ganhou o Oscar Internacional de Humor no 32º Salão Internacional de Caricaturas de Bruxelas e o Merghantealler, prêmio máximo da imprensa livre da América Latina, patrocinado pela Associação Internacional de Imprensa e recebido em Caracas, na Venezuela.

Em 1969 – Ziraldo lançou o livro “FLICTS”, a obra foi traduzida para diversos idiomas. Segundo perfil do cartunista pela Editora Educacional, a embaixada dos Estados Unidos no Brasil presenteou com um exemplar desse livro os astronautas americanos que pisaram na Lua pela primeira vez quando estes visitaram o Brasil. Neil Armstrong (1930-2012), um deles, leu o livro e, comovido, escreveu ao autor: “The moon is FLICTS” (“A lua é FLICTS”). O livro também foi enrede de escola de samba em Minas Gerais. Em 2004, com a obra, Ziraldo ganhou o prêmio internacional Hans Christian Andersen.

Anos 70 – Ziraldo publicou seus desenhos em revistas internacional, como Vision, Playboy e GQ (Gentlemen’s Quaterly). Alguns foram selecionados para fazer parte do acervo do Museu da Caricatura de Basiléia, na Suíça.

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Em 1980 – Ziraldo foi consagrado como autor infantil ao lançar “O Menino Maluquinho” na Bienal do Livro de São Paulo. Sucesso editorial, a obra ganhou o Prêmio Jabuti da Câmara Brasileira do Livro e foi adaptada para o teatro, o cinema e para a web e teve uma versão para ópera infantil, feita pelo maestro Ernani Aguiar. Em 1989, começaram a ser publicadas a revista e as tirinhas em quadrinhos esse personagem.

Em 1982 – Dirigido por Maurício Sherman, Ziraldo comandou o programa “Etc”, na TV Bandeirantes. A atração durou apenas um ano, mas fez história com a primeira longa entrevista de Dom Hélder Câmara (1909-1999) sobre a ditadura.

Em 1995 – O cineasta Helvécio Ratton levou “O Menino Maluquinho”, de Ziraldo, para o cinema. O personagem foi interpretado pelo ator Samuel Costa.

Em 1999 – Com grandes escritores, analistas políticos e cartunistas, muitos revelados no O Pasquim, Ziraldo criou a revista Bundas, que foi uma resposta bem-humorada à ostentação dos famosos que semanalmente aparecem na revista Caras. Fundou também a Palavra, que divulgava e discutia a arte que se faz longe do eixo Rio-São Paulo.

2002 – Com o fim da revista Bundas, Ziraldo lançou O Pasquim21, que também tratava de humor e opinião.

Em 4 de abril de 2008 – A Comissão de Anistia do Ministério da Justiça decidiu conceder indenizações a 20 jornalistas perseguidos por forças de repressão no Brasil, entre eles os cartunistas Ziraldo e Jaguar. A primeira sessão especial de julgamento de pedidos de indenização de perseguidos políticos pelo critério de categorias específicas foi realizada na sede da Associação Brasileira de Imprensa, no Rio de Janeiro. As maiores indenizações foram concedidas aos cartunistas Jaguar (R$ 1.027. 383, 29) e Ziraldo (R$ 1.253.000,24).

Em 2004 – Ao contrário de Ziraldo, Millôr Fernandes (1923-2012) não quis indenização por perseguição na época da ditadura. “Quer dizer que aquilo não era ideologia, era investimento?”. Na época, Ziraldo respondeu: “Eu quero que morra quem está me criticando. Porque é tudo cagão e não botou o dedo na seringa. Enquanto eu estava xingando o Figueiredo e fazendo charge contra todo mundo, eles estavam servindo à ditadura e tomando cafezinho com o Golbery [do Couto e Silva, general]. Então, qualquer crítica que se fizer em relação ao que está acontecendo conosco eu estou me lixando”.

Em 2010 – Ziraldo assinou o roteiro do filme “Uma Professora muito Maluquinha”, estrelado por Paola Oliveira.

Em 2011 – Ziraldo foi condenado a dois anos, dois meses e 20 dias de prisão, pelo crime de estelionato. A Justiça Federal do Paraná condenou o artista pelo registro indevido da marca do Festival Internacional do Humor de Foz do Iguaçu, realizado em 2003. A pena do cartunista foi fixada em dois anos, dois meses e 20 dias de reclusão, além do pagamento de multa de R$ 87.360 e prestação de serviço à comunidade.

Em 1º de março de 2013 – Em sentença da Justiça Federal do Paraná emitida na tarde de quarta (27), o cartunista Ziraldo foi condenado a dividir a devolução de R$ 290 mil usados na organização do 3º Festival Internacional de Humor Gráfico das Cataratas do Iguaçu, realizado em 2005, no Paraná. Considerado um caso de improbidade administrativa, também conhecido como desonestidade na administração, Ziraldo está proibido de assinar contrato ou receber benefícios do poder público por cinco anos, e também teve seus direitos políticos suspensos por oito anos.

 

(Fonte: http://zip.net/bcp0tK)

(Fonte: http://noticias.bol.uol.com.br/fotos/entretenimento/2014/10/10/trajetoria do cartunista ziraldo – Leticia Moreira/Folhapress – 24.out.2014)

 

 

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