Lady Francisco, atriz popular no cinema e televisão, atuou nas novelas “Cuca Legal” (1975), como Berta Lamar, e esteve na primeira versão de “Pecado Capital” (1975)

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Lady Francisco, atriz popular no cinema e televisão

 

 

 

Leyde Chuquer Volla Borelli Francisco de Bourbon (Belo Horizonte, em 7 de janeiro de 1935 – Barra da Tijuca, Rio de Janeiro, 25 de maio de 2019), atriz, produtora e diretora, Lady Francisco construiu uma carreira sólida, tanto na TV – mais de 20 novelas – quanto no cinema – 25 filmes, vários deles pornochanchadas, o que lhe rendeu o status de símbolo sexual. Era uma atriz reconhecida pelo público, por vários papeis de apelo popular, geralmente mulheres despachadas, sensuais, fogosas e/ou divertidas. Fácil para uma atriz carismática que sempre chamou a atenção pela beleza.

 

 

A artista nasceu Leyde Chuquer Volla Borelli Francisco de Bourbon, em Belo Horizonte. Ela iniciou sua carreira na televisão nos anos 1970, chegando a uma longa carreira, de mais quase 50 anos. Sua primeira aparição na telinha foi na extinta TV Tupi, na novela “Jerônimo, o Herói do Sertão”. Entre seus trabalhos, atuou nas novelas “Cuca Legal” (1975), como Berta Lamar, e esteve na primeira versão de “Pecado Capital” (1975). Integrou o elenco de “Escrava Isaura” (1976), “O Feijão e o Sonho” (1976), “Locomotivas”, em 1977, “O Pulo do Gato”, em 1978, e “Glacê”, em 1979.

 

 

Lady Francisco era o nome artístico de Leyde Chuquer Volla Borelli Francisco de Bourbon, nascida em Belo Horizonte, em 7 de janeiro de 1935. A carreira artística começou em BH, no rádio e na TV Itacolomi. Foi revelação artística da Escola Mineira de Artes Dramáticas, inaugurou a TV Itacolomi, ao lado de Juscelino Kubitschek, e recebeu na época o prêmio Ary Barroso de melhor atriz de televisão.

 

 

Com Lima Duarte no filme “O Crime do Zé Bigorna” | Cartaz do filme “O Roubo das Calcinhas”

 

 

Lady mudou-se para o Rio de Janeiro no início da década de 1970. A primeira novela foi “Jerônimo, o Herói do Sertão”, exibida entre 1972 e 1973, pela TV Tupi. Nesta época, atuou em seu primeiro filme, “Uma Varão Entre as Mulheres”, de Victor di Melo, lançado em 1974.

 

 

 

Em 1975, Lady Francisco apareceu em cinco pornochanchadas, com destaque para “As Loucuras de um Sedutor”, de Alcino Diniz; “O Roubo das Calcinhas”, de Sindoval Aguiar e Braz Chediak; e “Com as Calças na Mão”, de Carlos Mossy. O ano de 1975 foi também o da estreia da atriz na TV Globo, na novela “Cuca Legal”. Em seguida, foi escalada para viver Ninon, em “Roque Santeiro”, a dançarina seduzida pelo lobisomem. Porém, a novela foi censurada na noite de sua estreia. A atriz (como todo o elenco) acabou reaproveitada na produção seguinte, “Pecado Capital”, de Janete Clair, na qual ganhou um papel de destaque, Rose, a simplória e apaixonada secretária do protagonista Carlão (Francisco Cuoco).

 

 

 

Com José Lewgoy na novela “Louco Amor” | Com Nuno Leal Maia na novela “O Amor Está no Ar” (foto: divulgação/TV Globo)

 

 

Em 1977, Lady Francisco foi vista em dois filmes conhecidos: o clássico “Lúcio Flávio, o Passageiro da Agonia”, de Hector Babenco, vivendo a ambígua Lígia; e “O Crime do Zé Bigorna”, de Anselmo Duarte, adaptação do caso especial de Lauro César Muniz exibido na Globo, como Marlene, amante de um político assassinada no início da história, papel pelo qual ganhou o prêmio Candango de melhor atriz no Festival de Brasília.

 

 

Paralelamente à carreira no cinema, Lady era chamada para as novelas de televisão. Até o final da década de 1970, atuou em mais seis filmes. Também em seis novelas: “O Feijão e o Sonho”, “Escrava Isaura” (como Juliana, a escrava-mãe da protagonista), “Locomotivas”, “O Pulo do Gato”, “Pecado Rasgado” e “Marron-Glacé”. Entre 1980 e 1982, Lady Francisco fez parte do elenco do humorístico “Os Trapalhões”. Em 1981, atuou na novela “Baila Comigo”, reprisada até pouco tempo no canal Viva, no papel de Ondina, atendente na cantina da academia de ginástica.

 

 

Nos filmes “Punk, os Filhos da Noite” e “Os Rapazes das Calçadas”

 

 

Entre 1981 e 1982, mais quatro filmes de pornochanchada, destacando-se em “Os Rapazes das Calçadas”, de Levi Salgado, em que se travestiu de homem; “Anjos do Sexo”, também de Levi Salgado, no qual, além de atriz, foi codiretora; e “Profissão Mulheres”, de Cláudio Cunha, como uma carente e complexada solteirona. A parceria com Levi Salgado continuou em “Punk, os Filhos da Noite” (1983), “O Verdadeiro Amante Sexual” (1985) e “Sexo Selvagem dos Filhos da Noite” (1986).

 

 

Em 1983, Lady Francisco viveu o seu papel mais conhecido na televisão: a ingênua manicure Gisela na novela “Louco Amor”, de Gilberto Braga, formando uma memorável dupla com José Lewgoy. Em 1984, foi vista na novela “Transas e Caretas”, de Lauro César Muniz. Também em 1984, Lady participou do filme “Aguenta Coração”, de Reginaldo Faria. Após este, a atriz seguiu sua carreira no cinema com mais seis filmes, três nos anos 80 e três nesta década de 2010. O último é o drama indígena “Goitaca”, de Rodrigo Rodrigues, com previsão de lançamento para agosto deste ano.

 

 

 

Com Cláudia Abreu em duas novelas: “Barriga de Aluguel” e “Cheias de Charme” (foto: divulgação/TV Globo)

 

 

 

Em 1990, outro papel de destaque na televisão: Yara, na novela “Barriga de Aluguel”, de Glória Perez, a ex-prostituta que acolhe a protagonista Clara (Cláudia Abreu), a mãe de aluguel da história. Foi vista ainda no elenco fixo das novelas “Explode Coração” (1995-1996), como a cigana Carmem, “O Amor Está no Ar” (1997), como Candê, e “Alma Gêmea” (2005), como Dona Generosa.

 

 

Seus últimos trabalhos em televisão foram pequenas participações, em novelas como “Duas Caras” (2007-2008), “Chamas da Vida” (2008-2009), “Cheias de Charme” (2012), “Saramandaia” (2013), “Geração Brasil” (2014) e “Totalmente Demais” (2015-2016). A última aparição na TV foi neste ano, em “Malhação, Vidas Brasileiras”.

 

 

 

Na novela “Alma Gêmea” e na capa do disco “A Moça do Fuscão”

 

 

Lady Francisco gravou um disco, em 1983, com duas músicas: o compacto simples “A Moça do Fuscão”, pegando carona no “Fuscão Preto”, sucesso do cantor Almir Rogério. A atriz também tinha o projeto de um filme sobre sua vida, intitulado “De boate de quinta a palcos reluzentes”, baseado em sua autobiografia, “Nunca Fui Santa”, lançada em 2004.

 

 

Em abril de 2017, em uma polêmica entrevista ao blog de Paulo Sampaio (do UOL Universa), Lady Francisco revelou ter sido estuprada em duas ocasiões: a primeira por um famoso diretor da Globo, e a segunda por quatro marginais – o que gerou uma gestação que foi abortada.

 

Lady Francisco faleceu em 25 de maio, aos 84 anos. Ela estava internada na UTI do Hospital Unimed-Rio, na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro, desde o dia 28/04, em decorrência de complicações apresentadas no pós-operatório de uma correção de fratura de fêmur. Lady passeava com seus cachorros quando caiu e fraturou o fêmur. Nos últimos dias, houve piora em seu quadro. A atriz veio a falecer, neste sábado, às 13h10, por falência de múltiplos órgãos, decorrente de isquemia enteromesentérica (transtorno vascular agudo dos intestinos).

(Fonte: https://tvefamosos.uol.com.br/blog/nilsonxavier/2019/05/25 – TV e Famosos / Por Nilson Xavier – 25/05/2019)

SOBRE O AUTOR

Nilson Xavier é catarinense e mora em São Paulo. Desde pequeno, um fã de televisão: aos 10 anos já catalogava de forma sistemática tudo o que assistia, inclusive as novelas. Pesquisar elencos e curiosidades sobre esse universo tornou-se um hobby. Com a Internet, seus registros novelísticos migraram para a rede: em 2000 lançou o site Teledramaturgia (http://www.teledramaturgia.com.br/), cujo sucesso o levou a publicar o Almanaque da Telenovela Brasileira, em 2007.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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