Julio César Strassera, promotor responsável pela condenação dos líderes da ditadura militar argentina e conhecido pela frase “Nunca mais”

0

Julio César Strassera, promotor do julgamento que condenou chefes da ditadura argentina

Autor da célebre frase ‘Nunca mais’

Ex-promotor Julio César Strassera em janeiro de 2015 durante ato de solidariedade às vítimas dos atentados no Charlie Hebdo, na Argentina. – (Rodrigo Abd / AP Photo)

Promotor do histórico julgamento dos chefes da ditadura argentina

 

Mauricio Macri, Julio César Strassera e Amadeo Carrizo (Foto: Wikimedia Commons / Reprodução)

 

Julio César Strassera foi quem conseguiu a prisão perpétua de Jorge Videla, Emilio Massera e Orlando Agosti

 

Julio César Strassera foi quem conseguiu a prisão perpétua de Jorge Videla, Emilio Massera e Orlando Agosti (Foto: Editor80 / Reprodução)

 

Julio César Strassera (Buenos Aires, 18 de setembro de 1933 – Buenos Aires, 27 de fevereiro de 2015), ex-funcionário judicial, promotor responsável pela condenação dos líderes da ditadura militar argentina e conhecido pela frase “Nunca mais”.

Sua frase se tornou um símbolo da retomada democrática na Argentina e até hoje o promotor é lembrado pelo seu trabalho durante o julgamento de 1985 contra os responsáveis pela repressão ilegal que deixou pelo menos 13 mil desaparecidos, segundo fontes oficiais. Ele fez um discurso de acusação apaixonado que se tornou um marco na luta pela democracia.

— Senhores juízes… Quero utilizar uma frase que não me pertence, porque pertence a todo o povo argentino. Senhores juízes: nunca mais — disse Strassera no tribunal, ao pedir que os crimes da ditadura de 1976 até 1983 não se repitam.

Julio César Strassera, á direita, junto com o deputado Luis Moreno Campo durante o julgamento de ex-líderes militares argentinos em 13 de setembro de 1985. – (Foto: STR / AFP Photo)

Strassera, foi o promotor do julgamento, que aconteceu em 1985, dos comandantes da última ditadura argentina (1976-1983),

Julio César Strassera, foi o promotor do histórico julgamento de 1985 dos comandantes da última ditadura argentina (1976-1983) que condenou à prisão perpétua os ex-líderes Jorge Videla e Emilio Massera, entre outros, em um julgamento que foi comparado com as sentenças dos chefes nazistas depois da II Guerra Mundial, Strassera conseguiu com sua acusação levar à prisão Videla, Massera, o brigadeiro Orlando Agosti e o general Roberto Viola. Outros cinco acusados foram absolvidos neste primeiro caso.

“Senhores juízes, nunca mais”, declarou o fiscal no fim de sua histórica argumentação em um julgamento oral realizado durante a retomada da democracia, em meio à fragilidade das instituições e quando a sociedade ainda estava abalada pelo medo de represálias.

O julgamento foi aberto por um decreto do falecido ex-presidente Raúl Alfonsín, um de seus primeiros atos de governo quando assumiu, em 1983.

O histórico processo judicial aconteceu quase um ano depois da restauração da democracia, em 1983. Os repressores, condenados a diferentes penas de prisão, foram os ex-presidentes Jorge Rafael Videla e Roberto Viola, entre outros líderes integrantes das juntas militares que governaram a Argentina com mão de ferro, como Emilio Massera.

O processo teve grande repercussão internacional, principalmente na América Latina, onde outros países tiveram ditaduras militares.

Sua frase “Nunca mais” foi cunhada pelo falecido escritor Ernesto Sabato (1911-2011) no relatório, convertido posteriormente em livro, que recolheu os testemunhos de sobreviventes dos crimes da ditadura que deixou 30.000 desaparecidos, segundo organismos humanitários.

Videla morreu em uma prisão comum em 2013, depois de ter sido novamente condenado pelo roubo de bebês e troca de suas identidades, entre outras acusações por crimes contra a humanidade.

“Foi um julgamento que nunca teríamos imaginado quando vivíamos a ditadura”, disse Nora Cortiñas, integrante da organização humanitária Mães da Praça de Maio, lembrando que elas foram proibidas de presenciar o processo com seus emblemáticos lenços brancos na cabeça, símbolo da luta pela busca de seus filhos desaparecidos.

Cortiñas lamentou que o caminho para condenar os culpados pelos crimes da ditadura “tenha terminado frustrado por uma claudicação de Alfonsín com as posteriores leis de anistia” que encerraram os processos até 2005, quando a Suprema Corte de Justiça as declarou nulas e permitiu a reabertura de dezenas de julgamentos, muitos ainda em andamento.

“Vimos que havia vontade de punição aos genocidas, aos responsáveis pelo horror total, do roubo de crianças”, disse a líder humanitária.

León Arslanián, ex-juiz integrante do tribunal no julgamento às juntas militares, destacou o “papel magistral que Strassera teve como acusador”.

“Sua morte causa angústia em todos os que viram a importância desta etapa fundacional para o país”, disse o canal TN.

Arslanian lembrou que o processo de 1985 foi realizado em uma etapa “nada havia sido feito, o poder militar estava intacto e havia um temor social muito forte de que a revisão do passado trouxesse consequências”.

“Foi um ‘Nunca mais’ aos crimes chocantes do Estado, mas também um nunca mais ao golpe na Argentina. Esse é o grande legado de Strassera”, concluiu.

Ricardo Gil Lavedra, outro dos juízes que integrou o tribunal e assinou a sentença, disse que o promotor encarnou “o símbolo da justiça no retorno à democracia”.

Gil Lavedra lembrou que Strassera “forneceu as provas para acreditar os fatos e conduziu as audiências orais e públicas que mostraram o horror com a revelação das ações macabras que (o regime militar) praticava para submeter a população” na ditadura.

Strassera morreu em 27 de fevereiro de 2015, aos 81 anos vítima de uma doença respiratória.

Strassera sofria uma insuficiência respiratória aguda que o levou a ser hospitalizado na clínica San Camilo da capital, onde sua morte foi registrada, confirmou à AFP o chefe da unidade de terapia intensiva, Mario Kenar.

Logo que a notícia da morte do promotor foi divulgada, as redes sociais na Argentina se encheram de mensagens de políticos, líderes comunitários e de direitos humanos que manifestaram tristeza pela morte do promotor.

“É um dia muito triste, morreu um homem justo. Descanse em paz, Julio César Strassera”, publicou no Twitter o deputado Ricardo Alfonsín, filho do presidente Raúl Alfonsín, cujo mandato começou em 1983.

(Fonte: https://oglobo.globo.com/mundo – MUNDO / BUENOS AIRES — 27 de fev de 2015)

(Fonte: https://oglobo.globo.com/mundo – MUNDO / por O Globo / Com agências internacionais – 27/02/2015)

(Fonte: https://www.terra.com.br/noticias/mundo/america-latina – NOTÍCIAS – MUNDO – AMÉRICA LATINA – 27 FEV 2015)

Share.