José Ramos Tinhorão, foi um dos pilares da crítica musical brasileira, publicou dezenas de livros sobre música brasileira e portuguesa

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José Ramos Tinhorão, pesquisador e crítico musical

 

Sagaz e polêmico, Tinhorão foi um dos mais importantes críticos e historiadores da música popular brasileira.

 

 

O jornalista crítico musical José Ramos Tinhorão, autor do livro “A Música Popular do Romance”, durante entrevista, em São Paulo, em setembro de 2000 — (Foto: Mônica Zarattini/Estadão Conteúdo/Arquivo)

 

José Ramos Tinhorão (Santos (SP), 7 de fevereiro de 1928 – 3 de agosto de 2021), pesquisador e crítico musical.

 

O pesquisador musical é considerado um dos maiores historiadores da música brasileira e tem mais de 25 livros publicados, como “História Social da Música Popular Brasileira”, “As Origens da Canção Urbana” e “A Música Popular no Romance Brasileiro”.

 

Repórter e crítico de música sagaz, ele produziu matérias e pesquisadas que ajudam a entender e conceituar o que foi produzido nas últimas décadas.

Exigente e polêmico, Tinhorão teve atritos com a turma da Bossa Nova e do Tropicalismo ao menosprezar os movimentos com o argumento de que aquilo não era realmente brasileiro, segundo ele.

“A Bossa Nova tem ritmo de goteira e é puro jazz pasteurizado”, afirmou o pesquisador em um debate que participou na Flip de 2015.

Ele também se referiu a Tom Jobim como “um coitado” e disse que a música popular brasileira sempre fracassou no exterior.

Tinhorão foi um dos pilares da crítica musical brasileira, e era tido como um dos mais temidos analistas da música. Seus comentários ferinos não pouparam nem mesmo Tom Jobim: em 2015, durante um debate na Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), ele afirmou ter “pena” de Jobim. “Ele tinha um equívoco fundamental: Achava que compunha música brasileira.” Ainda no mesmo evento, Tinhorão afirmou que “a bossa nova era o jazz pasteurizado”.

 

O crítico não poupava nem mesmo ritmos e artistas consagrados como o iê-iê-iê, Roberto Carlos e Chico Buarque.

 

Natural de Santos (SP), José Ramos foi morar no Rio de Janeiro ainda criança e se formou em Direito e Jornalismo. Ele começou a atuar em veículos de comunicação no começo dos anos 50.

Tinhorão foi pesquisador, publicou dezenas de livros sobre música brasileira e portuguesa e chegou a reunir um acervo com mais de 13 mil discos, 14 mil livros e 35 mil documentos sobre música e cultura. Seu acervo foi comprado em 2001 pelo Instituto Moreira Salles, que chegou a fazer uma exposição a respeito.

Tinhorão, nome de um planta venenosa, era um apelido entre os colegas de redação no Diário Carioca e passou a ser usado quando o chefe de redação, Pompeu de Souza, acrescentou na assinatura da sua primeira matéria publicada.

A imersão na pesquisa da música popular brasileira começou em 1960, quando foi convidado para escrever sobre samba em uma série do Caderno B, suplemento do Jornal do Brasil.

Fez entrevistas com Ismael Silva, Donga, Pixinguinha, entre outros nomes relevantes da cena musical, mas que ainda não tinham a história registrada.

Alguns desses artigos estão em “Música popular: um tema em debate”, um dos livros de maior sucesso do pesquisador. A partir disso, ele começou a investigar outras manifestações da cultura popular e urbana do Brasil.

Ao longo dos mais de quatro décadas de carreira, passou por veículos como Diário Carioca, Jornal do Brasil, TV Excelsior, TV Globo, Rádio Nacional e Veja.

Em 2010, Elizabeth Lorenzotti publicou uma biografia do crítico, intitulada Tinhorão – O Legendário. Seu apelido vem doas anos 1950, quando trabalhou no Diário Carioca fazendo textos-legenda.

 

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Tinhorão chegou a ser retratado na peça Bonitinha Mas Ordinária, de seu amigo e colega de redação Nelson Rodrigues, como um personagem conquistador.

Tinhorão tinha um acervo gigantesco com mais de 10 mil LPs, além de livros, fotos, filmes, jornais, revistas e diversos outros itens que mostram a evolução da música e da cultura urbana brasileira. O material foi vendido ao Instituto Moreira Salles em 2001.

José Ramos Tinhorão faleceu em 3 de agosto de 2021, aos 93 anos.

A informação foi confirmada pela Editora 34, responsável pela publicação da maioria dos livros do historiador.

(Fonte: https://www.msn.com/pt-br/noticias/brasil – NOTÍCIAS / BRASIL / por ESTADÃO CONTEÚDO / fornecido por Microsoft News – 03/08/2021)

(Fonte: https://g1.globo.com/pop-arte/musica/noticia/2021/08/03 – POP & ARTE / MÚSICA / NOTÍCIA / Por G1 – 03/08/2021)

(Fonte: GAÚCHAZH – ANO 58 – N° 20.092 – 5 DE AGOSTO DE 2021 – MEMÓRIA / TRIBUTO – Pág: 27)

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