José de Anchieta Costa, cenógrafo e figurinista, fez diversas parcerias com a companhia Teatro do Ornitorrinco, de Cacá Rosset

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Artista fez diversas parcerias com a companhia Teatro do Ornitorrinco, de Cacá Rosset

 

 

José de Anchieta Costa (Caruaru, Pernambuco, 23 de fevereiro de 1948 – 23 de maio de 2019), cenógrafo e figurinista com longa trajetória no teatro e trabalhos pontuais com óperas.

 

Nascido em Caruaru, no tempo em que lambuzavam os recém nascidos em tachos de leite, o cenógrafo e figurinista foi batizado com o mesmo nome do patrono do teatro.

 

A inspiração do nome, entretanto, não veio do padre jesuíta conhecido por realizar as primeiras peças de teatro no Brasil do descobrimento.

 

De formação religiosa, Anchieta chegou a fazer seminário na adolescência pela determinação do avô holandês, mas decidiu seu futuro nos palcos.

 

Pernambucano de Caruaru, Costa veio a São Paulo com sua família quando tinha oito anos. Ele ficou conhecido por sua atuação no teatro do Ornitorrinco, um dos grupos mais populares do teatro brasileiro nos anos 1980 e 1990.

 

Com a companhia e sob direção de Cacá Rosset, foi criador de cenários e figurinos de espetáculos como “O Doente Imaginário”, de Molière, “Sonho de uma Noite de Verão” e “A Comédia dos Erros”, ambas de William Shakespeare.

Se o trabalho religioso durou pouco, tão longa é parceria de Anchieta com Rosset. Ele foi responsável pelo cenário de O Doente Imaginário, de 1989, apresentado no The Public, de Nova York. Em uma cena, Rosset deixava um olho falso cair e ficava procurando o objeto no meio da plateia. “Ele abria algumas bolsas e de lá saía tudo. Desde revólveres, lingeries e brinquedos sexuais.”, disse o artista em entrevista ao Estado, em 2018.

 

O sucesso da peça de Molière rendeu um convite do produtor Joseph Papp, o então diretor do The Public. A estreia de Sonho de Uma Noite de Verão no Central Park já gerava escândalos antes da temporada começar. Tudo porque o figurino das fadas se resumia a roupas de banho, biquinis, que escandalizou a plateia. Depois vieram, com Rosset, A Comédia de Erros e o mais recente Nem Escravas, Nem Princesas, de Humberto Robles.

 

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Um dos de seus últimos trabalhos foi para a ópera “O Barbeiro de Sevilha”, que teve direção cênica de Cleber Papa e abriu a temporada lírica do Municipal em 2018.

Costa também é autor do livro “Auleum a Quarta Parece” (editora Abooks), em que aborda questões sobre a relação entre cenografia e as artes dramáticas.

Em suas criações, Anchieta colecionava vários cadernos com os registros de rascunhos e ideias para figurinos e cenários. Além de um precioso registro, os cadernos serviam como pontes entre suas ideias e o entendimento dos demais colegas artistas.

 

 

Mesmo assim, o método de desenhar para comunicar não funcionou com o diretor Ademar Guerra (1933-1993), com quem Anchieta estreou Lulu, Frank Wedekind. Na época, Guerra não compreendeu a grandiosidade das pontes levadiças que tomariam o palco do teatro. Quando o cenário proposto chegou, não havia espaço para nada, o que fez com que o encenador mudasse todo o espetáculo nas vésperas da estreia.

 

 

Crítico da crise de se produzir teatro no País, que na prática significa o improviso ou simplificação nos cenários e figurinos, Anchieta acrediva que uma montagem teatral não é vista de forma tão fragmentada como se costuma imaginar da plateia. Se você sai de uma peça elogiando o desempenho daquela atriz, ou os lindos figurinos, ou o cenário grandioso, o espetáculo não vai durar nada e logo sairá de cartaz”, continuo, na mesma entrevista, em novembro. “Mas tudo muda quando o público sai e consegue dizer: ‘Que espetáculo!'”

 

Anchieta Costa faleceu em 23 de maio de 2019 por complicações decorrentes de diabetes, aos 71 anos.
Ele estava internado no hospital Sancta Maggiore de Pinheiros.

“Ele foi grande amigo, grande artista, um mago das cores e texturas no teatro brasileiro”, diz a atriz Christiane Tricerri, com quem Costa estava trabalhando em uma produção para o texto “Frida Kahlo – Viva la Vida”, sobre a pintora mexicana.

“Tenho certeza de que como Frida diz em nosso texto, nosso Zé de Anchieta também diria: ‘Viva la Vida, carajo!'”, completa.

Em suas redes, o diretor Cacá Rosset lamentou: “Um cenógrafo genial! Desde 1989 criou todos os cenários do Teatro do Ornitorrinco. O teatro brasileiro perdeu um de seus maiores artistas. Você fará muita falta, querido amigo!”

 

Rosset acrescenta que a dupla ainda planejava um novo trabalho. “No momento estávamos trabalhando no novo espetáculo “Frida Kahlo – Viva la Vida” de Humberto Robles.”

(Fonte: https://www.jb.com.br/cultura/2019/05 – Jornal do Brasil / ARTE E CULTURA / Por Folhapress – 23/05/2019)

(Fonte: https://cultura.estadao.com.br/noticias/teatro-e-danca – NOTÍCIAS / TEATRO E DANÇA / CULTURA / Por Leandro Nunes, O Estado de S.Paulo – 23 de maio de 2019)

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