José da Silva Lisboa, primeiro barão e visconde de Cairu, era o intelecto preferido de dom João VI

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Escocês falsificado

 

José da Silva Lisboa (Salvador, 16 de julho de 1756 – Rio de Janeiro, 20 de agosto de 1835), primeiro barão e visconde de Cairu. Foi um economista, historiador, jurista, publicista e político brasileiro, ativo na época da Independência do Brasil.

 

Ele era o intelecto preferido de dom João VI. E um grande bajulador. Além de plagiar Riqueza das Nações, ele adaptava suas ideias ao gosto de poder local.

 

Sempre apoiou ardorosamente D. João VI e D. Pedro I. Ocupou diversos cargos na administração econômica e política do Brasil, Deputado da Real Junta do Comércio e Desembargador da Casa da Suplicação, após a instalação da corte no Rio de Janeiro, em 1808. 

 

Impulsionou a criação de uma aula de economia política e colaborou diretamente na redação dos decretos que ditaram a abertura dos portos brasileiros e o levantamento da proibição de instalação de manufaturas no Brasil.

 

A sua atitude favorável ao desenvolvimento econômico da colônia acabaria por contribuir para a criação das condições indispensáveis à independência política do Brasil, em 1822, figurando Silva Lisboa – entretanto agraciado com o título de Visconde de Cairu – como um dos nomes com lugar de honra no panteão dos heróis da pátria brasileira.

 

Se Adam Smith (1723-1790) era antiescravagista, Cairu dava um jeito de encaixar a escravidão no sistema. Sua maior proeza foi inventar que a inteligência estava na base da prosperidade das nações.

 

Assim ele justificou o ócio das elites brasileiras. Foi recompensado. Em 1808, dom João VI criou para ele o que seria a primeira cátedra de economia política no Ocidente.

 

O curso jamais saiu do papel. E assim nasceu o pensamento econômico brasileiro – como farsa.

 

Fez os preparatórios na Bahia desde seus oito anos, estudando Filosofia, música e piano. Concluiu os estudos em Lisboa, pois como o Governo português não permitia universidades na colônia, todos eram obrigados a se formar em Portugal, na Universidade de Coimbra. Ali seguiu os cursos jurídico e filosófico a partir de 1774, formando-se em 1778.

 

Nesse ano, foi nomeado substituto das cadeiras de grego e de hebraico do Colégio das Artes de Coimbra. Bacharel em cânones pela Universidade de Coimbra, onde concluiu os cursos de Filosofia e Medicina. Ainda em Coimbra, bem à moda do século XVIII, estudou hebraico e grego. Em 1778 ainda, foi nomeado professor de filosofia nacional e moral, para a cidade de Salvador, na Bahia, cuja cadeira regeu 19 anos, e a da língua grega, que ali criou, por cinco anos.

 

Carreira Pública

Visconde de Cairu, economista brasileiro acompanhava as últimas teorias europeias, como as de Adam Smith, que mencionavam que um país só progride se seus industriais e comerciantes dispõem do máximo de liberdade para ganhar dinheiro. Assim tão logo D. João desembarcou no Brasil, pediu audiência para lhe propor a abertura dos portos brasileiros. Talvez D. João tenha achado graça pela primeira vez, desde que fugiu de Lisboa, uma vez que a abertura já estava decidida pela “Convenção Secreta de Londres”.

Em 1797 voltou a Portugal, obtendo sua aposentadoria e a nomeação para o lugar de deputado e secretário da Mesa da Inspeção da Bahia, para onde partiu de novo. Tomou posse do cargo em 1798, ficando em exercício até 1808.

Em 1801 publicou em Lisboa sua primeira obra, Princípios do Direito Mercantil e Leis da Marinha para uso da mocidade portuguesa, que compreende o seguro marítimo, o câmbio marítimo, as avarias, as letras de câmbio, os contratos mercantes, os tribunais e as causas de comércio.

Em 1804 publicou sua obra capital, o tratado Princípios de Economia Politica, o primeiro livro que sobre semelhante assunto se escrevia em português, inspirado nos princípios da nova ciência, fundada por Adam Smith. Em 1804 escreveu as famosas “Observações Apologéticas Acerca da Crítica que Faz Contra Smith o Autor das Memórias Políticas sobre as Verdadeiras Bases da Grandeza das Nações”.

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De 1801 a 1808 continuou a publicar sua obra em sete volumes Princípios de Direito Mercantil e Leis de Marinha, etc.

No Rio de Janeiro, publicaria em 1808 as Observações sobre o Comercio Franco no Brasil, três partes em dois volumes.

Quando o Príncipe Regente chegou à Bahia, Lisboa era funcionário da Mesa de Inspeção da Agricultura e Comércio da Bahia e lhe coube redigir a Representação dos comerciantes de Salvador, na qual pediam levantar o embargo do comércio com Portugal, ocupado pela França.

Assim, hebraísta, helenista, economista e jurista, seria o divulgador no Brasil dos princípios clássicos da economia liberal e ao mesmo tempo da ortodoxia católica em matéria de política. Apresentou assim a D. João VI, Príncipe Regente, as vantagens da abertura dos portos brasileiros às nações amigas de Portugal. Disto resultou a Carta Régia de 24 de janeiro de 1808, que oficializou o ato. Ocupava, na época, o cargo de professor de Economia Política.

 

No Rio de Janeiro com a Corte

D. João VI ordenou a Silva Lisboa que o acompanhasse ao Rio de Janeiro, para auxiliá-lo. Distinguido desta forma, chegou ao Rio de Janeiro a 7 de Março de 1808, e logo em abril seguinte foi nomeado desembargador da Mesa do Desembargo do Paço e da Consciência e Ordens.

Em agosto de 1808, foi feito deputado da Real Junta do Comércio, Agricultura, Fábricas e Navegação do Estado do Brasil; em 1809 foi incumbido de organizar um código de comércio; em 1810 recebeu a mercê do hábito de Cristo; em 1815 foi encarregado do exame das obras para a impressão; em 1821, foi incluído na lista dos membros da Junta de cortes para o exame das leis constitucionais discutidas então em Lisboa, e inspetor-geral dos estabelecimentos literários e diretor dos estudos.

Silva Lisboa tentou reconciliar Portugal e o Brasil, e impedir a separação, e para isso fundou um jornal, O Conciliador do Reino Unido, em que defendeu os direitos do Príncipe e ponderou as vantagens da monarquia continental. Quando a esperança de conciliação desapareceu, e para não perder a coroa, o príncipe regente D. Pedro de Alcântara se pôs à frente do movimento independentista, Lisboa não hesitou e principiou a combater pela independência. Escreveu uma obra, As Reclamações, de grande efeito.

Defensor da centralização do poder, Silva Lisboa combateu na imprensa os revolucionários da Confederação do Equador e no seu Rebate brasileiro polemizou com o Typhis Pernambucano de frei Caneca. No mesmo ano, 1824, publicou o Apelo à honra brasileira contra a Facção Federalista de Pernambuco.

Depois da Independência, continuou a exercer cargos elevados, recebendo distinções honoríficas. Foi agraciado em 1825 pelo Imperador D. Pedro I com o título de barão e depois em 1826 de visconde de Cayrú, sendo ainda escolhido mais tarde senador do Império.

Foi Desembargador da Mesa do Paço e da Casa de Rogo, deputado e senador. Em 1832, lutou pela criação de uma Universidade no Rio de Janeiro, fato só concretizado quase cem anos depois, com a fundação da UFRJ.

Curiosamente, a faculdade de economia da Universidade de São Paulo homenageia Cairu, cedendo seu nome ao centro acadêmico da escola.

(Fonte: Veja, 12 de janeiro de 2000 – ANO 33 – Nº 2 – Edição 1631 – LIVROS/ Por Carlos Graieb – “Adam Smith – Uma Biografia”, de Ian Simpson Ross – Pág: 137)

(Fonte: http://www.navioseportos.com.br/cms)

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