John Vane, cientista que decifrou a ação da aspirina, ganhador do Nobel de Fisiologia ou Medicina de 1982

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O homem que descobriu como funciona a aspirina

 

Sir John Vane (Tardebigg, Inglaterra, 29 de março de 1927Farnborough, Inglaterra, 19 de novembro de 2004), cientista que decifrou a ação da aspirina, ganhador do Nobel de Fisiologia ou Medicina de 1982 por ter descoberto como a aspirina funciona

Sir John Vane ganhou Prêmio Nobel em Medicina ou Fisiologia em 1982 por sua descoberta de que a aspirina inibe a produção de prostaglandinas, substâncias envolvidas em mecanismos do corpo tão distintos quanto o processo febril e o início do trabalho de parto. A descoberta levou a novos tratamentos para doenças vasculares e cardíacas.

No trabalho que lhe deu o Nobel de Medicina, Vane mostrou que a aspirina inibe a produção no organismo de substâncias semelhantes a hormônios, chamadas prostaglandinas. Essas substâncias têm papel importante no funcionamento do corpo e estão envolvidas em processos tão diferentes como os que causam a febre e os que induzem o parto. 

A aspirina age bloqueando, entre outras, a que torna mais fácil para as células nervosas passar o sinal de dor de uma para a outra. Com a passagem da dor de uma célula nervosa para outra bloqueada, a pessoa deixa de senti-la. Por isso, a aspirina funciona como analgésico. 

O medicamento também bloqueia a substância (outra prostaglandina) responsável pelo aumento da febre. Com ela bloqueada, a febre diminui. Por isso, a aspirina também funciona para baixar a febre. 

Vane também descobriu uma outra prostaglandina, chamada prostaciclina, que relaxa os vasos sanguíneos. A descoberta levou a novos tratamentos para problemas no coração e nos vasos sanguíneos, pressão alta e outras doenças vasculares. 

Formado em química e farmácia, Vane começou a estudar o papel fisiológico das prostaglandinas na década de 60 e em 1969 retirou uma substância do pulmão de ratos que fazia a artéria aorta deles se contrair. Ele percebeu que o efeito cessava na presença da aspirina e de outras drogas antiinflamatórias. 

Algum tempo depois, o sueco Bengt I. Samuelsson mostrou que a substância descoberta por Vane continha uma prostaglandina. A informação permitiu juntamente com sua própria pesquisa que Vane propusesse o mecanismo de ação da aspirina. A grande conclusão dele é que a aspirina reduz dor, inflamação e febre porque bloqueia a ação das prostaglandinas produzidas pelo corpo. 

O trabalho deu a Vane o Nobel de 1982 juntamente com Samuelsson e o sueco Sune K. Bergstroem (1916-2004). Em 1986, Vane fundou o Instituto de Pesquisa William Harvey, especializado em pesquisa do coração e de inflamação, sendo seu primeiro chairman e depois diretor-geral. 

Dez anos depois, em 1996, o instituto se tornou parte da Escola de Medicina e Odontologia Real de Londres. Vane ganhou o título de sir em 1984. 

John Vane morreu em 19 de novembro de 2004aos 77 anos, em Farnborough, Inglaterra. A causa foram complicações de fraturas sofridas em 2004, informou a Universidade de Londres. 

(Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ciencia – FOLHA DE S.PAULO – PANORÂMICA – MEMÓRIA – CIÊNCIA – 23 de novembro de 2004)

Copyright Empresa Folha da Manhã S/A. Todos os direitos reservados.

(Fonte: Jornal da Ciência – (O Estado de SP, 23/11/2004)

(Fonte: http://www.renorbio.org.br/portal/noticias – Renorbio – Rede Nordeste de Biotecnologia – 23/11/2004)

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Sir John Vane, por Liam Woon, 1990 - NPG - (Foto: Liam Woon/Divulgação)

Sir John Vane, por Liam Woon, 1990 – NPG – (Foto: Liam Woon/Divulgação)

 

O Prêmio Nobel de Medicina sai para três cientistas, para um hormônio que provoca a dor e para a aspirina, que a alivia

Em outubro de 1982, a Real Academia da Suécia outorgou e concedeu a láurea, o Prêmio Nobel de Medicina de 1982 a três cientistas – o inglês John Robert Vane, e os suecos Sune Karl Bergstrom e Bengt Ingemar Samuelson – por pesquisas no campo de hormônios que produzem a dor e das drogas que a aliviam. E a droga estudada por um deles, Vane, do Royal College, de Londres, é justamente a aspirina. Foi também a exibição dos grandes avanços conseguidos pela medicina na luta contra a dor, e sobretudo da importância do conhecimento dos hormônios para que se façam novos progressos nesse campo.

MISTÉRIOS DESVENDADOS – Em comum, os três cientistas fizeram pesquisas na área das prostaglandinas, hormônios presentes em todas as células do corpo e envolvidos em processos tão diversos como uma inflamação, um enfarte, um câncer, uma gestação e até uma simples dor de cabeça. Sob o nome de prostaglandina, existem dezenas de hormônios, cada qual com funções diferentes e ainda pouco conhecidas.

O interesse da medicina sobre as prostaglandinas é antigo. Em 1930, o médico-ginecologista austríaco-americano, Raphael Kurzrok (1895-1961), e o médico americano Charles Lieb, desconfiaram de que algum componente do esperma desencadeava contrações uterinas. A suspeita, confirmada depois por um sueco, Ulf von Euler (1905-1983), rendeu-lhe o Prêmio Nobel de Medicina de 1970. Tratava-se da prostaglandina, nome que nasceu da suposição equivocada de Euler de que ela se originava exclusivamente da próstata. A principal contribuição dos três cientistas que foram laureados com o Nobel de Medicina de 1982 consistiu em desvendar alguns mistérios que ainda envolviam as prostaglandinas.

Bergstrom dedicou 35 anos ao estudo desses hormônios, identificou vários tipos sob os quais se apresentam e decifrou sua estrutura química. Samuelsson, seu aluno, estudou a fundo a formação das prostaglandinas, derivadas de um ácido chamado araquidônico. A milhares de quilômetros de distância, o inglês John Vane seguiu trilha paralela e acabou por desembocar num dos achados mais notáveis desde o passo inaugural do pioneiro Von Euler: descobriu que a aspirina contribui para impedir a formação das prostaglandinas pelo organismo. Em termos práticos, foi longe. Até hoje, a ciência não conhece exatamente todos os mecanismos através dos quais a aspirina inibe a dor. Com sua descoberta, contudo, Vane ajudou a avançar significativamente na direção de um esclarecimento do mistério.

A aspirina foi sintetizada em laboratório pelo pesquisador alemão Felix Hoffmann (1868-1946), angustiado com as dores crônicas de que padecia seu pai. Antes disso, tomava-se como remédio contra a dor uma substância conhecida como ácido salicílico, inconveniente pelos distúrbios estomacais que provocava. Hoffmann incluiu mais um componente no remédio – o acetil, substância química formada de carbono e hidrogênio -, e a droga de todos os atormentados pela dor nasceu de suas mãos.

Com o nome de ácido acetilsalicílico e batizado comercialmente como aspirina, o comprimido foi então lançado à venda pelos laboratórios Bayer, da Alemanha. No último século, a aspirina tornou-se o remédio mais consumido em todo o mundo. A Bayer, também o produtor mais antigo, recebeu autorização do governo brasileiro para produzir aspirinas em 1916, em documento expedido pela Diretoria Geral de Saúde Pública.

Séculos antes de Cristo os egípcios faziam orifícios nos crânios de pessoas vivas, provavelmente para aliviar a dor provocada por tumores, e os gregos mascavam folhas de salgueiro, obtendo o alívio que hoje é satisfeito pela aspirina. Mesmo assim, até o século XIX, acreditou-se que a dor era muito mais uma emoção do que uma consequência de fatores fisiológicos.

(Fonte: Veja, 20 de outubro de 1982 – Edição 737 – MEDICINA – Pág: 70/74)

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