Ele foi um chefe implacável
John Edgar Hoover (Washington, D.C., 1º de janeiro de 1895 – Washington, D.C., 2 de maio de 1972), foi o primeiro diretor do FBI, o serviço de inteligência mais eficiente do mundo.
Ele fundou a polícia federal dos Estados Unidos, investiu em um registro centralizado de cidadãos e apostou na perícia científica para investigar crimes (às vezes ilegalmente).
(Fonte: Super Interessante – Edição n° 301 – Fevereiro de 2012 – ESCOLHAS/ Por Fred Di Giacomo Rocha, Karin Hueck – Pág; 80/81)
J. Edgar Hoover foi considerado durante 48 anos um dos homens mais temidos dos Estados Unidos. Ele dirigiu, ininterruptamente, a agência federal de investigação americana, resistindo à pressão de todos os presidentes que passaram pela Casa Branca, incluindo Kennedy. O poder acumulado em um arquivo secreto, no qual guardava todos os deslizes dos políticos, sempre foi sua principal arma.
(Fonte: Veja, 20 de setembro de 1989 – ANO 22 – Nº 37 – Edição 1097 – LIVROS/ Por ALESSANDRO PORRO – Pág: 143)
J. Edgar Hoover, criador do FBI
J. Edgar Hoover criou o FBI e durante meio século foi a autoridade mais poderosa dos EUA. Para o bem e para o mal
Ele conviveu com 6 presidentes ao longo de impressionantes 48 anos. À frente do Federal Bureau of Investigation, o FBI, J. Edgar Hoover (1895-1972) moldou um bom pedaço dos atuais Estados Unidos. No começo, se fez necessário. No final, dono de um arsenal de segredos de estado (e pessoais), era insubstituível. Para o advogado e historiador Kenneth Ackerman, Hoover se confundiu como poucos com a própria face do império americano em seus anos formativos, desde a 1ª Guerra até o mundo bipolar da Guerra Fria. O FBI, a polícia federal americana, foi criada e dirigida por ele a pedido do presidente Franklin Delano Roosevelt, em 1935. Só saiu do posto ao morrer.
O homem celebrado por derrotar os gângsteres da Lei Seca e vilanizado pelo ataque impiedoso a operários e defensores dos direitos civis, acaba de receber um tratamento classudo de um dos maiores nomes de Hollywood, o diretor Clint Eastwood. Seu J. Edgar chega aos cinemas brasileiros este mês, com Leonardo DiCaprio no papel principal.
Hoover começou no Departamento de Justiça, responsável por encontrar e punir estrangeiros ilegais ou que representassem uma ameaça aos EUA. Logo se tornaria chefe da recém-criada Divisão de Inteligência – onde deu ínicio aos seus famosos arquivos, com mais de 450 mil nomes de “radicais” e “simpatizantes vermelhos”. “Hoover é um filho da Revolução, no sentido de que percebe imediatamente o perigo da agitação socialista e anarquista nos EUA”, diz Ackerman, autor de Young J. Edgar: Hoover and the Red Scare, 1919-1920 (algo como O Jovem J. Edgar: Hoover e o Pânico Vermelho). Para Hoover, as 3 mil greves operárias e os 9 atentados terroristas a bomba de 1919 eram sinal de um grave perigo para o status quo, que estava determinado a proteger.
Para o jornal The New York Times, Hoover foi a autoridade mais poderosa da história do Estado americano. “O poder exercido por Hoover foi uma confluência de teatro e política, publicidade e personalidade. Mas a base de tudo foi um extraordinário recorde de inovação e modernização do sistema de segurança pública dos EUA, principalmente na primeira década de seu reinado no FBI”, escreveu o jornalista Christopher Lydon no obituário de Hoover.
O diretor do FBI foi a mais importante autoridade americana do século passado sem filiar-se a nenhum partido, sem cargo eletivo, sem seguidores fiéis. Uma pista para tamanho poder? O jornalista Russel Baker o chamou de “o traficante do medo”. Comissões de inquérito no Congresso eram criadas a seu pedido e ele podia arruinar reputações e carreiras – especialmente se o político em questão estivesse envolvido em algum escândalo sexual.
A base de seu poder repousava nos arquivos secretos que detalhavam a vida de todos os personagens da política americana. Para manter-se à frente do FBI no governo de John Kennedy, usou a informação de que o presidente se encontrava regularmente com a amante do mafioso Sam Giancana. O prontuário de Martin Luther King estava repleto de nomes, endereços e até o preço de prostitutas – Jacqueline Kennedy, a primeira dama, foi informada disso.
Quando Hoover criou o FBI, as principais ameaças à segurança americana eram internas e ele usou mão de ferro para “pacificar” o país. O jovem advogado criou um serviço centralizado de identificação digital em 1925 e um laboratório de criminologia 7 anos depois, considerados marcos na modernização da polícia americana. A reforma da Academia de Polícia, em 1935, se deu com o recrutamento de profissionais com experiência em advocacia e contabilidade. Entre os novos contratados, destacou-se Clyde Tolson, seu amigo mais próximo e diretor-assistente do FBI. Ao longo da vida, Hoover enfrentou rumores, jamais confirmados, de que mantinha uma relação amorosa com Tolson – o tema é tratado no filme de Eastwood.
Hoover eletrizou o país ao declarar guerra aos gângsteres e destruir lendas-vivas, como John Dillinger e Machine Gun Kelly. Ao mesmo tempo, acabou com uma epidemia nacional de sequestros, cuja vítima mais famosa foi o filho do aviador Charles Lindbergh, um bebê sequestrado e assassinado em 1932. O assassino só foi encontrado quando todas as investigações foram centralizadas por Hoover. Em 1952, começou sua segunda cruzada, contra o que ele considerava o “perigo vermelho”.
Se em seus primeiros anos ele combateu socialistas e sindicalistas e ajudou a enfraquecer o Partido Comunista, a Guerra Fria lhe caiu como uma luva – encontrava espiões soviéticos até na direção do FMI, como foi o caso de Harry Dexter White, ex-assistente-geral da secretaria do tesouro americana e mais tarde diretor-executivo da instituição financeira global. Para Ackerman, foi o começo da decadência de Hoover, obcecado pelo combate interno à União Soviética, alimentando o infame Comitê de Ações Anti-Americanas do Congresso, cujo nome mais proeminente era o do senador Joseph McCarthy. Hoover via células radicais em Hollywood e ajudou a promover as famosas listas negras, que interromperam a carreira de centenas de profissionais acusados de serem comunistas e cujo auge se deu entre 1952 e 1956. Nem Charles Chaplin escapou.
Hoover soube usar sua capacidade de articulação política para perpetuar-se no cargo. Lyndon Johnson, que ocupou a presidência depois do assassinato de Kennedy, cunhou uma frase tão precisa quanto deselegante para explicar como funcionava a estratégia de sobrevivência de Hoover: “É melhor deixá-lo fazer xixi dentro da tenda do que do lado de fora”. Em 1971, uma pesquisa do Gallup, publicada pela revista Newsweek, o apontou como a figura pública mais respeitada dos EUA, com 80% de aprovação. O homem que nunca se casou ou teve filhos e ocupou a mesma sala em Washington durante toda a carreira foi considerado a face da América.
(Fonte: http://guiadoestudante.abril.com.br/aventuras-historia – Aventuras na História/ Por Eduardo Graça, de Nova York – 18/12/2012)
Livro – Young J. Edgar: Hoover and the Red Scare,1919-1920, Da Capo Press, 2007
- J. Edgar Hoover, criador do FBI


