Jannis Kounellis, construiu sua obra plástica ao lado de nomes como Michelangelo Pistoletto, Alberto Burri e Giuseppe Penone

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Iconoclasta e irreverente, foi um dos remanescentes da arte povera, ele foi se renovando ao longo das últimas décadas

Jannis Kounellis foi um dos remanescentes da arte povera (Foto: Pinterest/ Divulgação)

Jannis Kounellis foi um dos remanescentes da arte povera
(Foto: Pinterest/ Divulgação)

 

Jannis Kounellis (Pireu, Grécia, 23 de março de 1936 – Roma, 16 de fevereiro de 2017), artista grego, foi um dos grandes nomes da arte povera

Foi na Itália, aliás, ao lado de nomes como Michelangelo Pistoletto, Alberto Burri (1915-1995) e Giuseppe Penone, que Kounellis construiu sua obra plástica num dos movimentos mais marcantes da história da arte do pós-guerra.

Jannis Kounellis, artista greco-italiano, tinha seu nome e obra inseparáveis da Arte Povera – termo criado em setembro de 1967 pelo crítico Germano Celant que se referia simultaneamente à pobreza visual reivindicada pelas práticas teatrais que recusavam o luxo e a ostentação, e à pobreza dos materiais e formas dos trabalhos reunidos por ele numa exposição em Gênova. Alighiero Boetti, Mario Merz, Luciano Fabro, Michelangelo Pistoletto, Giulio Paolini, Jannis Kounellis e, mais tarde, Giuseppe Penone formavam o grupo inicial deste movimento.

 

 

Jannis Kounellis, em sua exposição no Museu de la Monnaie de Paris, em 2016. (Foto: Thomas Samson/AFP)

 

Nascido na Grécia, em março de 1936, o artista deixou o seu país natal para ir a Roma, onde descobriu o expressionismo abstrato americano e o informalismo parisiense. Fugindo das tendências dominantes, Kounellis empregou elementos e materiais simples, às vezes industriais, desligando-se de toda gestualidade e maneirismo pictórico que impregnavam os artistas de sua geração. Para ele, “os materiais possuem uma memória e eles têm futuro porque possuem memória”. Dedicou-se a uma não-pintura que repele o olhar, porém é sempre cheia de significados, profundidade e humanismo. Em sua obra, o homem é a medida de todas as coisas.

 

No museu de la Monnaie de Paris, Sala Antoine : “Sem título”, 1969

 

Talvez tenha sido o mais político de todos os seus contemporâneos. No contexto de maio de 1968 e da guerra do Vietnã, foi um dos artistas mais ativos, junto com Michelangelo Pistoletto e Mario Merz, bem mais politizado do que Giuseppe Penone ou Giulio Paolini. A (hoje datada) revolução ideológica dava a impressão de andar de mãos dadas com a revolução das formas plásticas e, neste ponto, Kounellis, que não parecia nada preocupado em formar um “estilo”, foi o mais radical.

 

 

No museu de la Monnaie de Paris, Sala Antoine: “Sem título”, 1969

 

 

Jannis Kounellis

 

Jannis Kounellis, sem título, 1969. (Foto: Galleria L'Attico, Roma/ Divulgação)

Jannis Kounellis, sem título, 1969. (Foto: Galleria L’Attico, Roma/ Divulgação)

 

Enviado pela Itália, este artista esteve – juntamente com Giulio Paolini – na 19a Bienal de São Paulo, em 1989, da qual fui curadora. A sua obra é possante. Voltei a vê-la várias vezes, desde então, inclusive na Bienal de Veneza. No entanto, nada foi mais impressionante do que a exposição apresentada no início do ano passado no Monnaie de Paris, o deslumbrante museu criado em 1833 e inaugurado pelo rei Luís Filipe I de França no Quai de Conti.

 

No museu de la Monnaie de Paris, Sala Guillaume Dupré : “Sem título”, 2016

 

Até a próxima que agora é hoje e Jannis Kounellis, mesmo ausente, ficará em nossa lembrança como um artista intenso, obsessivo e sóbrio, daqueles que jamais se “auto celebram” como tantos que conhecemos!

 

No museu de la Monnaie de Paris, Sala Arnauné: “Da inventare sul posto”, 1972

 

Em 2008, Kounellis fez sua primeira individual no Brasil, na extinta galeria Progetti, no Rio de Janeiro. Em 2015, também fez os cenários da ópera “Lohengrin”, de Wagner, no Theatro Municipal paulistano.

 

No museu de la Monnaie de Paris, Sala Franklin: “Sem título”, 2012

 

Jannis Kounellis morreu em 16 de fevereiro de 2017, aos 80, em Roma, onde vivia desde a década de 1950.

(Fonte:  http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2017/02 – ILUSTRADA – MEMÓRIA – 17/02/2017)

(Fonte: http://cultura.estadao.com.br – CULTURA/ Por Sheila Leirner – 17 Fevereiro 2017)

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