Jane Austen, escritora, que retratava, com humor e inteligência, o cotidiano da Inglaterra vitoriana

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Foi a primeira escritora a despontar numa época de ouro para a literatura feminina inglesa

Escritora inglesa, que retratava, com humor e inteligência, o cotidiano da Inglaterra vitoriana.

 

Jane Austen, uma vida dedicada à literatura (Foto: AMES ANDREWS OF MAIDENHEAD)

 

Jane Austen, autora de “Orgulho e Preconceito”

Jane Austen (Steventon, 16 de dezembro de 1775 – Winchester, 18 de julho de 1817), uma escritora genial e renovadora, é considerada uma das precursoras da literatura de entretenimento, ela que escrevia, em sua época, para moças como as que hoje leem Júlia e Sabrina. Autora de livros como ‘Razão e Sentimento’ e “Orgulho e Preconceito”, ela é considerada uma das principais escritoras de todos os tempos.

Jane Austen foi a autora que no século XIX expôs os anseios femininos e os maneirismos da aristocracia inglesa em clássicos como “Razão e Sensibilidade”.

Austen é uma das maiores autoras da história da Inglaterra, e sua importância supera os limites do campo literário: Jane é reconhecida como pioneira na afirmação feminina tendo, na virada do século XVIII para o século XIX, se destacado em um meio dominado por homens. Numa época em que mulheres mal podiam trabalhar, não é por acaso que os primeiros romances de Austen tenham sido publicados em autoria anônima.

Essa autora, além de conquistar o público, virou também um sucesso de crítica, numa adoração que muitas vezes beira o exagero. O polêmico intelectual americano Harold Bloom não hesitou em incluir Austen, no seu O Cânone Ocidental (1994), entre os 26 maiores escritores de todos os tempos, ao lado de nomes como Shakespeare, Dante e Cervantes.

 

A tendência de Austen em caracterizar personagens e desenvolver tramas à base de diálogos fez com que o poeta inglês Alfred Tennyson (1809-1892) a aproximasse de Shakespeare, conforme escreveu Otto Maria Carpeaux em História da Literatura Ocidental (1959). Carpeaux também considerava Jane Austen uma escritora genial e renovadora. O crítico americano Edmund Wilson a comparava a James Joyce, classificando a escritora como uma mestra da forma.

Austen foi também a primeira a despontar numa época de ouro para a literatura feminina inglesa. Depois dela, o século XIX inglês ainda veria surgir as irmãs Charlotte e Emily Brontë, autoras, respectivamente, de Jane Eyre e O Morro dos Ventos Uivantes, ambos de 1847, e George Eliot, pseudônimo de Mary Ann Evans, que, em romances como The Mill on The Floss (de 1860) e Middlemarch (1872), levou às últimas consequências a narrativa de traçado psicólogo de Austen.

Curioso em Jane Austen é comparar a sua produção literária com a experiência social que ela teve. Não foi uma ativista política, como Zola, não lutou em guerras, como Camões, nem conheceu a celebridade em vida, como Balzac. Passou, ao contrário, a vida toda na província e dali tirou a sabedoria que coloca em seus livros. Filha de um religioso e professor de paróquia, ela viveu sempre, com seus seis irmãos e uma irmã, numa cidadezinha do interior da Inglaterra, chamada Chawton em Hampshire.

Escritora de romances de amor, Jane Austen nunca se casou. É possível que se tenha inspirado na própria vida e no relacionamento com sua zelosa irmã mais velha, Cassandra, para compor o perfil de Elinor e Marianne, as duas protagonistas de Razão e Sensibilidade. Cassandra, a “razão”, também morreu solteira. Chegou a ter um noivo, que morreu de febre amarela. Jane, a “Sensibilidade”, costumava apaixonar-se nas férias. Certa vez, caiu de amores por um primo irlandês, Tom Lefroy, que, de volta a Irlanda, se casou com outra. Quando tinha quase 27 anos, Jane aceitou o pedido de casamento de um tal Harris Bigg-Whither. Mudou de ideia no dia seguinte e nunca mais quis saber do pretendente.

Renunciando à condição de esposa, Cassandra e Jane passaram o resto da vida tratando dos sobrinhos. A escritora morreu aos 41 anos, vítima de distúrbios hormonais. Cassandra, que só morreria aos 73 anos de idade, censurou e chegou a queimar boa parte da correspondência íntima de Jane, que, além de tudo, era míope. Teria de usar óculos de lentes grossas para assistir aos filmes que se fazem hoje sobre seus livros. Segundo Otto Maria Carpeaux, estava nesse defeito físico a explicação de suas virtudes. Por não enxergar direito as paisagens, abdicava de descrevê-las, centrando a atenção na elaboração dos diálogos. Que, de tão vivos e bem escritos, acabaram gerando, em plena Inglaterra vitoriana, uma escritora com alma de roteirista.

Jane Austen, que viveu 100 anos antes da invenção do cinema, virou uma escritora disputada pelos estúdios de Hollywood. O caso de Jane Austen lembra um pouco o dos escritores americanos Michael Crichton (1942-2008), (O Parque dos Dinossauros, Revelação) e John Grisham (O Cliente, A Firma), que ficaram famosos com livros para o cinema. O novo fenômeno literário e cinematográfico, Jane Austen, é novo só na maneira de dizer. A austenmania é, uma epidemia que se espalha pelo mundo.

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O filme Razão e Sensibilidade, foi um dos favoritos ao Oscar, em 1996, saiu de um livro seu, de mesmo nome. As Patricinhas de Beverly Hills, o sucesso do verão no país, foi também inspirado num livro da escritora, Emma. Foram produzidos mais três filmes tendo como ponto de partida a mesma obra. Outro livro seu, Persuasão, serviu de tema para um filme, que estreou em maio de 1995 nos Estados Unidos. Austen foi também a responsável pelo maior sucesso de todos os tempos na televisão inglesa. A série Orgulho e Preconceito teve audiência estimada em 11 milhões de expectadores na ilha e estreou, com pompa e circunstância, nos Estados Unidos.

No Brasil, a austenmania começou com o lançamento de Razão e Sensibilidade, o livro e o filme. No cinema a fita (Sense and Sensibility, Estados Unidos, 1995) concorreu a quatro Oscar: melhor filme, melhor atriz (Emma Thompson), atriz coadjuvante (Kate Winslet) e roteiro adaptado. Quem esteve acostumado com James Ivory, o diretor inglês que ficou famosos transpondo para a tela romances de época, em filmes bem-acabados mas totalmente desprovidos de vivacidade e humor, como Vestígios do Dia ou O Retorno a Howards End, teve uma bela surpresa com Razão e Sensibilidade.

 

Narrando a vida amorosa de duas moças da Inglaterra do século XIX, uma racional e outra apaixonada, o filme não se prende ao tripé paisagens exuberantes-caracterização impecável-romantismo ingênuo. Traz humor, fino e debochado, uma aguda sátira à sociedade da época, em que a principal preocupação das mulheres era arranjar um bom marido (o livro é atual porque as mulheres não teriam mudado muito da era vitoriana até hoje), e bastante sensualidade – sem, no entanto, entrar nem de leve no terreno pantanoso da sexualidade aberta dos filmes modernos. Mas o mérito maior é mesmo de Jane Austen.

Em Razão e Sensibilidade, está ali, fáceis de perceber, as razões que fazem de Jane Austen a escritora mais disputada pelos estúdios. Primeiro: como os best-sellers de Grisham e Crichton, seus livros são cheios de diálogos, é responsável juntamente com Quentin Tarantino pelas melhores falas do cinema atual. Londres parecia uma cidade de fantasmas nas noites de domingo, quando o programa era levado ao ar. A outra característica de Jane Austen que a faz tremendamente atual é o humor. Um bom exemplo disso é o livro Emma, que originou o filme As Patricinhas de Beverly Hills, que, em virtude da austenmania, foi traduzido no Brasil em ritmo acelerado por Ivo Barroso, o mesmo de Razão e Sentimento (de Austen, já tinham lançados Orgulho e Preconceito, Mansfield Park e A Abadia de Northanger).

 

O livro conta, de maneira cômica, as agruras da personagem-título – uma garota fútil da Inglaterra do século XVIII que gasta seu tempo tentando arranjar namorado para as amigas. Mais que retratar as aventuras de uma personagem, como o título sugere, o livro lança um olhar sarcástico sobre a futilidade feminina no período vitoriano. Atualizado e adaptado para o cinema em As Patricinhas de Beverly Hills, o livro tornou-se uma deliciosa comédia sobre a geração shopping center. Novamente o foco não está no personagem principal, mas na sátira social. Alguns diálogos, extraídos diretamente do livro de Jane Austen, lembram os melhores momentos de Billy Wilder em Se Meu Apartamento Falasse – filme que usa o mesmo truque: um único personagem caricato, magistralmente interpretado por Jack Lemmon, serve para satirizar de toda a sociedade americana.

(Fonte: Veja, 28 de fevereiro de 1996 – ANO 29 – N° 9 – Edição 1433 – LIVROS – Pág; 94/95)

(Fonte: Veja, 7 de janeiro de 2004 – ANO 37 – Nº 1 – Edição 1835 – LIVROS/ Por Marcelo Marthe – Pág: 108/109)

(Fonte: http://cultura.estadao.com.br/noticias/literatura – LITERATURA – CULTURA/ Por Maria Fernanda Rodrigues, O Estado de S. Paulo – 01 Julho 2017)

(Fonte: http://www.hypeness.com.br/2017/07 – VIDA E ESTILO – INSPIRAÇÃO/  por: Redação Hypeness – 21/07/2017)

 

 

 

Nasce, em 16 de dezembro de 1775, a escritora Jane Austen, na cidade de Steventon, na Inglaterra.

(Fonte: Zero Hora – ANO 51 – Nº 17.963 – HOJE NA HISTÓRIA – 16 de dezembro de 2014 – Pág: 44)

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