James Tobin, professor aposentado da Universidade de Yale e ex-conselheiro de John F. Kennedy

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O economista James Tobin foi ex-assessor de Kennedy e ganhador do Nobel, norte-americano idealizou taxa para evitar especulação financeira

 

James Tobin (Champaign, 5 de março de 1918 – New Haven, 11 de março de 2002), economista norte-americano, autor de dezenas de livros e centenas de artigos, professor aposentado da Universidade de Yale e ex-conselheiro de John F. Kennedy.

O economista norte-americano James Tobin, professor da Universidade Yale que ganhou o Prêmio Nobel de economia em 1981 e foi um dos mais influentes economistas de seu tempo, participou do conselho de assessores econômicos do presidente John F. Kennedy e ganhou o Nobel por sua teoria de carteiras de investimento, que certa vez resumiu da seguinte maneira: “Não coloque todos os ovos na mesma cesta”.

Tobin analisou como as políticas econômicas afetam a vida das pessoas. Acreditava que o governo deveria usar medidas fiscais e monetárias para beneficiar a sociedade.

 

James Tobin, ficou conhecido como o “pai” da Taxa Tobin, preconizando a aplicação de uma taxa de 0,1% sobre as transações financeiras internacionais para desencorajar especulações destabilizadoras dos mercados.

Recentemente, o economista tinha “rejeitado a paternidade”, considerando que a sua proposta de 1972 tinha sido mal interpretada.

Ganhador do Prêmio Nobel de Economia em 1981, ele criou a chamada Taxa Tobin, imposto sobre as transações financeiras internacionais para estimular o livre comércio.

Assessor econômico do presidente norte-americano John F. Kennedy, James Tobin foi o mentor da redução de impostos, que conduziu ao “boom” econômico da década de 60, nos EUA, segundo Paul Krugman.

Tobin nasceu em Champaign, Illinois, em março de 1918, e viveu a depressão na juventude. “Era fácil se interessar por economia, porque estava claro que as coisas erradas do mundo tinham muito a ver com a economia”, disse.

O economista graduou-se em Harvard, onde também fez mestrado e doutorado. Os primeiros trabalhos de Tobin, já em Yale, chamaram a atenção de Kennedy.

Licenciado em Economia pela Universidade de Harvard, em 1939, Tobin obteve o mestrado em 1940 e o doutorado em 1947, mas seria na Universidade de Yale que desenvolveria toda a sua carreira acadêmica, até se aposentar.

Nos anos 60, sugeriu o imposto de renda negativo como método para se alcançar a redistribuição da renda e ao mesmo tempo se manter os incentivos ao trabalho.

Um relatório que escreveu com dois outros membros do conselho dominou o debate público durante décadas. Eles recomendavam metas de pleno emprego, maior competição e uma aplicação mais rígida das leis antitruste, assim como maior investimento em ciência, tecnologia, treinamento e educação.

Em 72, lançou pela primeira vez a ideia de se criar uma pequena taxa sobre as transações financeiras internacionais, conhecida hoje com “taxa Tobin”. O objetivo é evitar que haja uma forte oscilação momentânea em determinado mercado, por ação de especuladores. O economista tinha em mente proteger principalmente países em desenvolvimento, mais vulneráveis a fugas de capitais.

A ação desses especuladores acaba gerando crises com as vistas no mercado financeiro asiático, em 97, e na Rússia, em 98. Discutida há vários anos, até hoje os países ricos não aprovaram a criação da taxa Tobin.

Em 1981, a Real Academia Sueca atribui-lhe o prêmio de Ciências Econômicas em memória de Alfred Nobel – vulgarmente conhecido como Nobel da Economia – pela sua “análise dos mercados financeiros e suas relações com as decisões de despesa, emprego, produção e preços”.

Em 81, a Real Academia Sueca concedeu-lhe o Nobel pelo “trabalho criativo e extenso de análise dos mercados financeiros e suas relações com decisões de gastos, emprego, produção e preços”.

O mercado de trabalho (1947 e 1972), o crescimento econômico (1966), as taxas de câmbio e os fluxos financeiros internacionais (1980 e 1994) foram outros dos temas que ocuparam o trabalho desse economista keynesiano.

James Tobin morreu em 11 de março de 2002, aos 84 anos.

O economista norte-americano Paul Krugman assinou um artigo no jornal The New York Times, em memória de James Tobin, no qual afirmou que o professor de Yale é hoje “provavelmente recordado por ideias que lhe foram raptadas por defensores de pontos de vista políticos, dos quais ele não partilhava”.

“A taxa Tobin tornou-se o tema favorito dos radicais opositores do comércio livre, em especial do grupo francês Attac, que defende o uso da taxa Tobin para eliminar a miséria no Terceiro Mundo. Como Tobin afirmava, o aplauso mais sonoro vem do lado errado”, escreve Krugman.

 

Na época de Tobin, debate econômico era mais honesto

 

James Tobin , professor da Universidade Yale, prêmio Nobel de Economia e assessor de John F. Kennedy, era um excelente economista e um homem notavelmente bondoso. Sua morte parece simbolizar o fim de uma era na qual o debate econômico era a um só tempo mais gentil e muito mais honesto do que hoje.

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Tobin era um desses teóricos da economia cuja influência atinge lugares tão distantes a ponto de tornar seus discípulos pessoas que sequer ouviram falar de seu nome. Era também, no entanto, uma figura pública, e durante muito tempo foi o mais proeminente defensor de uma ideologia que poderíamos denominar keynesianismo de livre mercado, uma crença em que os mercados são bons, mas funcionam melhor caso o governo esteja sempre pronto a conter excessos.

De certa maneira, Tobin era o neodemocrata original. É irônico que algumas de suas ideias essencialmente moderadas tenham sido roubadas por extremistas da direita e da esquerda.

Tobin foi um dos economistas que trouxe a revolução keynesiana para os EUA. Antes parecia haver pouco terreno intermediário, na economia, entre o laissez-faire fatalista e a intervenção governamental pesada, e, já que às políticas do laissez-faire vinha sendo imputada a culpa pela Grande Depressão, era difícil ver como a economia de mercado poderia sobreviver. John Maynard Keynes mudou tudo isso: com o uso sensato das políticas monetária e fiscal, sugeriu um sistema de livre mercado seria capaz de evitar futuras depressões.

O que James Tobin acrescentou às idéias de Keynes? Basicamente, tomou o keynesianismo cru e mecanicista que prevalecia nos anos 40 e o transformou em uma doutrina muito mais sofisticada, que se concentrava nos cálculos de ganhos e perdas que os investidores precisavam realizar entre o risco, o retorno e a liquidez.

 

Rival do monetarismo

 

Nos anos 60, o keynesianismo desenvolvido por Tobin fez dele o mais conhecido oponente intelectual de Milton Friedman, então advogado da doutrina rival (e bastante ingênua) conhecida como monetarismo. A bem da verdade, a insistência de Friedman em que as mudanças na base monetária explicam todos os altos e baixos da economia não resistiu ao teste do tempo. O foco de Tobin, no preço dos ativos como força propulsora por trás das flutuações econômicas, jamais pareceu mais correto. (Friedman é um grande economista, mas sua reputação depende, hoje, de outros trabalhos.)

Tobin talvez seja mais conhecido no presente por duas idéias políticas, ambas “sequestradas”, como ele mesmo dizia, por pessoas de cujas opiniões ele não compartilhava.

Primeiro, Tobin era a força intelectual por trás do corte de impostos adotado no governo Kennedy, que deu início ao boom dos anos 60. A ironia é que hoje em dia os cortes de impostos são em geral elogiados pelos conservadores mais linha-dura, que os encaram como elixir capaz de curar qualquer que seja o mal que nos aflija. Tobin não concordava com isso. Na verdade, participei de um painel de especialistas com ele ainda na semana passada, e ele defendeu com o vigor de sempre que a situação atual da economia requeria um aumento de gastos, e não um corte de impostos.

 

Contra a especulação

 

Segundo, ainda em 1972, Tobin propôs que os governos criassem um imposto modesto sobre as transações financeiras entre países, como maneira de desencorajar a especulação. Encarava esse imposto como uma forma de ajudar a promover o livre comércio, assegurando aos países que eles poderiam abrir seus mercados sem que por isso se expusessem a movimentos perturbadores do chamado “hot money”. Uma vez mais, ironia: a “taxa Tobin” tornou-se um recurso favorito dos adversários radicais do livre comércio, especialmente o grupo francês Attac. Como Tobin declarou, “os aplausos mais ruidosos estão vindo do lado errado”.

 

Por que acredito que a morte de Tobin marca o final de uma era? Considerem apenas aquilo que o conselho de assessores econômicos de Kennedy, o grupo mais talentoso de economistas a servir qualquer governo norte-americano desde Alexander Hamilton, discutiu em suas reuniões. Tobin, inacreditavelmente, era apenas um de três futuros laureados com o Nobel que trabalhou no conselho. Será que seria possível formar grupo semelhante hoje?

Duvido. Quando Tobin foi para Washington, os principais economistas não eram sujeitados a testes de lealdade política e jamais teria ocorrido a algum deles que aceitar o cargo implicaria dizer coisas manifestamente falsas. Preciso prosseguir?

Falei com William Brainard, outro professor de Yale que trabalhava com Tobin, e ele mencionou a fé de seu colega “no poder das ideias”. É uma fé que cada vez mais encontramos dificuldade em sustentar, já que más idéias com poderoso apoio político dominam nosso discurso.

Assim, sinto falta de James Tobin. Lamento não só sua morte, mas o final de uma era quando economistas tão fundamentalmente decentes eram capazes de florescer e até mesmo influenciar a política do país.

(Fonte: http://www.terra.com.br/istoe-temp/1694/datas – DATAS – 12/03/2002)

(Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/dinheiro – FOLHA DE S.PAULO – DINHEIRO – MERCADO – MEMÓRIA / São Paulo, 13 de março de 2002)

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(Fonte: http://noticias.uol.com.br/lusa/ultnot/2002/03/12 – ÚLTIMAS NOTÍCIAS – 12/03/2002)

(Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/dinheiro – DINHEIRO /ARTIGO – MERCADO / Por PAUL KRUGMAN – São Paulo, 13 de março de 2002)

Paul Krugman, economista, é professor em Princeton (EUA). Este artigo foi publicado pelo “New York Times”.

Tradução de Paulo Migliacci

 

 

 

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