Jack Beeson, compositor e professor
Jack Beeson, professor de longa data na Columbia, em 1999. (Crédito da fotografia: cortesia Nicole Bengiveno/The New York Times)
Jack Hamilton Beeson (nasceu em 15 de julho de 1921, em Muncie, Indiana — faleceu em 6 de junho de 2010, em Manhattan, Nova Iorque, Nova York), foi compositor americano mais conhecido por “Lizzie Borden”, sua ópera baseada no famoso caso do assassinato a machado.
Elegante e animado até o fim, o Sr. Beeson foi professor de música na Universidade de Columbia por muitos anos, morou perto do campus em Manhattan e permaneceu ativo lá como professor emérito. Na sexta-feira, ele presidiu uma reunião do Fundo Alice M. Ditson na Universidade de Columbia, que apoia a música americana contemporânea. Ele havia concluído recentemente duas obras, a última, “Kilroy Was Here”, uma composição para barítono e piano de um poema de Peter Viereck (1916 – 2006).
O compositor e autor Nicolas Slonimsky (1894 — 1995) certa vez descreveu a abordagem do Sr. Beeson à composição como “utilitarismo esclarecido”. Essa caracterização encantou o Sr. Beeson, que evitava dogmas, nunca se apegava a nenhum campo e se baseava em qualquer estilo ou técnica que se adequasse aos seus propósitos musicais e dramáticos, especialmente em suas 10 obras operísticas, que incluem “Hello Out There”, “The Sweet Bye and Bye” e “Captain Jinks of the Horse Marines”.
Sua abordagem pragmática foi exemplificada por “Lizzie Borden”, sua quarta ópera, encomendada pela Ópera da Cidade de Nova York durante o mandato de Julius Rudel (1921 – 2014) como diretor geral e que estreou lá em 1965. Ela é baseada no caso de Lizzie Borden, de Fall River, Massachusetts, que foi acusada de matar seu pai avarento e atacar sua madrasta com um machado em 1892.
A ópera do Sr. Beeson é como uma releitura americana do mito de Electra. Com um roteiro compacto de Richard Plant e um libreto eficaz de Kenward Elmslie (1929 – 2022), a ópera se mantém no palco como um drama musical de ritmo firme, envolvente e sutil.
“Pelos padrões do que era mais comum naquela época e do que mais se escrevia sobre”, disse Beeson em uma entrevista ao The New York Times em 1999, “’Lizzie Borden’ era, como todas as minhas óperas, suponho, conservadora, seja lá o que esse termo signifique.”
A trilha sonora transborda com trechos de música expressionista hipercarregada, densamente cromática, às vezes atonal. No entanto, há toques da cultura americana do século XIX, como nas melodias dos hinos para corais infantis e nas canções de salão durante as raras cenas de silêncio doméstico na casa dos Borden. A taciturna Lizzie apresenta solilóquios expansivos nos quais reflete sobre sua vida frustrada, em dívida com um pai severo que nunca a perdoou por ter nascido mulher.
“Lizzie Borden” foi apresentada pela rede National Educational Television em 1967 com o elenco original. Após quase 20 anos sem produções, foi apresentada com aclamação na Glimmerglass Opera em Cooperstown, Nova York, em 1996. Essa produção, dirigida por Rhoda Levine, foi reencenada em 1999 na New York City Opera e transmitida como parte da série de televisão pública “Live From Lincoln Center”.
Jack Beeson nasceu em 15 de julho de 1921, em Muncie, Indiana. Ele estudou piano quando criança e foi atraído pela ópera desde cedo por meio das transmissões de rádio da Metropolitan Opera nas tardes de sábado.
Obteve dois diplomas na Eastman School of Music, em Rochester, e depois mudou-se para Nova York, onde teve aulas particulares com Bartok e estudou piano e regência na Columbia. Na Columbia, foi frequentemente o pianista de ensaio do workshop apoiado pelo Fundo Ditson, que estreou óperas de Menotti (“A Médium”), Virgil Thomson (“A Mãe de Todos Nós”), Ernst Bacon (1898 – 1990) e outros compositores.
Graças a um Prix de Rome e a uma bolsa Fulbright, o Sr. Beeson viveu de 1948 a 1950 em Roma, onde compôs sua primeira ópera, “Jonas”, adaptada de uma peça de Paul Goodman (1911 — 1972). Como costumava apontar para aqueles que o consideravam apenas um compositor de ópera, ele também escreveu cerca de 120 outras peças, incluindo partituras sinfônicas, obras de câmara e canções. O Sr. Beeson ocupou cargos em diversas organizações musicais, entre elas o American Music Center e o Composers Forum.
Jack Beeson morreu no domingo 6 de junho de 2010 em Manhattan. Ele tinha 88 anos.
Sua morte, no Hospital St. Luke’s-Roosevelt, foi causada por insuficiência cardíaca congestiva, disse sua filha, Miranda Beeson.
Além da filha, Miranda, de Manhattan e Greenport, em Long Island, ele deixa a esposa, Nora Beeson. Um filho, Christopher, morreu em um acidente de carro em Long Island em 1976.
(Créditos autorais reservados: https://www.nytimes.com/2010/06/09/arts/music – New York Times/ ARTES/ MÚSICA/ Por Anthony Tommasini – 9 de junho de 2010)
© 2010 The New York Times Company

