Henry Kissinger, costurou o reatamento de relações com a China e o fim da Guerra do Vietña

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Moldou a política externa dos Estados Unidos do pós-guerra

 

Le Duc Tho e Henry Kissinger (Foto: DIREITOS RESERVADOS)

 

Henry Alfred Kissinger (nascido Heinz Alfred Kissinger; Fürth, 27 de maio de 1923), diplomata e secretário de Estado americano que costurou o reatamento de relações com a China e o fim da Guerra do Vietña.

 

 

Admirado na mesma medida em que é odiado, Kissinger cravou seu nome na história como o grande orquestrador da diplomacia americana durante períodos conturbados para a geopolítica mundial, como a Guerra do Vietnã (1955 até 1975). Foi conselheiro de Segurança Nacional entre 1969 e 1973, e secretário de Estado de 1973 até 1977.

 

 

Foi laureado com o prêmio Nobel da Paz em 1973, numa premiação vista por muitos como controversa pela atuação dos EUA no conflito asiático e o envolvimento em turbulências na América Latina. Hoje dono de uma prestigiada consultoria, a Kissinger Associates, o ex-chanceler ainda é visto com frequência na companhia de líderes globais, como o presidente russo, Vladimir Putin.

 

 

Cientista político de Harvard transformado em assessor de segurança nacional, depois em ministro de Relações Exteriores do país aonde chegou imigrante.

 

 

Nascido na Alemanha em maio de 1923, judeu, escapou da perseguição nazista com 15 anos de idade e naturalizou-se americano. No governo, conquistou a mídia com o estilo romântico e misterioso de suas missões secretas concluídas espetacularmente, a grande cultura, o estilo europeu, as histórias picantes a seu respeito, as tiradas espirituosas (desaba sua cadeira num auditório, ele levanta-se e murmura “esta minha maldita mania de chamar a atenção”) e a capacidade de interromper complicadas gestões para assistir a um bom jogo de futebol em Zurique.

 

 

O divertido professor era, havia muito tempo, um sólido conselheiro de candidatos e presidentes, criador de escola de pensamento estratégico, proponente da sofisticada “resposta flexível” em vez da “retaliação maciça” a um ataque soviético. Sua tese de doutorado, um estudo sobre a Europa pós-napoleônica de 1815, usando como referência as personalidades de lorde Castlereagh e Metternich para descrever a emulação entre a Inglaterra e a Áustria, foi publicada com sucesso.

 

 

Os feitos do ministro do presidente Nixon incluem a grande melhoria das relações com a União Soviética, uma détente que levou aos acordos Salt de limitação de armas em 1969; e o desengajamento dos Exércitos da guerra de 1973 entre árabes e israelenses, quando usou da famosa diplomacia de subir num avião e viajar por semanas entre as capitais do Oriente Médio até fechar o acordo entre tantos participantes.

 

 

O realista da Europa, cultor do equilíbrio de poder, inventou a diplomacia triangular entre os Estados Unidos, a URSS e a China, “baseada não em sentimentos mas em constantes estimativas de forças.”

(Fonte: Veja, 4 de março de 1998 – ANO 31 – N° 9 – Edição 1 536 – LIVROS/ Por Heitor Aquino Ferreira – “Diplomacia”, de Henry Kissinger – Pág; 98/99)

 

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Henry Kissinger diz que mundo enfrenta momento “grave”

 

 

Principal orquestrador da diplomacia dos EUA falou ao jornal Financial Times sobre o mundo hoje e disse que Trump representa o fim de uma era

 

O diplomata americano de origem alemã, Henry Kissinger, hoje com 95 anos, se manifestou sobre o estado atual do mundo, que considera enfrentar um momento “muito, muito grave” e que a presidência de Donald Trump marca o fim de uma era.

“Acho que ele é uma dessas figuras da história que surgem para marcar o fim de uma era”, disse ele em uma rara entrevista, concedida ao jornal britânico Financial Times e divulgada no final desta semana. , “mas isso não necessariamente significa que ele saiba disso ou que ele está considerando alguma grande alternativa. Pode apenas ser um acidente”, notou.

 

Inclusive, durante a entrevista, Kissinger tocou em um dos temas mais polêmicos da última semana: o encontro entre o presidente americano, Donald Trump, e Putin, em Helsinque (Finlândia). Trump está sofrendo duras críticas em razão das declarações desastrosas durante a cúpula sobre a interferência russa nas eleições de 2016, constatada por investigações de agências de inteligência americanas.

 

“O encontro precisava acontecer”, disse Kissinger, “e eu advoguei por isso durante anos, mas foi submergido por questões domésticas. Foi uma oportunidade perdida”, notou. Ainda sobre a Rússia, o diplomata notou ser uma característica única do país a forma como é afetado por perturbações em outras partes do mundo, “veja a Síria e a Ucrânia”, vistas como “oportunidades e ameaças” pelo Kremlin.

 

Ainda sobre a Rússia, o ex-chanceler disse que as potências ocidentais erraram ao presumir que a Rússia atuaria no tabuleiro geopolítico segundo as suas regras. “O erro que a OTAN cometeu foi pensar que uma espécie de evolução histórica marcharia pela Eurásia, sem entender que encontraria nesta marcha algo muito diferente da entidade vestfaliana [a ideia ocidental de Estado]. Para a Rússia isso é um desafio para a sua identidade ”, disse Kissinger. “Mas não acho que Putin seja um personagem como Hitler”, emendou.

(Fonte: https://exame.abril.com.br/mundo – MUNDO / Por Gabriela Ruic – 21 jul 2018)

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