Henry Grunwald, jornalista com uma brilhante carreira na Revista Time, oito dos quais como editor-chefe

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Grunwald: de fugitivo a diplomata

Henry Anatole Grunwald (Viena, Áustria, 3 de dezembro de 1922 – Nova York, 26 de fevereiro de 2005), jornalista, editor e diplomata judeu americano

Grunwald – um judeu nascido em Viena em dezembro de 1922, que aos 16 anos teve de fugir da perseguição nazista – foi apresentado em outubro de 1987, nomeado pelo presidente americano Ronald Reagan com suas credenciais como embaixador dos Estados Unidos na Áustria, ao presidente Kurt Waldheim (1918-2007), apertando a mão de um ex-oficial que serviu nos Bálcãs entre 1942 e 1944, quando 3 500 partisans iugoslavos foram exterminados e 43 000 judeus gregos deportados para campos de concentração, e que como cidadão comum estava proibido de entrar nos Estados Unidos.

Grunwald foi até agosto de 1987 o todo-poderoso editor-chefe da Time, a maior revista de informação do mundo, com 4,6 milhões de exemplares vendidos por semana. Depois de 11 anos à frente da revista, foi diretor de todas as publicações do grupo, entre elas, as revistas Fortune, Sports Illustrated, People e Money.

Durante sua gestão, a revista criou várias novas seções, entre elas comportamento, energia, economia e dança. Um dos textos que o consagraram foi o editorial que ele escreveu durante o escândalo de Watergate, pedindo ao presidente Richard Nixon que renunciasse (1973) o que o então presidente faria no ano seguinte.

Embora acostumado a decisões rápidas e fulminantes no trabalho, Grunwald quase recusou a indicação principalmente por causa desse encontro com Waldheim. Conversou com amigos, consultou líderes da comunidade judaica americana e ouviu opiniões que iam do ceticismo ao apoio incondicional.

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Grunwald decidiu aceitar o desafio de voltar para o lugar onde nasceu e de onde foi escorraçado em 1938 por um regime que Waldheim defendia. Para isso, ele antecipou sua aposentadoria compulsória – efetivada em dezembro de 1987 – por completar 65 anos de idade, depois de uma brilhante carreira de 42 anos na Revista Time, oito dos quais como editor-chefe.

Ainda hesitando no manejo do inglês, a língua que ele só começou a aprender aos 18 anos e que falava com sotaque alemão, Grunwald iniciou de baixo, como contínuo – função na qual não se saiu bem por sempre escolher os caminhos mais longos pelos corredores da redação, com o objetivo de ler e, às vezes, até alterar as reportagens antes de passá-las adiante.

Mas essa audácia rendeu frutos. Em 1950, aos 28 anos, ele era o mais jovem editor de toda a história da revista. Em março de 1961, insatisfeito com a qualidade da reportagem de capa – sobre as ansiedades e angústias do século XX -, Grunwald não teve dúvidas: chamou uma secretária, ditou um novo artigo de cinco páginas, remontando, com sua cultura e memória, o texto capenga que acabara de receber.

Como embaixador em Viena, cargo que ocupou até 1990, Grunwald teve pelo menos uma vantagem: seus telegramas, além de bem escritos, foram curtos.

Grunwald morreu aos 82 anos, de falência cardíaca, em Manhattan.

(Fonte: Veja, 26 de agosto de 1987 – Edição 990 -– DIPLOMACIA -– Pág: 60)

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