Helmyr de Hory, considerado um dos maiores falsificadores do século 20 pelas perfeitas imitações de pintores famosos

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Helmyr de Hory (Budapeste, 14 de abril de 1906 – Palma de Mallorca, 11 de dezembro de 1976), pintor húngaro considerado um dos maiores falsificadores do século 20 pelas perfeitas imitações de pintores famosos.

Nasceu Elemer Albert Hoffmann, mas escolheu viver como Elmyr de Hory. Alegava que seu pai era um embaixador austro-húngaro, e que era neto, por parte de mãe, de banqueiro. Na verdade, era filho do mercador Adolf e Iren, judeus, classe média, que se divorciaram quando ele tinha 16 anos e acabaram mortos pelosnazistas.
Respeitando o desejo do artista – também falsificador, é verdade, mas ainda assim artista, portador de uma arte muito particular, a arte dos copistas, vou tratá-lo aqui pelo nome que escolheu.
Elmyr de Hory estudou arte em Munique (Alemanha), na Akademie Heinmann. Em Paris, na Académie de la Grande Chaumière e com o famoso Fernand Léger(cineasta, escultor e pintor cubista, mais tarde considerado um dos precursores daart pop).
Passou duas vezes pela prisão. Na segunda, foi detido num campo de concentração, por ser judeu e homossexual. Foi espancado e transferido para o hospital da prisão, em Berlim. Acabou fugindo e retornando à Hungria, onde soube da morte dos pais e do confisco de seus bens. O que lhe sobrou bastou apenas para o retorno à França.
Elmyr tentou ganhar a vida pintando, mas sua arte copista acabou levando-o a uma reprodução de Picasso, que vendeu a um britânico. Iniciou-se nas falsificações (cópias?!). Da venda ao inglês à venda as galerias foi um saltito.
Como copiava somente estilo e não obras, aliás, como fazia Hans van Meegeren, outro grande falsificador, ficava difícil detectar suas falsificações. Por outro lado, diferentemente de Meegeren, Hory não assinava as pinturas que fazia, o que lhe garantia o argumento de que não falsificava, mas apenas copiava o estilo dos pintores.
Com o passar do tempo Hory até tentou ser usar seu próprio estilo, mas suas obras não lhe rendiam o mesmo que as falsificações. Entretanto, o surgimento de tantas obras novas de grandes pintores começou a causar certo mal-estar. Alguns proprietários de galerias começaram a achar suspeito. Solução?! Novos pseudônimos – Elmyr Herzog, Elmyr Hoffman, E. Raynal, Joseph Dory, Joseph Dory-Boutin, Louis Cassou etc. –, e vendas por remessa postal.
Mas como todos os que têm verdades escondidas por muito tempo, Hory se tornou confiante demais. Em 1950, vendeu um Matisse para o Museu de Arte Fogg, da Universidade de Harvard. Lógico, descobriram a farsa e iniciaram investigações.
Os maus ventos vieram assombrar a vida de Hory. Cinco anos depois do incidente com a Harvard (1955), vendeu diversas falsificações ao comerciante de arte Joseph W. Faulker, que também desconfiou e iniciou um processo federal contra ele. Fugiu para o México. Por lá passou por alguns bons apertos.
Quando retornou aos Estados Unidos descobriu que suas obras tinham valorizado consideravelmente. Inconformado com o que lhe pagavam ante o valor das vendas, indispôs-se com as galerias. Passou a vender litografias de porta em porta.
Voltou a excursionar pelos Estados Unidos quando se associou ao jovem empreendedor Fernand Legros. A sociedade teve alguns contratempos por motivos financeiros – Legros estava lucrando mais que o combinado – , e o início de um relacionamento volúvel do agenciador com um jovem. Mas a associação se manteve em novos parâmetros.
Hory se mudou para Ibiza e continuou pintando. Pelas pinturas recebia um valor mensal fixo. Legros e Lessard (que havia lhe agenciado em tempos anteriores), mantiveram as vendas das obras em Paris.
A clandestinidade exige mais do que se pensa. Aos 58 anos, Hory estava cansado! Suaspinturas começaram a perder em qualidade técnica. Os especialistas em arte começaram novamente a desconfiar e o denunciaram à Interpol. A polícia começou pelos agenciadores: Legros e Lessard. Legros viajou para a Austrália.
As coisas se complicaram e culminaram com a prisão de Legros e Lessard. Hory retornou para Ibiza, disposto a encarar seu destino. Preso por crimes homossexuais e consórcio com criminosos (Legros e Lessard), foi condenado à prisão por dois meses. A Justiça espanhola não conseguiu provar suas falsificações em terras da Espanha, mas acabou por expulsá-lo.
Depois de um ano longe de Ibiza, Hory retornou como celebridade. Sua biografia (fake, lógico), escrita por Clifford – Falso! A história de Elmyr de Hory. O maior falsificador de arte de nosso tempo –, havia estourado. Foi entrevistado pelas televisões espanholas e apresentado a Orson Welles, que acabou roteirizando sua vida fake e filmando o documentário F for fake (1974).
Por fim, o artista e falsificador de pinturas resolveu criar as suas próprias obras, já que o sucesso havia chegado. Mas percebeu que as autoridades francesas tentavam junto ao Judiciário espanhol sua extradição. Já era tarde para Elmyr Hory! Ele já estava cansado.

Ao saber que seria extraditado para a França, onde deveria responder a um processo pela venda de quadros falsos a um milionário texano, tomou uma dose excessiva de barbitúricos, matando-se, dia 11 de dezembro de 1976, aos 65 anos, em Palma de Mallorca.

 

(Fonte: Veja, 22 de dezembro de 1976 – Edição 433 – DATAS – Pág: 82)

(Fonte: http://mol-tagge.blogspot.com.br/2011/04/arte-pintura – MarGGa Duval – 15 de april de 2011)

 

 

 

 

 

 

 

 

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