Gladstone Osório Mársico (Erexim, 5 de abril de 1927 – Porto Alegre, 23 de abril de 1976), advogado e escritor gaúcho. De sua longíqua Erexim, 421 quilômetros de Porto Alegre, Gladstone Mársico se afastou somente para duas coisas: estudar e morrer. Concluídos os estudos em Florianópolis e Porto Alegre, aquele bem-humorado advogado voltou para sua cidade natal – onde montou uma banca –
e para a máquina de escrever, onde atravessava a noite e os fins de semana a criar histórias. A anônima estreia literária de Mársico ocorreu em 1958 com “Minha Morte e Outras Vidas”, um livro de contos. E ele continuou desconhecido quando, quatro anos mais tarde, lançou seu primeiro romance, “Gatos à Paisana”.
Seu terceiro trabalho, porém, “Cogumelos de Outono”, um massudo livro de mais de 700 páginas, publicado em 1972, projetou o escritor como uma das maiores revelações da prosa satírica brasileira. E, em 1974, com “Cágada”, seu talento ficou definitivamente comprovado.
De estilo irônico, chegou a dizer: “Procuro mostrar o lado grotesco das situações, utilizar o humor como elemento de análise de determinados acontecimentos. Encontrar no pitoresco um retrato de aspectos negativos e partir, então, para uma saudável reconstrução dos valores deturpados”.
Do crítico literário, Temístocles Linhares o olhar que avaliou seu trabalho, traduziu-se na expressão: o maior talento satírico da literatura brasileira.
Por sua brilhante trajetória na literatura e destacada participação na vida política, da qual foi vereador também, Gladstone recebeu do Poder Público a justa homenagem de tornar-se o Patrono da Biblioteca Pública Municipal.
No final de abril, Mársico deixou pela última vez Erexim. Levado pela família a Porto Alegre para tratamento de uma progressiva esquizofrenia, o escritor se jogou do 7.° andar de um prédio de apartamento, onde estava hospedado, dia 23 de abril de 1976, aos 49 anos.
(Fonte: Veja, 5 de maio de 1976 – Edição n° 400 DATAS – Pág; 83)
- Gladstone Osório Mársico Patrono da Biblioteca Pública Municipal


