George Soros, multimilionário e megaespeculador dono do Quantum, um grupo de fundos de investimento que aposta pesado no mercado financeiro e tem notável currículo de acerto em suas aplicações

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George Soros: o maior investidor do mundo compra estatais enquanto prega contra o “capitalismo podre.

 

O bilionário George Soros, fundador do Soros Fund Management LLC (Jason Alden/Bloomberg)

 

 

George Soros, multimilionário, megaespeculador americano nascido na Hungria em 12 de agosto de 1930, embora tenha negócios diversificados no mundo todo, inclusive no Brasil, o grosso da fortuna de Soros vem do Quantum, um grupo de fundos de investimento que aposta pesado no mercado financeiro e tem notável currículo de acerto em suas aplicações.

O empresário húngaro-americano George Soros é um dos mais renomados investidores e filantropos do mundo.

Ele ganhou sua fortuna por meio de especulação financeira, mas investiu bilhões de seu próprio dinheiro para bancar projetos de defesa dos direitos humanos e iniciativas de promoção de valores democráticos liberais ao redor do mundo.

Soros, um empresário que é mega em tudo: gênio das finanças, o maior investidor do mundo, podre de rico, filantropo, obsessivo, arrogante como ninguém e imbuído da missão de mudar o mundo – se preciso, sozinho.

 

 

Primeiros anos

 

 

Soros é filho de uma rica família judia de Budapeste que, munida de documentos falsos, atravessou a II Guerra Mundial incólume. Em 1947, ele foi estudar na Inglaterra e, nove anos depois, emigrou para os Estados Unidos, onde se naturalizou e fez fortuna.

 

Filho de um advogado, George Soros nasceu em 1930 em Budapeste. Ele e sua família sobreviveram à ocupação nazista na Hungria se separando e comprando documentos falsos que escondiam sua religião.

 

Aos 17 anos, Soros se mudou para a Inglaterra, onde fez faculdade e, depois, pós-graduação, na London School of Economics. Ao mesmo tempo, ele fazia bicos como carregador de malas de uma ferrovia e garçom de boates.

Ele também estudou com o filósofo Karl Popper, mais conhecido como grande defensor da democracia liberal no pós-guerra. A concepção de “sociedade aberta” de Popper se tornou uma profunda influência na ideologia de Soros.

Sua organização de filantropia é a segunda do mundo nessa área, perdendo apenas para a de Bill Gates, fundador da Microsoft (Foto: Getty Images / BBC News)

Carreira de investidor

 

 

Depois de trabalhar com investimentos em um banco de Londres, Soros emigrou para os Estados Unidos, em 1956.

Passou alguns anos trabalhando em empresas de Nova York antes de fundar seu próprio fundo de investimentos, em 1970.

O fundo Soros Management, que depois trocaria de nome para Fundo Quantum, era conhecido por investimentos agressivos e por seu alto retorno financeiro.

A empresa ganhou notoriedade por suas especulações flexíveis e de curto prazo no mercado financeiro global. Esse sucesso fez de Soros um dos homens mais ricos do mundo e cimentou sua fama no mercado de investimentos.

Ele ficou conhecido como “o homem que quebrou o Banco da Inglaterra” em 1992, quando ganhou cerca 1 bilhão de libras apostando “contra” a libra esterlina, a moeda corrente no Reino Unido.

Em 16 de setembro, no dia conhecido como “Quarta-feira Negra”, o Tesouro britânico perdeu bilhões em reservas, forçando a retirada da libra do Mecanismo Europeu de Taxas de Câmbio.

Foi graças a esse e outros tipos de investimento semelhantes que Soros consolidou sua imagem de principal investidor em moeda no mundo.

A façanha mais notória de Soros, sinônimo de investidor agressivo e certeiro, aconteceu em 1992, quando, indo contra a corrente, previu a desvalorização da libra esterlina.

Comprando e vendendo na hora certa, faturou para seu rentabilíssimo fundo de investimento, o Quantum, uma espantosa montanha de dinheiro calculada entre 1 e 2 bilhões de dólares.

Dois terços de seu tempo são dedicados à promoção “da democracia e das ideias” por meio dos institutos Open Society – nome que tomou emprestado de Karl Popper (1902-1994), o filósofo da “sociedade aberta”, autônoma e livre pensante, com quem teve aulas e se encantou na juventude.

Seu alvo preferencial são Rússia e Europa Oriental, embora tenha expandindo-se para a África e em 1996 aberto a primeira representação latino-americana, na Guatemala.

 

E foi com esse tipo de investimento que recebeu acusações de ter, por exemplo, ajudado a criar a crise financeira da Ásia em 1997, quando a moeda tailandesa entrou em colapso, contagiando a economia da região.

O então primeiro-ministro da Malásia, Mahathir Mohamad, criticou duramente “especuladores inescrupulosos” e apelou por medidas que coibissem a negociação “imoral” de moedas.

Soros esteve no centro dessas críticas, mas outros investidores tinham feito apostas bem mais polpudas contra a moeda tailandesa do que a empresa do investidor húngaro-americano.

Filantropia

 

 

O gestor do fundo milionário começou a se afastar do controle diário de sua empresa durante os anos 1990 e passou a se dedicar a projetos de filantropia.

Inicialmente, começou a oferecer bolsas de estudo para alunos negros durante o apartheid, regime de segregação racial entre brancos e negros na África do Sul. Ao mesmo tempo, gastou bilhões de dólares bancando projetos de livre mercado em todo o mundo.

Durante o colapso do comunismo no início dos anos 90, Soros incentivou o intercâmbio cultural entre os países do Leste europeu e da Europa ocidental.

A Fundação Open Society, de Soros, agora banca projetos em mais de 100 países e 37 escritórios regionais.

 

A organização diz que seu foco é construir “democracias vibrantes e tolerantes cujos governos são responsáveis e abertos à participação de todas as pessoas”.

Em 2017, enquanto era eleito a 29º pessoa mais rica do mundo pela revista Forbes, descobriu-se que ele havia transferido US$ 18 bilhões (cerca de R$ 59 bilhões), ou 80% de sua fortuna pessoal, para a organização Open Society.

Segundo, seu objetivo é usar sua independência financeira para lutar contra os “problemas mais intratáveis do mundo”.

A Open Society continua financiando várias iniciativas de defesa dos direitos humanos ao redor do mundo, incluindo campanhas de movimentos LGBT e por direitos de grupos ciganos.

 

Soros rateia boa parte de sua fortuna nos institutos Open Society, que patrocinam projetos educativos e culturais em países pobres e, ultimamente, apoiam a discriminação da maconha. Também investe na promoção na democracia no Leste Europeu.

Apesar das decepções intelectuais e da sangria da benemerência desenfreada, Soros continua ganhando dinheiro – seu patrimônio pessoal é calculado entre 2 e 5 bilhões de dólares.

O Quantum, com 11 bilhões de dólares para investir e retorno médio de 35% ao ano, exibe o melhor desempenho a longo prazo na sua área de atuação.

No mercado imobiliário, seu grupo Irsa é hoje o maior proprietário de imóveis na Argentina e atua no Brasil em parceria com a construtora Cyrela.

Soros também é sócio minoritário da Vale do Rio Doce, onde entrou com 100 milhões de dólares no consórcio vencedor do leilão de privatização.

 

 

Política e críticas

 

 

Nos últimos anos, Soros manteve-se presente em discussões sobre economia global e política. Isso tem feito com que ele seja criticado por nacionalistas, que o classificam como “bicho-papão da esquerda”.

Na Europa, ele criticou a crise da dívida pública da zona do euro e, no auge da crise dos refugiados, prometeu auxílio generoso a grupos que se dispusessem a ajudar imigrantes.

Essas ações fizeram com que Soros entrasse em rota de colisão com o primeiro-ministro de seu país de origem, o húngaro Viktor Orban.

Em 2017, o governo da Hungria chegou a financiar outdoors que demonizavam George Soros. A organização do empresário decidiu retirar seus escritórios do país, alegando que havia um ambiente “cada vez mais repressivo”.

A Open Society também doou centenas de milhares de libras para o grupo Best for Britain, organização que tentava impedir que o Reino Unido saísse da União Europeia – mas, em plebiscito, o Brexit acabou tendo maioria dos votos.

Em 2015, a fundação de Soros foi banida da Rússia, que a classificou como “indesejável” por causa de seu “risco para a segurança e a ordem constitucional”.

George Soros, o megainvestidor bilionário que virou alvo de militantes brasileiros

Um dos maiores investidores do mundo, Soros é acusado de promover pautas da ‘esquerda’, como a defesa dos direitos humanos, e políticas para a comunidade LGBT.

Ataques e conspirações

 

No Brasil, Soros, que em 2017 era visto com desconfiança pela esquerda por sua atuação como especulador em moedas internacionais, também é criticado por ativistas de direita, que o acusam de ser “esquerdista” por financiar ONGs de defesa de direitos humanos, como os institutos Sou da Paz e Igarapé, e veículos de investigação jornalística, como a Agência Pública.

O Movimento Brasil Livre (MBL) recentemente fez várias críticas à Open Society, organização de filantropia de Soros. Em vídeo publicado em 2017, um dos coordenadores do grupo, o pré-candidato a deputado federal Kim Kataguiri, afirmou que a entidade financia ONGs de esquerda.

 

Soros também é um dos principais doadores do Partido Democrata americano. Ele apoiou as candidaturas de Barack Obama e de Hillary Clinton, e classificou o presidente Donald Trump como um “impostor”.

Teóricos da conspiração e especialistas de direita acusam Soros de secretamente estar por trás de vários eventos políticos nos Estados Unidos e no mundo.

Eles alegam que Soros teria recrutado ativistas de uma marcha de mulheres anti-Trump e até de ter organizado atos de violência em Charlottesville (nos notórios episódios de violência na marcha de grupos racistas realizada na cidade americana) para minar a direita do país. O episódio da cidade americana de Charlottesville, em agosto do ano passado, foi marcado pela violência de supremacistas brancos que realizaram uma marcha e entraram em confronto com a polícia e militantes antirracistas – resultando na morte de uma pessoa.

Há quem diga que as teorias da conspiração em torno da organização de Soros lembram bordões usados na Alemanha nazista, incriminando banqueiros judeus que supostamente queriam criar uma “nova ordem mundial”.

Vida pessoal

 

George Soros se casou três vezes.

 

Ele teve três filhos com sua primeira mulher, a alemã Annaliese Witschak.

O casal se separou em 1983, ano em que ele se casou pela segunda vez, com Susan Weber. Ficaram juntos até 2005, e tiveram dois filhos.

Soros se casou pela terceira vez em 2013. Sua mulher, Tamiko Bolton, é 42 anos mais jovem que ele.

Além dos fundos de investimento e da filantropia, Soros também gastou dinheiro com equipes de esporte. Em 2012, ele adquiriu uma pequena parcela do clube inglês Manchester United.

“Meu lema é investir antes e investigar depois”, garante.

(Fonte: Revista Veja, 13 de agosto de 1997 – ANO 30 – Nº 32 – Edição 1508 – Internacional / Por Lizia Bydlowski – Pág: 40/41)

(Fonte: https://www.terra.com.br/economia – ECONOMIA – 4 JUN 2018)

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