George Eliot, escritora autodidata britânica de nome verdadeiro Marian Evans

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Senhora valente

Eliot: “deliciosamente horrorosa”, sim, mas com cérebro poderoso

Eliot foi “o espírito e a mente do século 19”.

George Eliot (Nuneaton, Warwickshire, 22 de novembro de 1819 – Londres, 22 de dezembro de 1880), era o pseudônimo de Marian Evans, foi uma das maiores escritoras vitorianas.

Feia, sarcástica e com pseudônimo de homem a escritora tinha tudo para dar errado – mas deu certo.

Em meados do século 19, as mulheres invadiram o mercado literário pela primeira vez. Calcula-se que três quartos da ficção publicada ne Europa e nos Estados Unidos entre 1850 e 1860 foram de autoria feminina. Para escapar do fogo, muitas recorriam ao pseudônimo masculino. Assim foi com Marian Evans, moça culta e de “mente robusta”, como gostava de se descrever. Ao estrear na ficção, em 1857, Marian achou prudente mudar de nome. E então fez nascer George Eliot.

Marian Evans é autora de Middlemarch considerada um dos maiores romances do século 19. Nascida em novembro de 1819, em Chilvers Coton, Warwickshire, a autora de Middlemarch viveu na “era vitoriana”. Batizada em homenagem à rainha Vitória (fã de Eliot, por sinal), essa época é normalmente descrita como “dual”, ou seja, dividida entre impulsos contraditórios de repressão e emancipação. Ninguém encarnou melhor essa ambiguidade do que George Eliot. Especulação difícil de provar.

Para os dilemas da “condição feminina”, Eliot é uma figura emblemática. Ela foi surpreendida “entre a ousadia de sua vida particular e a dificuldade de transformar essa ousadia em ações e declarações públicas”.

Quanto à ousadia, basta lembrar que Eliot encontrou a alegria no escândalo. Juntou-se ao jornalista George Lewes, casado e pai de família, e com ele “viveu no pecado”. Ambos formam um dos mais célebres e feiosos casais literários da história: ela, “deliciosamente horrorosa”; ele, apelidado de “Macaco” pelos amigos. Até hoje, entretanto, certas críticas lamentam que Eliot não tenha sido feminista mais raivosa.

Também é ressalta a exuberante inteligência de Eliot. Antes de chegar à ficção ela traduziu do alemão, escreveu ensaios e trabalhou como subeditora do renomado jornal The Westminster Review. Foi ali que publicou, em 1856, o ensaio Romances Tolos por Senhoras Romancistas. No melhor estilo “masculino”, ela zombava das escritoras melosas e indicava o que faria ao investir na ficção. Eliot é o protótipo do “romancista como pensador”: seus livros são meio para conhecer o mundo. Ela é também um dos raros escritores em que a moral se mistura à estética sem corroer esta última.

Patricinha mimada — Publicado em 1871, Middlemarch é considerado o auge da arte de Eliot. Graças a ele, o crítico inglês F.R. Leavis (1895-1978), o mais influente nesse idioma na primeira metade do século 20, incluiu a autora em sua Grande Tradição, da qual só constam outros quatro escritores — Jane Austen (1775-1817), Henry James (1843-1916), Joseph Conrad (1857-1924) e D.H. Lawrence (1885-1930). O livro é uma brilhante representação da vida de província na Inglaterra de 1830. Mas é também um estudo notável e nem um pouco datado sobre o casamento, com personagens memoráveis como Causabon, intelectual estéril como um osso, o ambicioso Lydgate e Dorothea, a heroína cheia de aspirações.

Daniel Deronda é mais complicado e também mais controvertido. Temos aqui, novamente, um retrato de sociedade estrelado por Gwendolen Harleth, patricinha mimada que terá de se educar num casamento infeliz. Mas encontramos também algo novo: a história de Daniel Deronda, jovem inglês em busca de suas raízes judaicas. Desde o lançamento do livro, em 1876, esse “romance étnico” incomodou os leitores. O crítico F.R. Leavis chegou a dizer que toda a parte referente a Deronda deveria ser expurgada. O problema dessa crítica é que, além de racista, considera supérflua a complicada estrutura da obra, na qual Eliot trabalhou arduamente. Ora, Daniel Deronda é cheio de alegorias, digressões e jogos de referência. Com esses elementos, a engenhosa Eliot rompeu a moldura do realismo, abrindo caminho para a arte que viria depois.
(Fonte: Veja, 11 de março de 1998 –- Ano 31 -– N° 10 – Edição 1537 -– LIVROS/ Por Carlos Graieb – Pág; 112/113)

 

 

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Mary Ann Evans, conhecida pelo pseudônimo de George Eliot (1819-1880) foi uma das maiores escritoras vitorianas. A escritora optou por adotar um pseudônimo masculino para ter certeza de que seu trabalho seria levado a sério. Na época, muitas autoras publicavam livremente com os próprios nomes, porém Eliot não queria ser reconhecida apenas como uma mera escritora de romances. Outro fator que contribuiu para tal escolha, foi o desejo de manter sua privacidade e evitar escândalos devido ao seu relacionamento com George Henry Lewes (filósofo e crítico literário inglês).

Biografia

Mary Ann Evans (George Eliot) nasceu em Chilvers Coton, Warwickshire. Seu pai, no início, era um carpinteiro, porém mais tarde se tornou um agente imobiliário. Ela foi educada em casa e em diversas escolas e desenvolveu uma forte devoção evangélica. No entanto, mais tarde Eliot entra em contato com teologias mais liberais e rejeita sua fé dogmática.

Quando sua mãe morreu em 1836, ela passou a cuidar da casa e em 1841 se mudou com seu pai para Conventry, onde viveu com ele até que ele morresse em 1849. Depois da morte de seu pai, Eliot viajou pela Europa e finalmente conseguiu um emprego como sub-editora da Westminster Review.

Sob o controle de George Eliot, a Westminster Review foi um sucesso. Ela se tornou o centro de um círculo literário que tinha como um dos membros George Henry Lewes, que foi seu companheiro até a morte dele em 1878. Lewes era casado mas sua esposa era mentalmente desequilibrada e já tinha tido dois filhos com um outro homem. A união não convencional dos dois causava algumas dificuldades, mas Lewes não tinha como obter o divórcio pois sua mulher se recusava. Em1854, Eliot foi para Alemanha com Lewes.

A primeira coleção de contos de George Eliot, Scenes Of Clerical Life, foi publicada em 1858 na Blackwood”s Magazine e foi muito bem recebida, lançando a escritora na carreira romancista. Logo depois, foi lançado seu primeiro romance chamado Adam Bede, uma história de amor trágica em que o modelo para o personagem do título foi seu pai. O livro foi um sucesso. Outros grandes trabalhos de Eliot foram The Mill On The Floss (1860) e Silas Marner (1861). Middlemarch (1871-72) foi seu romance mais importante e foi, provavelmente, inspirada pela época em que viveu em Coventry. Neste livro, Eliot leva o leitor a um labirinto das convenções morais do século XIX na medida em que Dorothea Brooke (personagem do livro) procura se sentir feliz e realizada apesar de suas frustrações sexuais e intelectuais.

Em 1860-61 Eliot passou um tempo na Itália coletando material para seu romance histórico Romola que foi publicado primeiro em séries na Cornhill Magazine e depois, em 1863, em forma de livro. Em 1876 ela publicou Daniel Deronda.

Dois anos depois da morte de Lewes, Eliot se casou com um amigo vinte anos mais novo, John Cross, no dia 6 de maio de 1880. Depois da lua de mel em Veneza, eles voltaram para Londres onde George Eliot morreu aos 61 anos de idade e foi enterrada no cemitério Highland em Londres.

(Fonte: http://www.letras.ufrj.br – A vida de George Eliot / Por Carina Fleckner Pereira)

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