Freeman Dyson, matemático e físico teórico de renome mundial, criador da “Esfera de Dyson” e, uma das mais importantes vozes a alertar o mundo sobre os perigos das armas nucleares

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Físico criador da ‘Esfera de Dyson’ 

 

Dyson ganhou a Medalha Max Planck e o Prêmio Templeton por seus trabalhos

 

Freeman Dyson, lendário físico teórico. (Foto: National Geographic / DIREITOS RESERVADOS)

 

 

Freeman John Dyson (Crowthorne, Reino Unido, 15 de dezembro de 1923 – Princeton, 28 de fevereiro de 2020), físico e matemático, renomado cientista, intelectual e acadêmico, foi uma das mais importantes vozes a alertar o mundo sobre os perigos das armas nucleares.

 

Dyson era reconhecido pelos seus colegas na ciência principalmente pelos seus trabalhos em eletrodinâmica, tendo como uma de suas principais obras sua teoria de Eletrodinâmica Quântica (QED) que, para muitos, é um trabalho digno de um prêmio Nobel. A pesquisa, que foi publicada em 1949, nos ajudou a compreender melhor como a luz molda nosso mundo visível, entre outros avanços que servem de base para trabalhos em física e matemática até hoje.

 

A fama do físico, no entanto, não se resumia à academia. Seus trabalhos mais teóricos e “futuristas” alcançaram o grande público, servido de inspiração para inúmeras obras da ficção científica. Dyson é o criador da famosa “Esfera de Dyson”, um modelo teórico que argumenta que seria possível construir uma esfera artificial em torno de uma estrela para aproveitar a energia emitida por ela, basicamente transformando o astro numa bateria colossal. A ideia chegou a aparecer em um episódio da série Jornada nas Estrelas.

 

Dyson sempre se posicionou de maneira que a ciência pode resolver os principais problemas da humanidade, inclusive os trazidos por ela mesma. Seu posicionamento é que árvores geneticamente modificadas poderiam ser a solução para o excesso de gás carbônico na atmosfera, por exemplo. Não só isso, em seus trabalhos mais teóricos, ele argumenta que a humanidade poderia chegar num ponto em que criaria árvores modificadas capazes de crescer num cometa, por exemplo, e ajudar na reformulação de meios ambientes no espaço, para auxiliar os humanos em sua exploração espacial.

 

Criador da “Esfera de Dyson”, ele ganhou notoriedade com o estudo da eletrodinâmica quântica e através de obras especulativas sobre civilizações extraterrestres.

 

A “Esfera de Dyson” conquistou fãs de ficção científica em todo mundo. O conceito de uma mega-estrutura hipotética que engloba completamente uma estrela para capturar uma grande parte de sua energia chegou a ser usado em um episódio da série Jornada nas Estrelas – A Nova Geração.

 

A ideia foi apresentada em um artigo publicado em 1960 e acabou se tornando popular entre astrofísicos e entusiastas. Enquanto advogava pelo investimento em energia limpa na Terra, Dyson propôs que os astrônomos que procuravam vida inteligente no espaço estivessem atentos ao calor que irradiava de sóis ocultos

Conhecido por suas ideias arrojadas sobre o futuro da humanidade, ele foi um pesquisador vocal sobre os perigos das armas nucleares.

 

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Nascido na Inglaterra, Dyson passou a maior parte da sua carreira e vida nos EUA, trabalhando no Instituto para Estudo Avançado, em Princeton – mesma instituição que acolheu Albert Einstein depois que ele deixou a Europa, em 1933.

 

Visionário, ele talvez seja mais conhecido pelo conceito da esfera de Dyson, uma hipotética construção a ser promovida por civilizações avançadas para capturar grande parte da energia de sua estrela-mãe, ao envelopá-la em um conjunto imenso de painéis solares. Dyson deu popularidade à ideia em 1960, ao sugerir uma busca por estruturas desse tipo por meio do inevitável excesso de radiação infravermelha que gerariam.

 

Diversas buscas foram promovidas desde então, realizadas com satélites-observatórios de infravermelho, mas até hoje nenhum objeto que pudesse ser de forma inequívoca ser interpretado como uma esfera de Dyson foi encontrado. Ao que tudo indica, o interesse na Via Láctea pela construção de esferas de Dyson é praticamente nulo – se é que há alguma civilização avançada lá fora que pudesse se interessar por elas. Aqui na Terra, ainda temos um longo caminho a percorrer no desenvolvimento da engenharia espacial até que possamos cogitar construir algo parecido.

 

O que mostra o poder da mente de Dyson, um visionário que projetou ideias para o futuro que, por mais enraizadas que estivessem na realidade, sempre se mantiveram dois passos mais perto da ficção científica. O físico também imaginou maneiras de espalhar a vida pelo Universo por meio da criação de seres capazes de viver em outros planetas ou mesmo cometas, através da engenharia genética.

 

Dyson também participou, nos anos 1950, de um projeto para transformar armas nucleares numa forma de propulsão para voos interplanetários e talvez até interestelares. Era uma tentativa de transformar as nefastas bombas atômicas em algo positivo.

 

De início, por sinal, Dyson não se sentiu mal com o uso de bombas atômicas no fim da Segunda Guerra Mundial. Mais tarde, junto com o resto da comunidade científica, ele percebeu o problema que essas armas representavam. Em 1967, Dyson escreveu um relatório que, apesar de objetivo e representar prós e contras, levou à decisão americana de não usar armas nucleares táticas na Guerra do Vietnã (a qual, por sinal, ele se opôs). Vocal até o fim, Dyson foi um dos 29 cientistas de renome que assinaram uma carta de apoio ao acordo do governo Obama com o Irã para conter seu programa nuclear.

 

Algumas das ideias mais futuristas de Dyson podem parecer difíceis de se imaginar ou de um dia se tornarem possibilidade, mas o próprio cientista alertava para não confundirem “abstrações matemáticas” com uma “verdade absoluta”. O acadêmico gostava de trabalhar com possibilidades e previsões tanto quanto com modelos mais concretos e artigos práticos, que ele escreveu até o fim de sua vida. Tanto que Dyson estava num café dentro do Instituto para Estudos Avançados em Princeton, quando se sentiu mal e foi hospitalizado pela última vez.

Homem de grandes ideias, Dyson se manteve ativo até o fim, escrevendo livros e visitando regularmente seu escritório na Universidade de Princeton. Na última dessas passagens por lá, na quarta-feira (26), Dyson sofreu uma queda, segundo sua filha Mia. O impacto o levaria à morte dois dias depois.

 

Freeman Dyson faleceu em 28 de fevereiro de 2020, aos 96 anos, num hospital perto de Princeton.

 

Dyson deixa para trás sua mulher de 64 anos e seis filhos – além de sua vasta obra, digna de um dos mais fantásticos livre-pensadores do século 20.

(Fonte: https://br.noticias.yahoo.com – NOTÍCIAS / Por SALVADOR NOGUEIRA / SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) / Folhapress – 28 de fevereiro de 2020)

(Fonte: https://www.midiamax.com.br/midiamais/famosos/2020 – FAMOSOS / Por Bruna Vasconcelos – 28/02/2020)

(Fonte: https://mundoconectado.com.br/noticias – The New York Times / Por João Gabriel Nogueira – 29/02/2020)

João Gabriel Nogueira

João Gabriel Nogueira se formou em jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) em 2015 e curte games desde muito antes. Começou com o Master System e o gosto pelos jogos eletrônicos trouxe o gosto pela tecnologia. Escrever notícias e análises de jogos, hardware e dispositivos móveis para o Adrenaline e o Mundo Conectado, além de trabalho é uma alegria e um aprendizado.

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