Francisca Xavier Queiroz de Jesus, atriz conhecida como Chica Xavier, ganhou destaque por seu trabalho em novelas como “Sinhá Moça” e “Renascer”

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Majestosa, Chica Xavier foi a grande dama negra das novelas

Atriz nascida em Salvador, ficou conhecida por seu trabalho em novelas como Sinhá Moça e Renascer

Os papéis de escrava e empregada nunca representaram empecilho para o talento de Chica Xavier. (Foto: Divulgação / TV Globo)

 

 

Francisca Xavier Queiroz de Jesus, atriz conhecida como Chica Xavier, soube se agigantar sem cena mesmo com as limitações de papéis coadjuvantes. Poucas personagens da teledramaturgia brasileira exalaram tanto amor maternal quanto a escrava Bá de Sinhá Moça, da Globo. Na versão de 1986, o papel coube a Chica Xavier.

 

Aquela negra sofrida, que teve o único filho tirado de seus braços e vendido pelo inescrupuloso barão da casa onde trabalhava, era a mãe postiça da protagonista, vivida por Lucélia Santos. Alimentou a sinhazinha com o leite materno que não pôde dar ao próprio filho.

Apesar da dor na alma, ela jamais se revoltou. Não se tratava do conformismo associado à submissão do negro domesticado do Brasil escravagista, e sim de resiliência e bondade. Com Bá, Chica Xavier fez o telespectador se comover e sentir compaixão. A atuação transcendia a tela da TV.

Assim fazia a nobre artista: pegava uma personagem supostamente pequena e a transformava em destaque da trama. Isso aconteceu inúmeras vezes em sua trajetória de 44 anos diante das câmeras.

Chica Xavier como Bá, ao lado de Lucélia Santos, em Sinhá Moça. (Foto: Reprodução)

Como esquecer a realista Marlene de Dancin’Days (1978), a destemida Júlia de Fera Radical (1988), a protetora Inácia de Renascer (1993) e a sábia Mãe Setembrina de Duas Caras (2007)?

 

Por força de sua negritude e da estereotipação vigente na televisão, a atriz fez incontáveis papéis de empregada. Contudo, o que seria limitador virava um desafio com resultado surpreendente. Abastecida de emoção e verdade, Chica Xavier entrava em cena e impunha seu talento.

Mais do que uma grande atriz, ela foi uma personalidade de valor imensurável na luta contra a discriminação racial na TV e na vida real. Fazia militância sem alarde, pautada por suas experiências de reação ao preconceito e pelas muitas vitórias em sua carreira exemplar.

Quase uma década atrás, em entrevista para a TV Boa Vontade, dona Chica Xavier — uma das últimas grandes damas da teledramaturgia nacional — revelou o segredo da vida feliz. “Amor. A base de tudo para mim é o amor. Amor entre amigos, amor entre colegas, amor de família. Se você conseguir gerar amor, sem depender do laço de sangue, é a coisa mais maravilhosa que existe.”

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Nascida na cidade de Salvador, Chica ficou conhecida por seu trabalho em novelas como Sinhá Moça e Renascer e ganhou destaque como atriz de teatro, cinema e TV.

Chica Xavier mudou-se para o Rio de Janeiro em 1953, aos 21 anos, com o sonho de se aprofundar na arte. O companheiro de uma vida foi o também ator Clementino Kelé, com quem no último mês de julho completou 64 anos de casada. Começaram este matrimônio justamente no mesmo ano de 1956 que encenaram a primeira peça de suas carreiras: Orfeu da Conceição, de Vinícius de Moraes.

No total foram 26 novelas feitas pela atriz na TV Globo, além de 11 minisséries e 10 programas especiais. A primeira delas foi ‘Os Ossos do Barão’, quando interpretou a personagem Rosa, em 1973. A novela marcou o início da carreira dela na TV. Desde então, foram mais de 50 personagens só na televisão. Esteve presente em outras novelas, como ‘Pátria Minha’, ‘Cara & Coroa’, ‘Rei do Gado’, ‘Força de um Desejo’. O trabalho mais recente na emissora foi na novela ‘Cheias de Charme’, em 2012.

Ela atuou em mais de 40 papéis nas últimas cinco décadas na televisão brasileira. Um de seus personagens mais marcantes foi o de Magé Bassã, da minissérie Tenda dos Milagres (1985), da Globo. Ela atuou ao lado de Sônia Braga em A Força do Desejo, em 1999, e sua última participação foi em Cheias de Charme (2012), ambas da Globo.

Chica também marcou época nas telonas com 11 filmes, entre eles O Assalto ao Trem Pagador, de 1962, dirigido por Roberto Farias, considerado um clássico do cinema brasileiro.
Em 2010, recebeu o Troféu Palmares concedido pelo MINc, através da Fundação Cultural Palmares, pelo trabalho de preservação e incentivo à cultura afro-brasileira. Em 2011, foi homenageada ao dar o nome ao Centro Cultural Atriz Chica Xavier do projeto. No Palco da Vida, que também abriga o acervo de sua brilhante carreira no Teatro, TV e Cinema. Já em 2013 a biografia “Chica Xavier: Mãe do Brasil” foi lançada. Escrita por Teresa Montero, o livro registra toda trajetória desse ícone da dramaturgia brasileira.

Chica Xavier era casada há 64 anos com o também ator Clementino Kelé, 94, ambos nascidos em Salvador. Ela deixa, a neta Luana Xavier, que apresenta o programa “Viagem a Qualquer Custo”, no Multishow, e o neto Ernesto Xavier, ator e jornalista.

 

Recentemente, em uma entrevista, ela foi simples e direta sobre a relação com o marido:

— Sou Chica Xavier, mas mais do que isso, eu sou Chica de Kelé.

Chica Xavier faleceu em 8 de agosto de 2020, aos 88 anos. Ela tinha um câncer e estava internada no Hospital Vitória, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro.

(Fonte: https://gauchazh.clicrbs.com.br/cultura-e-lazer/noticia/2020/08 – CULTURA E LAZER / NOTÍCIA / CELEBRIDADES / SÃO PAULO, SP (FOLHARPESS) – 08/08/2020)

(Fonte: https://gauchazh.clicrbs.com.br/cultura-e-lazer/tv/noticia/2020/08 – CULTURA E LAZER / TV / NOTÍCIA / GAÚCHAZH – 08/08/2020)

(Fonte: https://www.terra.com.br/diversao/tv – DIVERSÃO / TV / BLOG SALA DE TV / Por Jeff Benício – 8 AGO 2020)

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