Foi uma das primeiras escritoras a serem aceitas no Instituto Nacional de Artes e Letras

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Foi uma das primeiras escritoras a serem aceitas no Instituto Nacional de Artes e Letras

Mary Eleanor Wilkins Freeman – A voz da mulher no realismo norte-americano

Mary Wilkins Freeman usou seu mundo e sua vida para retratar a condição feminina na Nova Inglaterra do final do século XIX.

Mary Eleanor Wilkins Freeman tornou-se uma cronista da vida rural da Nova Inglaterra

Mary Eleanor Wilkins Freeman tornou-se uma cronista da vida rural da Nova Inglaterra

 

A Guerra Civil Norte-Americana (1861-1865), entre os estados industrializados do norte e o sul agrícola e escravocrata, foi um divisor de águas na história e na literatura do país. Após um período de estagnação, o crescimento da economia, a expansão do território em direção ao oeste selvagem, a chegada de milhões de imigrantes e o aumento da industrialização – entre outros aspectos relevantes – criaram a situação apropriada para o surgimento de uma nova escola literária: – o Realismo – e com ela a valorização da voz nacional, representada pelo regionalismo.

Tendo como foco um espaço geográfico ou uma localidade específica, as obras regionalistas se propunham a realçar a “cor local”, a valorizar características e aspectos únicos de cada região. Reconhecidamente uma das mais importantes autoras do período pós-Guerra Civil, Mary Eleanor Wilkins Freeman tornou-se uma cronista da vida rural da Nova Inglaterra, trazendo para seus romances e contos não apenas as características mais autênticas de sua sociedade, mas também as tensões e os embates que modelaram a relação entre a América em processo de modernização e a cultura e economia dos estados agrícolas e das comunidades rurais da Nova Inglaterra.

Nascida em 1852, na cidade de Randolph, Massachusetts, Mary cresceu familiarizada com as dificuldades financeiras e com a rigidez da educação calvinista que marcam as vidas da maioria das suas personagens: após a falência do armazém do pai, os Wilkins tiveram que se mudar para o alojamento dos empregados da casa onde a mãe de Mary trabalhava como criada. A posterior mudança para Brattleboro, Vermont, não trouxe à família a estabilidade econômica desejada; assim, após a morte dos pais, Mary retornou à cidade de Randolph, passando a morar com sua amiga de infância, Mary John Wales. Essa amizade se prolongou por toda a vida; com o incentivo da amiga, Mary dedicou-se à literatura como meio de sustento.

A carreira literária, cujas primeiras tentativas, na adolescência, haviam se limitado às poesias e histórias infantis, deslanchou quando Mary encontrou um mercado pronto para suas representações realistas da vida na região da Nova Inglaterra. Os mais de duzentos contos escritos ao longo da carreira foram primeiramente publicados em revistas de renome, em especial a Harper’s New Monthly Magazine e, em seguida, republicados em coletâneas, sendo as mais famosas A Humble Romance and Other Stories (Um Romance Humilde e Outras Histórias, 1887) e A New England Nun and Other Stories (Uma Freira da Nova Inglaterra e Outras Histórias, 1891).

Tendo o público feminino como alvo, as histórias geralmente exploram a vida interior das mulheres e os fortes vínculos afetivos que se formam entre elas. Muitas vezes, o foco é um momento específico no qual uma mulher enfrenta o conflito entre os valores pessoais e as exigências da vida real, do ponto de vista social, material ou trazidas pelo casamento e maternidade. Ainda que a carreira bem sucedida de Mary Wilkins Freeman lhe tenha proporcionado segurança financeira e autonomia, suas melhores obras mostram o sofrimento de mulheres cujas existências são limitadas pela pobreza e pelas restrições sociais impostas por crenças religiosas rígidas e pela própria condição feminina.

As dificuldades enfrentadas pelas solteiras e as opressões a que eram submetidas as mulheres casadas no final do século XIX certamente influenciaram a própria vida da escritora, que só se decidiu pelo casamento aos 49 anos. Após um curto período de harmonia, Mary viu-se forçada a trabalhar em dobro para sustentar o marido alcoólatra, Charles Freeman. O casamento terminou em separação e internação de Charles em um sanatório.

Autora extremamente prolífica, preocupada com o aspecto comercial da obra, porém sem descuidar da qualidade, Mary Wilkins Freeman publicou quinze coletâneas de contos, aproximadamente meia centena de contos avulsos e ensaios, catorze romances, três peças de teatro, três volumes de poesia e oito livros infantis.

A preocupação em descrever as aspirações simples, a luta dos fazendeiros e trabalhadores pela sobrevivência e especialmente a vida das mulheres na Nova Inglaterra, garantiu à escritora um lugar de destaque entre os regionalistas do período e o reconhecimento posterior por parte das feministas, devido à visão crítica da condição da mulher americana nas últimas décadas do século XIX.

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Mary E. Wilkins Freeman faleceu em 1930, após receber, no ano de 1926, a medalha William Dean Howells, pela sua contribuição à ficção norte-americana. Nesse mesmo ano, foi uma das quatro primeiras escritoras a serem aceitas no Instituto Nacional de Artes e Letras, um equivalente à Academia Brasileira de Letras, até então reduto exclusivamente masculino.

Massachusetts

Um dos mais antigos estados norte-americanos, exerceu papel fundamental na história do país. Sua capital, Boston, foi denominada “Berço da Liberdade” por ter sediado os primeiros movimentos pela independência dos Estados Unidos; mas tarde, tornou-se importante centro de atividade abolicionista no período pré-Guerra Civil. Famoso pela qualidade do ensino superior, atendimento à saúde, produção tecnológica e investimentos financeiros.

 

Realismo


A escola Realista na literatura norte-americana prolongou-se de 1860 a 1914, acompanhando todas as transformações políticas, econômicas e sociais desde a Guerra Civil (1861-1865) até a 1ª Guerra Mundial. Congregando autores tão díspares quanto Mark Twain (1835-1910) e Henry James (1843-1916), possui ainda entre seus representantes notáveis escritores como o regionalista Bret Harte, os naturalistas Stephen Crane e Jack London e a cosmopolita Edith Wharton. Foi ainda nesse mesmo período que a produção dos autores afro-americanos apresentou um crescimento impressionante, trazendo para o grande público a literatura de raiz da América negra, na forma de autobiografias, sermões, poesia e literatura de protesto.

 

Nova Inglaterra

Região onde se estabeleceram as primeiras colônias em solo norte-americano. Compreende os estados do Maine, New Hampshire, Vermont, Massachusetts, Rhode Island e Connecticut.


(Fonte: Veja, 29 de janeiro de 2003 – ANO 36 – Nº 04 – Edição 1787 – LIVROS – Veja Recomenda – Pág: 112)

(Fonte: http://literatura.uol.com.br/literatura/figuras-linguagem – REVISTA LITERATURA – Ilustres Desconhecidos/ Por Maria Cristina Bessa Lima)

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