Foi uma das precursoras nos estudos sobre agroecologia e agricultura orgânica no país

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Ana Maria Primavesi, pioneira da agroecologia no Brasil

 

Ao compreender o solo como um organismo vivo, a autora foi responsável por avanços no manejo ecológico na agricultura

 

Ana Maria Primavesi, pioneira da agroecologia no Brasil. (Foto: Virgínia Knabben/reprodução Facebook)

 

Engenheira agrônoma pesquisou durante quase 80 anos sobre agricultura sustentável e manejo ecológico

 

 

Ana Maria Primavesi (Sankt Georgen ob Judenburg, Áustria, 3 de outubro de 1920 — São Paulo, 5 de janeiro de 2020), engenheira agrônoma e pesquisadora, referência mundial em agroecologia e pioneira do tema no Brasil, foi uma das precursoras nos estudos sobre agroecologia e agricultura orgânica no país. Apaixonou-se pela natureza desde pequena, o que a fez ingressar na Universidade Rural para Agricultura e Ciências Florestais, em seu país, uma quebra de paradigma para uma época em que o ambiente acadêmico era dominado por homens. Aos 22 anos, já havia se tornado mestre em agronomia.

 

Durante a Segunda Guerra Mundial, ficou presa em um campo de concentração. Após o conflito, mudou-se com o marido, Arthur, para o Brasil. Passou por Estados Unidos como Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais antes de aceitar um convite para lecionar na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), em que desenvolveu uma série de projetos de extensão e foi uma das fundadoras do programa de Pós-Graduação em Biodinâmica do Solo, em 1971, o primeiro do país sobre a matéria.

 

Seu livro “Manejo Ecológico do Solo” revolucionou os estudos sobre solo em países tropicais e serve de base para a agroecologia no Brasil.

 

A agrônoma e professora Ana Maria Primavesi, pioneira da agroecologia no Brasil, era austríaca e migrou para o Brasil em 1948 com o marido, passando a dar aulas na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Seus livros e ensinamentos viraram parâmetros para cientistas e pesquisadores do país, assim como agricultores.

 

Ela era apaixonada pelo solo e, com mais de 60 anos de carreira, ganhou prêmios e escreveu diversos livros. Entre suas dicas de manejo estavam a rotação de culturas, para ajudar no controle de pragas e doenças, e o uso de quebra-vento, uma barreira vegetal usada para proteger as plantas contra a ação do vento.

“Para mim é fascinante como a terra melhora, como a água nasce, como tudo está se desenvolvendo. A minha paixão é o solo, porque tudo depende do solo, inclusive os homens”, disse ela em 2012, em entrevista ao Globo Rural.

A pesquisadora, defende a compreensão do solo como um organismo vivo e foi responsável por avanços nos estudos sobre o manejo ecológico do solo.

 

Ana Maria foi reconhecida por ser uma das pioneiras nos estudos sobre preservação de solo e recuperação de áreas degradadas, priorizando a atividade biológica através do acúmulo de matéria orgânica, evitando o revolvimento do solo, como se fazia anteriormente.

 

Enquanto lecionava na Universidade Federal de Santa Maria, contribuiu para a organização do primeiro curso de pós-graduação voltado para a agricultura orgânica. Após sua aposentadoria não parou de ajudar em pesquisas e ajudou a fundar a Associação da Agricultura Orgânica (AAO) e do Movimento Agroecológico Latinoamericano (Maela). Seu livro “Manejo Ecológico do Solo: a agricultura em regiões tropicais”, lançado em 1984 ainda é considerado uma obra de referência nas ciências agrárias.

 

Vinda ao Brasil

 

A pesquisadora austríaca chegou ao Brasil em meados 1948, com seu marido, o fazendeiro e também doutor Artur Barão Primavesi.

 

Ambos lecionaram Universidade de Santa Maria (RS) e, após a fundação do Instituto de Solos e Culturas, criaram o primeiro curso de pós graduação no tema “Produtividade e Conservação do Solo”.

 

 

Trajetória

 

 

Primavesi nasceu e cresceu na Áustria, onde adquiriu os primeiros conhecimentos no tema com os pais agricultores. Perseguida pelo nazismo, ela foi presa em um campo de concentração durante a Segunda Guerra Mundial.

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Nos anos 50, veio para o Brasil, onde iniciou a carreira acadêmica e a atuação militante. Nessa época, a chamada ‘Revolução Verde’ disseminava novas práticas agrícolas que levaram ao crescimento desenfreado do agronegócio nos Estados Unidos e na Europa.

 

No Brasil, Primavesi foi professora da Universidade Federal de Santa Maria, onde contribuiu para a organização do primeiro curso de pós-graduação em agricultura orgânica.

 

Foi também fundadora da Associação da Agricultora Orgânica (AOO) e ao longo de sua carreira recebeu uma série de prêmios, como o One World Award, da Federação Internacional dos Movimentos da Agricultura Orgânica (IFOAM) pelo trabalho que desenvolveu ao longo de sua vida.

 

Em entrevista ao Brasil de Fato em 2017, Carin Primavesi Silveira, filha da escritora, falou sobre a resistência da mãe ao longo da história ao desafiar a lógica do capital na agricultura.

 

“Teve muita resistência. Ela foi muito atacada. Agora, o que acontece? A evidência é o que a natureza está mostrando, porque a gente não pode ser contra a natureza, nós dependemos dela. Temos que trabalhar em comunhão com a natureza”, disse à reportagem.

 

 

Obras

 

Entre as obras de Primavesi, estão “A Convenção dos Ventos – Agroecologia em contos”, “Manual do Solo Vivo”, e “Manual Ecológico de Pragas e Doenças”, as quais fazem parte de coleção da editora Expressão Popular.

 

A biografia da agrônoma, “Ana Maria Primavesi – Histórias de Vida e Agroecologia”, escrito pela também agrônoma Virgínia Mendonça Knabben, também foi publicado pela editora.

 

De todos os livros dela, o mais famoso é o “Manejo ecológico do solo”, lançado em 1979. Com força e pioneirismo, as ideias da agrônoma se espalharam pelas faculdades de agronomia e se tornaram referência obrigatória, principalmente para quem estuda manejo de solos e agricultura orgânica. Suas ideias se espalharam por agricultores de todas as regiões do país.

NOTAS

 

  1. Escreveu assim a conceituada agrônoma: “O solo tropical é muito pobre em minerais em comparação com o solo de clima temperado, que possui de 30 a 50 vezes mais nutrientes. Em contrapartida, o solo tropical é rico em vida, possuindo de 10 a 20 vezes mais microrganismos, porém é ácido, com pH ao redor de 5,6, enquanto os solos europeus e americanos são neutros e rasos, e os tropicais são profundos. Nos trópicos, 80% dos nutrientes encontram-se na biomassa, enquanto que na Europa e EUA se encontram no solo.”

 

  1. Disse o escrivão em sua carta ao Rei de Portugal: “a terra em si é de muito bons ares, assim frios e temperados como os de Entre Douro e Minho, porque neste tempo de agora os achávamos como os de lá. Águas são muitas; infindas. E em tal maneira é graciosa que, querendo-a aproveitar, dar-se-á nela tudo, por bem das águas que tem.”

Ana Maria Primavesi faleceu em 5 de janeiro de 2020, aos 99 anos em São Paulo. Ela foi enterrada no Cemitério de Congonhas, na Zona Sul da capital paulista.

 

(Fonte: https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2020/01/06 – SÃO PAULO / NOTÍCIA / Por G1 SP – 06/01/2020)

(Fonte: https://www.brasildefato.com.br/2020/01/05 – Edição: Camila Maciel – Brasil de Fato | São Paulo (SP) – 

(Fonte: https://www.canalrural.com.br/agronegocio – AGRONEGÓCIO / Por Daniel Popov, de São Paulo – 5 de janeiro de 2020)

(Fonte: Zero Hora – ANO 56 – N° 19.599 – 6 de janeiro de 2020 – TRIBUTO / MEMÓRIA – Pág: 27)

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