Foi pioneiro ao introduzir os bancos de investimento no Brasil

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Michel Etlin (1924-2021), veterano de guerra, ex-espião e banqueiro

 

 

Michel Claude Julien Etlin, empresário pioneiro ao introduzir os bancos de investimento no Brasil

 

Francês nascido em Paris em 26 de maio de 1924, fugiu ainda adolescente para o Marrocos quando explodiu a II Guerra Mundial. Com o irmão, Robert, tornou-se um espião contra os alemães em Casablanca, até que teve a prisão decretada acusado de terrorismo. “Eles tiveram de fugir para Havana, em Cuba, e ficaram em quarentena”, conta o filho Jean Marc Etlin.

 

Michel Etlin com o irmão Robert, morto pelos alemães durante a guerra. Depois, conseguiram ir até o Canadá, onde aprenderam a pilotar avião. Em 1943, juntaram-se à RAF (Royal Air Force), na Inglaterra, e se tornaram pilotos de guerra. Durante uma operação em 1945, Robert acabou abatido pelos alemães.

 

Michel Etlin como piloto da Royal Air Force em Camberley, Inglaterra, em 1943. Já no pós-guerra, com a França devastada, Etlin decidiu ir para os Estados Unidos. Lá, tornou-se tesoureiro e vice-presidente do Dutch-American Mercantile Bank, na mítica Wall Street. Contratado pela instituição financeira, veio ao Brasil em 1954 e caiu de amores pelo país tropical. Resolveu ficar e passou a trabalhar por conta própria, estabelecendo-se como banqueiro.

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Michel Etlin em 1954, quando chegou ao Brasil. Em 1959, no Rio de Janeiro, conheceu Susana Nogueira Batista, recifense de família cearense. Casaram-se dois anos depois – a união completaria sessenta anos em agosto. Ele vivia com a esposa no Jardim América.

 

 

Com a esposa, Susana, em viagem de navio para a Europa nos anos 1970. Amante das artes, foi conselheiro e vice-presidente internacional do MAM. Em nota, a instituição lamentou a morte de Etlin, que “muito contribuiu para a cultura do país e para a história do museu por mais de 35 anos”. Outra paixão era o esporte: ele foi uma espécie de patrono do rúgbi nacional ao criar, entre outras iniciativas, uma bolsa para premiar jovens atletas promissores na modalidade que viajam até países como a Nova Zelândia para aprender inglês e aprimorar a técnica do esporte. “Meu pai adorava a vida, comer, beber. Fumava três charutos por dia. Amava o Brasil. Teve uma vida longa, quase romanesca, um personagem que não se faz mais hoje em dia”, lembra o filho Jean Marc.

 

Michel Etlin faleceu no último dia 9, em São Paulo, aos 96 anos, após uma parada cardíaca.

(Fonte: https://www.msn.com/pt-br/entretenimento/noticias – ENTRETENIMENTO / NOTÍCIAS / por Vinicius Tamamoto – 19/02/2021)

Publicado em VEJA São Paulo de 24 de fevereiro de 2021, edição nº 2726

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