Foi o primeiro speaker brasileiro a ganhar popularidade nacional

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Foi o primeiro speaker brasileiro a ganhar popularidade nacional

César Ladeira: a geração da TV o desconhece

César Ladeira (Campinas, 11 de dezembro de 1910 – Rio de Janeiro, 8 de setembro de 1969), locutor na Rádio Nacional Paulista, tinha ídolos, prestígio popular, categoria artística e atrações que os jovens da época – a geração da TV – não conheceram.

Mário Lago, veterano ator e radialista, explicava melhor: César Ladeira surgiu e fez carreira no tempo dos locutores de bela voz e pronúncia correta, desencantando-se com a profissão quando viu as emissoras transformadas em feira livre.

César Ladeira entrou para o rádio em 1932 e foi o primeiro “speaker” brasileiro a ganhar popularidade nacional: lia na Rádio Record de São Paulo os manifestos e proclamações da Revolução Constitucionalista.

Em 1933 mudou-se para o Rio de Janeiro e na extinta Rádio Mayrink Veiga criou os apelidos que consagraram os mais famosos cantores da época. Cármen Miranda era “a pequena notável”; Moreira da Silva, “o tal”; Sílvio Caldas, “o caboclinho querido”; Francisco Alves, “o rei da voz”. Desde 1948 estava na Rádio Nacional Paulista, onde atuou como ator de novelas e narrador.

No cinema o diretor Gustavo Dahl deu-lhe um papel importante em “O Bravo Guerreiro”. No teatro conheceu sua mulher – a atriz Renata Fronzi -, mas não a acompanhou quando ela aderiu à TV.

Diante do corpo do locutor César Ladeira – que uma hemorragia cerebral matou em 8 de setembro, no Rio de Janeiro -, velhos locutores, cantores e radiatores repetiam aos repórteres: “Naquele tempo, o rádio era muito melhor”. Queriam dizer que o rádio que tornou famoso César Ladeira tinha admiradores e fãs. Esse rádio não existe mais: morreu antes de Ladeira.

Ao morrer, ele ganhava 700 cruzeiros novos por mês na Rádio Nacional Paulista, 58 anos, gordo e baixo – últimamente tinha um lado do rosto ligeiramente repuxado por um derrame cerebral que sofreu em 1964.

“O rádio e a TV de hoje”, diziam os velhos radialistas no enterro, “não mereciam a elegância, a voz e a inteligência de César.”

(Fonte: Veja, 17 de setembro de 1969 – Edição nº 54 – RÁDIO – Pág; 61)

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