Foi o primeiro apresentador mirim da televisão brasileira

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A primeira criança a comandar um programa na TV brasileira

 

 

 

James Ackel, a primeira criança a comandar um programa na TV brasileira. (Arquivo pessoal / Divulgação)

 

 

A grande sensação mirim na televisão da década de 60 era James Ackel, a primeira criança a comandar um programa na TV brasileira.

 

Em 29 de outubro de 1959, com seis anos, James foi contratado pela TV Paulista Canal 5, que em 1966 tornaria-se a Globo, para apresentar a “Sessão Zás Trás” diariamente às 18h30, após ter participado de um concurso com mais de 150 crianças.

 

“O nosso programa era feito ao vivo todos os dias. E tinha uma curiosidade que era o fato de anteceder o programa de Hebe Camargo com seu sofá. E o mais engraçado era que entre o meu programa e o dela havia um jovem de 28 anos, que no canto do estúdio fazia merchandising de um refrigerante. O nome dele era Silvio Santos. E isto tudo ao vivo”, conta James Ackel, hoje com 65 anos, ao NaTelinha.

 

Ainda em 1959, a criança começou a também fazer dublagem de seriados para a TV, nos estúdios da antiga Gravasom e hoje BKS. Seu novo trabalho só se tornou possível porque ele era alfabetizado desde os quatro anos.

 

Naquela época, a dublagem era diferente de hoje; os dubladores tinham que decorar o texto na hora e interpretar em grupo de atores, sem uso de mixagem de computadores.

 

Um tempo depois, em março de 1960, James Ackel foi chamado pela TV Record atendendo ao um pedido do anunciante Alpargatas, que o queria no seriado “A Turma dos Sete”, que entraria no ar em abril de 1960.

 

“‘A Turma dos Sete’ foi uma grande experiência. Fazíamos um seriado com capítulos às terças e quintas ao vivo às 19h, em rede pioneira para São Paulo e Rio. Ao mesmo tempo, uma imensa máquina de videotape gravava o capítulo que era depois mandado para as praças de outras capitais. Era um grupo incrível de atores”, relembra Ackel, que se tornou jornalista e hoje comanda uma assessoria de comunicação.

 

 

“Turma dos Sete”

 

 

Segundo James, muitas vezes os capítulos da “Turma dos Sete” entravam ao vivo na Record sem sequer o ensaio do episódio ter terminado.

 

“Existia um criador e diretor da ‘Turma dos Sete’ que era Armando Rosas, tinha um diretor de imagens que era Waldomiro Barone e um diretor de estúdio que era o Jaime Batista. Muitas vezes os três ficavam discutindo entre eles e tinha que por o programa no ar sem ensaio completado. Mesmo assim, em tempo algum houve erro de texto ou marcação. Mesmo quando não havia ensaio a gente tinha uma capacidade imensa de criar marcação por nossa conta. Os atores mirins de hoje são muito bons, alguns até me emocionam, já chorei vendo as novelas do SBT de tão bons textos e excelentes interpretações, mas fazer o que a gente fazia de 1960 a 1964 não apareceu ninguém pra testar”, opina.

 

A “Turma dos Sete” ganhou o prêmio Roquete Pinto por quatro anos seguidos,na época, a premiação mais importante da televisão.

 

“Nós fomos entender a grande repercussão de nosso programa ao inaugurarmos o Primeiro Salão da Criança em 1961. A disputa pelos autógrafos era tão grande que precisamos que os escoteiros nos fizessem segurança. Ali a gente entendeu a popularidade e dávamos autógrafos até 23h durante todo tempo de outubro”, conta James, que ainda criança teve o protagonismo na primeira novela das tardes da Record, “O Segredo de Ana Maria”, em 1965, ao lado de Wilma Bentivegna, Otávio Augusto e Dirceu Conti.

 

“O Otávio Augusto começou a carreira dele conosco TV Record, primeiro fazendo uma participação especial num episódio da ‘Turma dos Sete’ em 1963 e depois sendo galão na novela ‘O Segredo de Ana Maria’”, revela o jornalista.

 

Sua carreira mirim continuaria em 1965, quando ele foi protagonista ao lado de Walter Stwart do “Especial de Fim de Ano” na TV Excelsior, depois de participar de todos os sábados dos episódios de “Quem Quiser Que Conte Outra”.

 

TV atual

 

Para James Ackel, fazer TV aberta é “arroz com feijão muito bem temperado”, e completa: “quem quiser inventar não vai ter Ibope bom. Outra coisa é o cenário. Se cenário desse ibope, o maior salário da TV seria do marceneiro”.

 

Antenado sobre os bastidores da televisão, James discorda de algumas das estratégias traçadas na programação da Record TV.

 

“A TV Record que hoje se chama Record TV tinha tudo pra ser vice de Ibope e até estar perto da TV Globo. Mas infelizmente se transformou em uma emissora onde prevalece a disputa de poder entre Bispos da Universal e onde não existe um comando único que dê personalidade à emissora. Com todo dinheiro que ali foi gasto, a Record TV não conseguiu ter o carisma da antiga TV Record da família Carvalho. Com tanto dinheiro ali e na área de entretenimento, os únicos sucessos foram ‘A Fazenda’ e ‘Os Dez Mandamentos’. Neste caso, o grande erro foi ter interrompido a novela que poderia ter se estendido com excelente Ibope por dois anos. Ali, ninguém se lembrou que na TV Excelsior, ‘Redenção’ ficou dois anos com liderança. Mas parece que é muito esperar que o pessoal da Record TV se lembre da história da TV”, comenta.

 

Por outro lado, o primeiro astro mirim da televisão brasileira acredita que a Band tem condições para desbancar a Record TV na guerra pela audiência.

 

“A emissora que entendo que possa desbancar a Record TV seria a Band. Mas primeiro o seu dono Johnny Saad precisa acreditar que necessita recriar a imagem da emissora com personalização que seja carismática à dona de casa e não aos jovens. Em tempo algum jovem deu Ibope pra TV alguma, com raríssimas exceções. Até a ‘Jovem Guarda’ da TV Record durou só dois anos e depois Roberto Carlos foi escondido por seu empresário Marcos Lázaro. A Band tem estrutura, tem tradição em jornalismo e tem grandes possibilidades de disputar a vice-liderança com o SBT. Mas se seu dono Johhny não entender isso, nada vai ser”, finaliza.

(Fonte: https://natelinha.uol.com.br/colunas/coluna-do-sandro/2018/06/03 – COLUNAS / COLUNA DO SANDRO / NA TELINHA / Por: Sandro Nascimento – 03/06/2018)

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