Ele foi o primeiro jurado a representar o Brasil no Festival Internacional do Filme Publicitário

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Foi um dos ícones da publicidade brasileira

 

Filho de imigrantes italianos, publicitário foi sócio da AlmapBBDO e atuou em varejistas como Mappin e Sears

 

Profissional foi responsável pela importação do modelo de dupla de criação nas agências e liderou o processo de internacionalização da Almap

 

Colocou em prática pela primeira vez no mercado brasileiro novo modelo de publicidade, agência reunia a dupla redator e diretor de arte

 

Ele foi o 1º jurado a representar o Brasil no Festival Internacional do Filme Publicitário

 

Alexandre José Periscinoto (Mococa (SP), 8 de abril de 1925 – 17 de janeiro de 2021), publicitário, foi um dos nomes mais relevantes da publicidade brasileira, além de ter sido um dos fundadores da Almap (hoje AlmapBBDO), foi também o jurado brasileiro pioneiro no Cannes Lions – Festival Internacional de Criatividade, em 1972.

 

Em 1960, entrou na Almap como sócio, ao lado do fundador da agência, José de Alcantara Machado. Nesta época, em uma de suas grandes contribuições para o mercado, colocou em prática um modelo de publicidade novo até então. Pela primeira vez no Brasil, uma agência reunia a dupla redator e diretor de arte.

 

Periscinoto decidiu importar o formato após uma viagem aos Estados Unidos, quando estagiou na Doyle, Bane e Bernbach (DDB) e na Batten, Barton, Durstin & Osborn (BBDO). Décadas mais tarde, em 1988, liderou as negociações que levaram a Almap a se internacionalizar, associando-se à rede BBDO, controlada pelo grupo Omnicom. Dez anos depois, em 1998, Periscinoto deixou a agência e passou o comando para Marcello Serpa e José Luis Madeira.

Filho de imigrantes italianos e nascido em Mococa, no interior de São Paulo, Periscinoto não nasceu em berço de ouro. Teve de começar a trabalhar cedo, aos 12 anos, em uma leiteria, depois que a família migrou para a capital paulista, para o bairro do Belenzinho, na zona leste de São Paulo. Adolescente, ainda atuou em uma fábrica de biscoitos e nas indústrias Matarazzo.

 

O trabalho na publicidade começou pelo desenho. Na Sears, loja de departamentos americana que durante algumas décadas teve atuação em São Paulo, ele desenhava os eletrodomésticos que apareciam nos anúncios. Conforme Periscinoto contou, em depoimento, ao Museu da Pessoa, foi então que surgiu a oportunidade de migrar para uma agência de publicidade.

 

De início ele relutou, mas foi convencido pelo salário, que era dez vezes o que ele recebia na Sears. A experiência na Standard Propaganda (uma das principais do País na época, ainda nos anos 1950) levou a outra oportunidade no varejo, já como executivo, no Mappin. Foi graças à lendária varejista que ele aprendeu o trabalho de criação em dupla, de arte e criação, em uma viagem nos EUA, que traria para o Brasil.

 

Entrou para a Almap na década de 1960 e logo se tornou sócio. Ao lado de Alcantara Machado, liderou criativamente a agência, atendendo clientes como Volkswagen, Pepsi, Danone e PanAm, entre outros. Deixou a empresa no fim dos anos 1990, após a associação com a americana BBDO e passar o comando para a dupla Marcello Serpa e José Luis Madeira, que ele mesmo havia escolhido para a função.

 

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Passou, então, a trabalhar como consultor na SPGA, especializada em concorrências publicitárias, da qual era sócio ao lado de Luiz Sales e Walter Fontoura, também já falecidos, e de Sérgio Guerreiro. Foi ainda também conselheiro da ESPM, tendo participado das reuniões até dois anos atrás, de acordo com Luiz Lara, fundador da Lew’Lara\TBWA e amigo de Periscinoto.

 

No ano 2000, Periscinoto fundou a consultoria SPGA ao lado dos também publicitários Luiz Sales (falecido em setembro de 2017, aos 83 anos) e Sérgio Guerreiro e do jornalista Walter Fontoura (1936-2017). A SPGA se destacou no ramo de seleção de agências, além de prestar serviços de counseling a presidentes de empresas como Vale, Santos Brasil, Votorantim, Basf e Bradesco.

 

Entre outras atividades, Alex Periscinoto também já foi colunista do jornal Folha de S. Paulo, presidente da Fundação Bienal de São Paulo, secretário de publicidade Institucional da Secretaria de Estado de Comunicação de Governo da Presidência da República, membro da Academia Brasileira de Marketing e do Conselho Deliberativo da ESPM.

 

Alex Periscinoto faleceu em 17 de janeiro de 2021, em decorrência de complicações da covid-19, aos 95 anos.

 

Repercussão

 

Para Lara, Periscinoto era um “visionário criativo”. “Empreendedor incrível. Uma figura humana única. Sempre curioso e humilde. Revolucionou a publicidade brasileira.”

 

Atual presidente da AlmapBBDO, Luiz Sanches diz que Periscinoto foi uma das “maiores referências” da publicidade. “(Ele) ajudou a construir não apenas a história da Almap, como da propaganda brasileira. Um trabalho feito com muito talento, respeito e dedicação. Desde quando comecei a trabalhar na agência, 26 anos atrás, até hoje, minha admiração só aumentou, por tudo o que o Alex construiu em todos esses anos. Tenho muito orgulho em fazer parte dessa história que ele começou lá atrás, com tanto sucesso”.

 

De acordo com Marcello Serpa, publicitário que comandou a agência até 2015, Periscinoto era um “gentleman, adjetivo raro na propaganda brasileira”. “Uma pessoa extremamente educada e generosa. Não confrontava os concorrentes. Sempre tinha uma palavra bacana para falar deles. Sempre foi da pacificação. Era generoso e brilhante.”

 

Mario D’Andrea, presidente da Associação Brasileira de Agências de Publicidade (Abap), destaca que Periscinoto foi um dos fundadores do mercado publicitário brasileiro, ao ajudar a profissionalizá-lo. “Ele revelou muita gente na área. Era uma pessoa muito querida por clientes e funcionários.”

(Fonte: https://www.msn.com/pt-br/noticias/brasil – NOTÍCIAS / BRASIL / por Fernando Scheller e Luciana Dyniewicz – 18/01/2021)

(Fonte: https://www.meioemensagem.com.br/home/comunicacao/2021/01/18 – MEIO & MENSAGEM / COMUNICAÇÃO / por Renato Rogenski – 18 de janeiro de 2021)

(Fonte: GAÚCHAZH – ANO 57 – N° 19.922 – 19 DE JANEIRO DE 2021 – MEMÓRIA / TRIBUTO – Pág: 23)

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