Foi o apresentador do primeiro programa de televisão no Rio Grande do Sul

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Um galã de radionovela

Ernani Behs conquistou fama como radioator e foi o apresentador do primeiro programa de televisão no Rio Grande do Sul

Ernani Behs estreou na Farroupilha aos 23 anos Foto: DIVULGAÇÃO / Museu da Comunicação Hipólito José da Costa.

Ernani Behs estreou na Farroupilha aos 23 anos Foto: DIVULGAÇÃO / Museu da Comunicação Hipólito José da Costa.

 

Ernani Behs (Taquara, 14 de julho de 1923 – 21 de fevereiro de 2002), jornalista e publicitário

Foi uma das figuras mais marcantes do rádio gaúcho nos meados do século XX.

Ernani Jacó Behs, nasceu na cidade de Taquara, no Rio Grande do Sul, em 14 de julho de 1923, filho de João Lothar Behs e Alice Schmitt Behs. Foi radioator, locutor, jornalista e publicitário. Iniciou a carreira em sua cidade natal, em 1938, com um serviço de autofalantes chamado A Voz do Poste. Na verdade, o nome do serviço era A Voz da Alegria. Ernani Behs, neste serviço, era locutor, operador, discotecário, redator, vendia e lia os reclames, fazia tudo. Posteriormente, em 1940, mudou-se para Porto Alegre. Na Capital, trabalhou na Rádio Gaúcha, lendo textos para o programa Hora do Estudante, do Penha Rodrigues. Em 1943 ingressou na Rádio Farroupilha – PRH-2. O diretor da Rádio Farroupilha era o Dr. Manoel Braga Gastal. Foi galã do Teatro Farroupilha. Atuou em Os Miseráveis, de Victor Hugo, terceira radionovela feita no Rio Grande do Sul. Trabalhou também na Rádio Difusora.

Ernani Behs, começou, muito novo, como locutor da Voz do Poste daquela cidade. Mudou-se para Porto Alegre em 1940. Aprovado no vestibular de Medicina, desistiu da carreira quando foi designado para trabalhar no necrotério. Sua vocação era mesmo o rádio, tendo estreado na Farroupilha aos 23 anos. Antes disso, participou de peças no Teatro do Estudante.

Em sua carreira de comunicador atuou no rádio, TV e foi proprietário de agência de publicidade. Em 1938, inaugurou o serviço de alto-falante na sua cidade natal, Taquara, onde era locutor, redator e publicitário. Dois anos depois, integrou a equipe da rádio Gaúcha nos programas “Hora do Estudante” e “Teatro do Estudante”, atuando com Walmor Chagas, entre outros nomes de peso da época.

Chegou a passar no vestibular de Medicina, mas desistiu de cursar quando entrou pela primeira vez em um necrotério. Seguiu na comunicação e, em 1943, estreou na Farroupilha como galã de radionovelas. Após estudar dramaturgia nos Estados Unidos, retornou ao Brasil e foi apresentador do primeiro programa de TV no Rio Grande do Sul, em 1959, na TV Piratini. 

Pelo porte físico, aparência e atuação como radioator, Ernani Behs conquistou logo a fama de galã, admirado e assediado pelas mulheres. Numa entrevista ao jornalista Sérgio Dillenburg, incluída no livro Os Anos Dourados do Rádio em Porto Alegre, Ernani conta que, na época, sair à rua era uma loucura.

“As mulheres atacavam a gente, rasgavam, não a mim, porque eu corria. Se a gente deixasse, elas rasgavam tua roupa, beijavam, mordiam. Era um negócio horrível. Não é porque as novelas eram boas, era porque não tinha nada melhor.”

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Relata ainda que nas novelas os atores tinham a pinta que quisessem. “Éramos morenos, louros, olhos verdes, bigodes. Era engraçadíssimo quando nos identificavam na rua. Normalmente, nos olhavam e diziam: ‘Mas é isso?'”

No livro de Dillenburg, Ernani Behs registra que a época áurea da radionovela foi de 1945 a 1960, quando chegou a participar de oito ou nove peças simultaneamente. Numa, fazia o papel de cego, na outra, paralítico, homem do campo, literato, médico, advogado, presidiário.

“Eu não entendia como as mulheres admitiam que eu, no mesmo dia, na novela das 9h estava preso, na das 11h era um baita boêmio, na das 14h era paralítico, na das 18h fazia a Ave Maria e às 18h30min lia as cartas de amor. O programa das cartas foi um capítulo à parte. Inventávamos histórias incríveis, onde sempre aparecia o nome de uma mulher, e as ouvintes escreviam pensando que as mensagens eram para elas.” Ernani conclui que o sucesso é garantido quando entram amor e drama.

A radionovela começou a desaparecer com a inauguração da TV Piratini, em 1959. Ernani Behs foi o apresentador do primeiro programa de televisão no Rio Grande do Sul, após um curso especializado nos Estados Unidos.

Trabalhou ainda na TV Piratini, que pertencia aos Diários Associados, de Assis Chateaubriand, na TV Gaúcha e na TV Guaíba. Nesta última, apresentou o programa Viajando com a Guaíba durante onze anos. Formou-se em direito, mas nunca exerceu a profissão. Na área da publicidade, iniciou com sua própria agência. Mais tarde, associou-se à Standard Propaganda. Em 1990 foi escolhido o Homem de Propaganda do Ano.

Nos últimos anos, atuou mais como empresário da propaganda.

Ernani Behs, 78 anos, morreu em em Porto Alegre, em 21 de fevereiro de 2002, devido a complicações decorrentes de uma pneumonia, gerando a falência generalizada dos órgãos.

(Fonte: Zero Hora – Ano 53 – N° 18.672 – 12 Janeiro 2017 – ALMANAQUE GAÚCHO/ Por Antônio Goulart/ interino – Pág: 36)

(Fonte: http://www.memoriallandelldemoura.com.br – BIOGRAFIA SOBRE RADIODIFUSORES/ Por Ivan Dorneles Rodrigues)

(Fonte: http://coletiva.net/noticias/2002/02 – COMUNICAÇÃO – NOTÍCIAS – REDAÇÃO COLETIVA , 21 DE FEVEREIRO DE 2002)

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