Flávio Moreira da Costa, escritor e antologista, ficou conhecido por suas coletâneas de contos, que chegaram a ser best-sellers

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Escritor e antologista Flávio Moreira da Costa

Premiado como autor nos anos 1990, ele ficou conhecido por suas coletâneas de contos, que chegaram a ser best-sellers

 

Flávio Moreira da Costa (Porto Alegre, janeiro de 1942 – Rio de Janeiro, 23 de março de 2019), escritor e antologista gaúcho, ficou conhecido por suas antologias de contos, foram 20 ao longo da carreira, entre elas, Contos de Medo, Horror e Morte (2005), Aquarelas do Brasil – Contos da Nossa Música Popular (2006) e Os Melhores Contos de Loucura (2007), se notabilizou não apenas por uma obra elogiada (com destaque para “As Armas e os Barões”, de 1975).

 

 

Moreira da Costa ficou conhecido por suas antologias de contos. Foram 20 ao longo da carreira, entre elas “Aquarelas do Brasil – Contos da Nossa Música Popular” (Agir, 2006), “Contos de Medo, Horror e Morte” (Nova Fronteira, 2005) e “Os Melhores Contos de Loucura” (Ediouro, 2007). Algumas de suas coletâneas se tornaram sucesso de vendas.

 

 

Ele também foi autor de romances elogiados, como “As Armas e os Barões” (Imago, 1975), além de livros policiais, contos, literatura infantojuvenil e ensaios, além de um perfil biográfico do compositor Nelson Cavaquinho (Relume-Dumará/RioArte, 2000).

 

 

O escritor também manteve por duas décadas uma oficina de ficção, por onde passaram grandes nomes da literatura brasileira.

 

 

Nascido em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, Flavio se notabilizou não apenas por uma obra elogiada (com destaque para “As Armas e os Barões”, de 1975) como também por sua oficina de ficção, mantida por ele por duas décadas e pela qual passaram grandes nomes da literatura brasileira. A tarefa o habilitou também a se tornar um dos principais organizadores de antologias nacionais.

 

 

Um dos principais lemas de Flavio era: “Um escritor não pode ter preconceito, nem recusar temas populares”. É o que explica suas apostas nas antologias, que viajam do melhor do humor e do erótico à mitologia e música. Ele estreou na literatura em 1971, com “O Desastronauta”, seguido de “A Perseguição” (1973) e As Armas e os Barões. E, em 1976, com a publicação do livro de contos Os Espectadores, Flavio Moreira da Costa inicia sua habilidade nas tramas mais curtas.

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“Há autores que experimentam diversos caminhos ao longo da construção da obra, sejam formais, sejam temáticos, sejam ideológicos, de tal maneira que às vezes o jovem do começo torna-se irreconhecível ao escritor maduro. E há os que mantêm uma coerência – coerência, não intransigência – mais perceptível ou menos, o que lhes dá consistência programática (evidentemente, não há aqui qualquer juízo de valor, já que ambas as trilhas permitem resultados bons ou ruins, o que depende exclusivamente do talento do autor)”, escreveu o também escritor Luiz Ruffato, em texto publicado no Estado em 2006, por ocasião do lançamento da antologia Malvadeza Durão e Outros Contos. “Flávio Moreira da Costa está, em minha opinião, no segundo grupo: embora distantes no tempo, os contos estabelecem curiosas conexões entre si.”

Ruffato observa que, ao longo dos anos, Costa vai migrando de um artificialismo intencional que marca seu primeiro livro de contos até chegar à linguagem popular que marca, por exemplo, A Humanidade Está em Obras. Tal atitude literária era expressada também em seu pensamento sobre a ficção, como quando questionado, também em 2006 pela extinta seção Galeria, do Estado, sobre a maior virtude que encontrava na boa literatura, Flavio respondeu: “Densidade, ou voz própria e bem escrita. Ou a própria boa literatura, o que quer que isso seja. Alguma coisa que não se explica e nos empolga”.

 

 

E, quando incitado a apontar um vício literário que considerava abominável, o escritor foi taxativo: “Querer passar uma mensagem ao escrever ficção ou achar que só o ‘conteúdo’ importa. E o vício da literatice”.

Flávio morreu aos 77 anos, em 23 de março de 2019, depois de dez dias internado no Rio de Janeiro por conta de uma pancreatite. A notícia foi divulgada por outro escritor, Antonio Torres, em sua conta no Facebook.

 

O escritor e amigo Antônio Torres, imortal da Academia Brasileira de Letras, lamentou a morte.

 

“É muito triste ver um colega de ofício daqueles puro-sangue indo embora, num tempo em que a literatura está se esgarçando. Conheço o Flávio desde 1971. Era um trabalhador incansável, um organizador de antologias fantástico”, afirmou Torres.

 

Moreira da Costa enfrentava um câncer de rim há seis anos e vinha fazendo hemodiálise. Segundo a ex-mulher, a pancreatite foi uma consequência dos problemas no rim. O amigo e escritor Antônio Torres conta que, mesmo enfrentando graves problemas de saúde, o antologista estava cheio de projetos.

Um deles é a antologia com título provisório de “Contos Curtos”, que está em fase final de produção e deve ser lançada ainda este ano, como trabalho póstumo.

“Flávio também tinha a ideia de fazer uma antologia do conto português, mas não deu tempo de concretizar o trabalho”, diz.

(Fonte: https://istoe.com.br – EDIÇÃO Nº 2569 – CULTURA / Por Estadão Conteúdo – 22/03/2019)

(Fonte: GAÚCHAZH – ANO 55 – N° 19.355 – 25 de março de 2019 – TRIBUTO / MEMÓRIA – Pág: 23)

(Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2019/03 – ILUSTRADA / NOTÍCIAS / SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – 24/03/19)

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