Fernando González Rey, psicólogo e professor da UnB e do UniCeub, criou a teoria da subjetividade, sob influência da teoria de desenvolvimento do russo Lev Vygotsky

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Psicólogo cubano, criou a teoria da subjetividade

Criador da Teoria da Subjetividade

 

 

Fernando Luís González Rey (Havana, Cuba, 1949 – São Paulo, 26 de março de 2019), psicólogo e professor da UnB e do UniCeub, era doutor em psicologia pelo Instituto de Psicologia Geral e Pedagógica de Moscou e doutor em ciência pelo Instituto de Psicologia da Acadêmica de Ciências da União Soviética. Foi presidente da sociedade de psicólogos de Cuba (1986-1989), decano da Faculdade de Psicologia da Universidade de Havana (1995-1990) e vice-reitor desta mesma Universidade (1990-1995).

 

O psicólogo era professor do Centro Universitário de Brasília (UniCeub) e professor visitante da Universidade de Brasília (UnB), era doutor em psicologia pelo Instituto de Psicologia Geral e Pedagógica de Moscou e doutor em ciência pelo Instituto de Psicologia da Academia de Ciências da União Soviética, González Rey desenvolveu a Teoria da Subjetividade, sob influência da teoria de desenvolvimento do russo Lev Vygotsky.

 

 

Por meio de sua teoria, defendeu uma psicologia de análise complexa, que leve em conta os aspectos emocionais, simbólicos (de entendimento) e sociais na formação dos sujeitos. No desenvolvimento dessa teoria, realizada com a publicação até o fim da vida de dezenas de livros e artigos em revistas científicas, criticou linhas da psicologia que, em sua opinião, tendem a classificar as pessoas por meio de categorias ou tipos e a ter uma visão reducionista da experiência humana.
Especialmente por meio do Programa de Mestrado em Psicologia do UniCeub e no grupo de pesquisa “A subjetividade na saúde e na educação”, na UnB, foi também um forte defensor de práticas terapêuticas que valorizem o papel do paciente no processo de tratamento, em contraposição a certas práticas médicas pouco interessadas em ouvir as pessoas.

 

 

Foi professor titular e pesquisador do Centro Universitário de Brasília, bem como professor visitante do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade de Brasília, onde coordena o grupo de pesquisa “A subjetividade na saúde e na educação”.  Além disso, foi professor convidado para ministrar cursos em diversas instituições de ensino em diferentes partes do mundo, tais como The London School of Economy (Londres, Reino Unido), École des Hautes Études en Sciences Sociales (Paris, França), Monash University (Melbourne, Austrália), City University of New York (Nova York, EUA), Universidad Autónoma de Madrid (Madri, Espanha), Universidad Autónoma de México (Cidade do México, México), Universidad Valencia (Valência, Espanha), Universidad de Buenos Aires (Buenos Aires, Argentina), Universidad Interamericana de Puerto Rico (Porto Rico, EUA), Universidad Complutense (Madri, Espanha), Universidade de São Paulo (Ribeirão Preto, Brasil), Universidade de Brasília (Brasília, Brasil), entre outras.

 

 

Fernando acreditava que o comportamento humano deveria ser analisado em toda a sua complexidade. Nada de enquadrar as pessoas em categorias simplistas. Influências sociais e culturais, dizia, não podiam ser ignoradas.

 

Esse é o mote da teoria da subjetividade, um dos maiores legados que o psicólogo deixou para a psicologia e outras áreas de conhecimento, no Brasil e no mundo. A psicologia soviética serviu de inspiração para a elaboração do conceito, ao qual se dedicou por mais de 40 anos.

 

Fernando nasceu em Havana, em Cuba, em 1949, dez anos antes da Revolução Cubana. Formou-se na Universidade de Havana, estudou na extinta União Soviética – onde morou por cerca de quatro anos, e mudou-se para o Brasil em 1995.

 

 

 

Professor desde os 11 anos

 

Nascido em Havana, em 27 de junho de 1949, González Rey se tornou professor aos 11 anos, quando se uniu, em 1961, à Campanha Nacional de Alfabetização empreendido pelo governo cubano. Depois do ensino médio, estudou psicologia na Universidade de Havana, curso concluído em 1973. Tornou-se doutor em 1979, pelo Instituto de Psicologia Geral e Pedagógica de Moscou.
Foi ainda presidente da Sociedade de Psicólogos de Cuba (1986-1989), decano da Faculdade de Psicologia da Universidade de Havana (1995-1990) e vice-reitor desta mesma universidade (1990-1995). A chegada ao Brasil aconteceu em 1995, quando se tornou professor visitante da UnB. Foi na instituição brasiliense que começou a criar sua Teoria da Subjetividade.

 

Trajetória detalhada

 

 

Seu aprofundamento em pesquisas sobre o tema da personalidade teve início em 1973, o qual compôs parte significativa de sua Tese de Doutorado em Psicologia defendida em 1979 no Instituto de Psicologia Geral e Pedagógico de Moscou. Este trabalho teve a orientação de V. E. Chudnovski, colaborador de L. I. Bozhovich, diretora do Laboratório sobre o Estudo e Desenvolvimento da Personalidade neste mesmo Instituto. Mais especificamente, sua tese se apoia nos estudos desenvolvidos por ele em Cuba sobre o desenvolvimento dos ideais morais e as intenções profissionais em adolescentes e jovens cubanos.

 

Após a conclusão de sua Tese se Doutorado, continua aprofundando no desenvolvimento das questões teóricas e metodológicas implicadas no estudo da personalidade e estende suas pesquisas sobre este tema às áreas da saúde, educação e desenvolvimento humano sob um prisma abrangente. Estes trabalhos o levam a aprofundar no conceito de comunicação e a criticar as limitações do conceito de atividade na forma com que foi tratado até os anos setenta do século XX pela psicologia soviética. O conjunto desses trabalhos lhe permitiu defender o grau de Doutor em Ciências, título que constitui até hoje o grau máximo concedido no âmbito da ciência russa.

 

 

Suas primeiras publicações referem-se aos estudos que culminam no Ph.D. em Psicologia: Motivación moral en adolescentes y jóvenes, Havana, Cuba, 1982; Algunas cuestiones metodológicas sobre el estúdio de la personalidade, Havana, Cuba, 1982; Motivación profesional en adolescentes y jóvenes, Havana, Cuba, 1983; e Psicología de la Personalidad, Havana, Cuba, 1985. Após o seu Doutorado em Ciências, já se expressa maior abrangência teórica em suas publicações, dentre as quais se destacam: Personalidad, salud y modo de vida, Universidade Central da Venezuela, 1989 y Universidade Autônoma do México, 1993; La personalidad: su educación y desarrollo (em co-autoria com A. Mitjáns), Havana, Cuba, 1989; Psicología: princípios y categorías, Havana, Cuba, 1989; Problemas Epistemológicos de la psicología, Colégio de Ciências Sociais da Universidade Autônoma do México, 1993; Psicologia Humanista: Actualidad y Desarrollo, Havana, Cuba.1994 (em co-autoria com H. Valdés); e Personalidad, Comunicación y Desarrollo, Habana, Cuba, 1995.

 

 

Como resultado de sua participação ativa no movimento da psicologia social crítica na América Latina em princípios dos anos oitenta, começa a aprofundar seus interesses na psicologia social e a destacar a importância dos conceitos sujeito e subjetividade para a psicologia social. Deste momento, datam seus capítulos em obras coletivas da psicologia social e política latino-americana, compartilhadas com importantes autores do continente, tais como Ignácio Martin Baró, Maritza Montero, Bernardo Jiménez e Jose Miguel Salazar. A repercussão de seus trabalhos culminou em sua laureação como Prêmio Interamericano de Psicologia em 1991.

 

 

Em 1995, chega ao Brasil como professor visitante do Instituto de Psicologia da Universidade de Brasília, permanecendo nesta instituição até o ano 2000. Em 1997, entra em um novo momento de seu trabalho no qual se centra nas consequências de seus trabalhos anteriores para o desenvolvimento de uma Teoria da Subjetividade em uma perspectiva cultural-histórica. O primeiro livro nesta direção foi publicado simultaneamente em São Paulo e Havana: Epistemologia Cualitativa y Subjetividad em 1997.  Desde 2010, é professor visitante do Programa de Pós-Graduação em Educação da mesma Universidade, onde coordena o grupo “A subjetividade na saúde e na educação” e orienta diversos trabalhos de Mestrado e Doutorado Acadêmico. Desde o ano 2000 até os dias de hoje, é professor titular do Centro Universitário de Brasília (UniCEUB), onde é líder da linha de pesquisa Saúde e Educação, bem como orienta trabalhos de graduação e pós-graduação.

 

 

O novo momento no estudo da subjetividade implica um novo conjunto de obras onde há uma permanente articulação em desenvolvimento entre o teórico, o epistemológico e o metodológico. As áreas de pesquisa se ampliam e aparecem importantes diálogos com a teoria das representações sociais, assim como novos campos de reflexão teórica e pesquisa em relação aos temas da psicoterapia, da psicologia social e da saúde. Neste período, o livro Sujeto y subjetividad: una aproximación histórico-cultural, publicado no México em 2002 e no Brasil em 2003, avança sobre os conceitos básicos desta proposta teórica sobre a subjetividade. A partir de 1998, as publicações em idioma inglês dentro desta linha de trabalho crescem rapidamente e nos primeiros anos do século XXI aparecem três importantes publicações em idioma francês sobre o diálogo entre a Teoria da Subjetividade e a Teoria das Representações Sociais.

 

Fernando Luís González Rey morreu em 26 de março, aos 69 anos, vítima de um câncer de próstata, em São Paulo.

(Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2019/04 – COTIDIANO / Por Júlia Zaremba – 

(Fonte: http://www.fernandogonzalezrey.com – Trajetória de Fernando González Rey)

(Fonte: https://www.correiobraziliense.com.br – CIÊNCIA E SAÚDE / Por Humberto Rezende – 27/03/2019)

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