Ettore Sottsass, foi um dos expoentes do design italiano, tornou-se célebre com a máquina de escrever vermelha da Olivetti

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Um dos gigantes do design italiano

Arquiteto criou a máquina de escrever Valentina para a Olivetti nos anos 70, um ícone do movimento pop, considerado “o Papa do design italiano”

O homem que criava objetos com emoção

Ettore Sottsass (Innsbruck, Áustria, 14 de setembro de 1917 – Milão, Itália, 31 de dezembro de 2007), arquiteto e designer, foi um dos grandes nomes do design italiano, apelidado de “Papa do design italiano”. O arquitecto e designer italiano tornou-se célebre com a máquina de escrever vermelha da Olivetti

O designer italiano Ettore Sottsass, ficou muito conhecido em 1969 pelo design da máquina de escrever Olivetti, foi uma revolução ao projetar o chassi da máquina totalmente em plástico e na cor vermelha, o que lhe garantiu o prêmio Compasso D´Oro (o Oscar do design mundial).

Pediram-lhe que criasse uma máquina de escrever portátil, um modelo mais leve para concorrer com as de fabrico chinês que começavam a chegar ao mercado. Ettore Sottsass escolheu um material (o plástico) e, sobretudo, uma cor (o vermelho). E assim nasceu, em 1969, a Valentine, da Olivetti, um dos mais icônicos objetos de design do século XX.

Foi isso – que os objetos podem despertar emoção – que tentou mostrar toda a vida. Para quem olhava para o mundo assim, o emprego que manteve de 1958 até 1980 como consultor da Olivetti para máquinas de escrever, computadores e calculadoras (criou também, em 1959, o Elea 9003, o primeiro computador italiano) parecia pouco promissor (os tempos do iMac e do iPod ainda vinham longe). Ele provou o contrário. Não era por acaso que descrevia a Valentine como uma “máquina anti-máquina”. E muito tinha a ver com a cor. “Todas as cores têm uma história”, explicou numa entrevista há dois anos. “O vermelho é a cor da bandeira comunista, a cor que faz o cirurgião avançar mais depressa e a cor da paixão”. Com Adriano e Roberto Olivetti não falava em “máquinas”, explicou em 2003 ao Le Monde, mas sim da “presença física” daquelas. “Queria dar uma arquitetura a esta invasão. Criar uma ordem, um ambiente tecnológico, claro, mas pensando no trabalho, no ser humano”.

Filho de um italiano (arquiteto) e de uma austríaca, Sottsass nasceu a 14 de Setembro de 1917 em Innsbruck, na Áustria, e aos onze anos instalou-se com a família em Turim, onde fez os seus estudos de arquitetura. Acabou, no entanto, por trabalhar menos como arquiteto (um dos exemplos do seu trabalho é a participação no aeroporto de Milão Malpensa, mas construiu sobretudo casas particulares, em diferentes pontos do mundo). Interessava-lhe mais o interior do que o exterior – “a arquitetura deve oferecer um interior, senão é escultura”, dizia.

Sotasass criou ainda objetos para o grupo italiano Alessi, participou no desenho dos primeiros computadores e integrou o estúdio de mobiliário avant-garde Alchymia nos anos 1970 até fundar em Milão, na década seguinte, o grupo Memphis.

Sottsass estudou arquitetura em Turin e abriu seu primeiro estúdio em Milão em 1947. Apesar da idade continuava na ativa. Conselheiro de desenho para a Olivetti, entre 1958 e 1980, criou a famosa Valentina, uma máquina de escrever portátil vermelha, que virou um ícone do movimento pop nos anos 70. Também criou uma dezena de objetos para o grupo italiano de acessórios de cozinha Alessi.

Le Corbusier “não bastava”

Durante a guerra, foi mobilizado para o exército italiano e participou na invasão do Montenegro pelas tropas de Mussolini, embora rejeitasse a ideologia fascista e mais tarde viesse mesmo a aproximar-se da extrema-esquerda.

Foi no pós-guerra que “tudo começou”, contou ao La Repubblica, na sua última entrevista, a 5 de Dezembro. “Foi então que comecei a reagir à racionalidade do moderno. A esperança de que existisse uma verdade algures fez crescer o valor dos sentidos, até porque em jovem vivi uma vida muito sensorial nos bosques, algo de diferente do que ensinavam os grandes mestres, Le Corbusier e companheiros. Amava muito esses mestres, mas o que diziam não me bastava”.

Ainda antes de começar na Olivetti, fez um estágio de um mês nos EUA, em 1956, com o designer industrial George Nelson, e a euforia do pós-guerra na América, juntamente o boom do consumo e a descoberta de Nova Iorque influenciaram-no decisivamente, aproximando-o mais do design.

Na década de 70, Sottsass desenhou objetos também para o grupo italiano de acessórios de cozinha Alessi, antes de se lançar, em 1981, num dos grandes projetos da sua vida: a criação do grupo de design milanês Memphis, cuja chegada, na descrição do Guardian, “varreu o beije dos anos 70 com mobiliário vestido como um vídeo pop dos anos 80”.

Apaixonado pelas viagens, foi particularmente marcado pela que fez em 1961 à Índia, conta o Times. Aí, o que mais impressionou Sottsass foi “a ligação ritualista, ou até sagrada, das pessoas aos objetos do quotidiano”. Era isso que ele procurava: que um objecto tivesse um sentido, uma relação com a vida.

Desde pequeno, contou ao La Repubblica, que “procurava uma relação entre a arquitetura e a vida”. Aliás, era o que lhe interessava em tudo – nos escritores gostava dos russos, “romancistas da vida e não do romance”, e mais tarde descobriu a beat generation, sobretudo Allen Ginsberg. “Senti que aquela não era a poesia da poesia, mas a poesia da vida”. Quis fazer o mesmo com os objetos. “Tento criar objetos que tenham uma certa força de comunicação, objetos que vibrem. Para mim os objetos são ao mesmo tempo experiências espirituais e emocionais”.

Ettore Sottsass morreu em Milão, aos 90 anos, 31 de dezembro de 2007, vítima de uma insuficiência cardíaca decorrente de uma gripe.

(Fonte: http://cultura.estadao.com.br/noticias/geral – GERAL – CULTURA/ Por Agências internacionais, 31 Dezembro 2007)

(Fonte: http://www.rtp.pt/noticias/cultura – CULTURA/ LUSA – Agência de Notícias de Portugal, S.A. – 31 Dez, 2007)

(Fonte: https://www.publico.pt/temas/jornal – ALEXANDRA PRADO COELHO – 03/01/2008)

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