Eliezer Batista, ex-presidente da Companhia Vale do Rio Doce e ministro de Minas e Energia no governo João Goulart

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Ex-ministro e pai de Eike Batista

 

Eliezer Batista. Foto: Antonio Andrade

Eliezer Batista. (Foto: Antonio Andrade)

 

 

Ex-presidente da Companhia Vale do Rio Doce e ministro de Minas e Energia no governo João Goulart

 

Empresário Eliezer Batista foi o primeiro empregado de carreira a se tornar presidente da Vale do Rio Doce.

 

Eliezer Batista da Silva (Nova Era, Minas Gerais, 4 de maio de 1924 – Rio de Janeiro, RJ, 18 de junho de 2018), empresário do ramo de mineração e ex-ministro de Minas e Energia, pai do também empresário Eike Batista.

 

Engenheiro, Eliezer foi, entre outros cargos, presidente da Vale do Rio Doce, ministro de Minas e Energia, em 1962, e secretário de Assuntos Estratégicos do governo Fernando Collor de Mello em 1992.

 

Batista também participou do segundo governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso como membro do Conselho Coordenador das Ações Federais no Rio de Janeiro.

 

 

Eliezer e Eike Batista em foto de 2007, em entrega do prêmio ‘O Equilibrista’, do Instituto Brasileiro de Executivos Financeiros (IBEF), a Eike, noo Rio de Janeiro (Foto: Tasso Marcelo/AE)

 

 

No ramo empresarial, Eliezer foi diretor-presidente da Minerações Brasileiras Reunidas S.A., vice-presidente da Itabira International Company, diretor da Itabira Eisenerz GMPH, presidente da Rio Doce Internacional (subsidiária da Vale em Bruxelas).

 

 

Depois de retornar à presidência da Companhia Vale do Rio Doce, em 1979, Batista desenvolveu o Projeto Ferro Carajás, primeira iniciativa de exploração das riquezas da província mineral dos Carajás, com áreas do Pará até o Xingú, Goiás e Maranhão.

Eliezer também foi um dos fundadores, em 1997, do Conselho Empresarial Brasileiro de Desenvolvimento Sustentado (CEBDS).

 

 

Engenheiro de formação, Eliezer assumiu vários cargos públicos, entre eles, o de ministro de Minas e Energia e o de presidente, por duas vezes, da Companhia Vale do Rio Doce, além de secretário de Assuntos Estratégicos (SAE), no governo Collor de Mello. Atuou no Programa Grande Carajás, a primeira iniciativa de exploração das riquezas da província mineral dos Carajás, abrangendo áreas do Pará até o Xingu, Goiás e Maranhão.

 

 

Formado em Engenharia Civil, Eliezer é pai de Eike Batista e outros seis filhos. Empresário do ramo da mineração, o engenheiro notabilizou-se na presidência da companhia Vale do Rio Doce e por sua atuação no Programa Grande Carajás (PGC). Foi ministro de Minas e Energia durante o governo João Goulart.

 

 

Eliezer Batista assumiu a presidência da então estatal Companhia Vale do Rio Doce a convite do presidente Jânio Quadros em 1961. Começava ali a administração daquele que é considerado o grande responsável por transformar a mineradora em uma das maiores empresas do mundo no setor.

 

 

Nascido na cidade mineira de Nova Era, em 1924, apostou na demanda das siderúrgicas japonesas pelo minério de ferro brasileiro na década de 1960. Com sua visão empresarial, uniu o útil ao agradável ao criar uma forma de exportar o minério produzido pela empresa brasileira no Japão a preços competitivos como as mineradoras australianas, utilizando exportações a partir do porto de Tubarão no Espírito Santo. Para tanto, realizou mais de 170 visitas ao país asiático para fechar os acordos necessários.

 

 

O sucesso na Vale levou o engenheiro formado na Universidade do Paraná ao Ministério de Minas e Energia, já no governo João Goulart, que governava sob o parlamentarismo adotado depois da renúncia de Jânio. Em 1963, com o presidencialismo retomado, Jango o manteve à frente do ministério e do comando da Vale, onde permaneceria até 1964, quando foi afastado pelo governo militar.

 

 

Foi então nomeado, já em maio de 1968, diretor-presidente da Minerações Brasileiras Reunidas e logo depois, em junho, foi para Nova York para assumir a vice-presidência da Itabira International Company. Entre outubro de 1968 e junho de 1974 foi diretor da Itabira Eisenerz GMPH, com sede em Dusseldorf. Nesse período, também foi presidente da Rio Doce Internacional, subsidiária da Vale com sede em Bruxelas.

 

 

Em março de 1979, no governo do presidente João Figueiredo, voltou à presidência da Vale do Rio Doce, afastando-se da Rio Doce Internacional. A meta do último governo militar era que a empresa tivesse foco no minério de ferro e em Carajás, jazida descoberta alguns anos antes no Pará. O Projeto Ferro Carajás representou a primeira iniciativa de exploração das riquezas da província mineral do local, com as exportações começando em 1985, com a inauguração da Estrada de Ferro Carajás, com 892 quilômetros de extensão e com a utilização de um porto de águas profundas em São Luís do Maranhão.

 

 

Em 1992, Eliezer assumiu a Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) no governo de Fernando Collor de Mello. Na época, desvinculou a SAE das atribuições anteriormente exercidas pelo Serviço Nacional de Informações (SNI). Sob sua gestão na SAE, um estudo apontou a necessidade de construção do gasoduto Brasil-Bolívia, produto de um protocolo de intenções entre os governos de Brasil e Bolívia e posteriormente construído já no governo de Fernando Henrique Cardoso.

 

 

Nos anos mais recentes, voltou à cena com a carreira de sucesso de um dos sete filhos que teve com a alemã Juta Fuhrken, o empresário Eike Batista. Alçado ao posto de homem mais rico do Brasil e um dos mais ricos do mundo, Eike foi dono de empresas de petróleo, mineração, logística e construção naval, todas de capital aberto e que juntas formaram o que se convencionou chamar de Grupo X. No auge do sucesso, Eike não poupou elogios a Eliezer, citado sempre como grande exemplo de empresário e homem de negócios com visão de longo prazo. Mesmo com a derrocada de Eike nos negócios, o prestígio de Eliezer seguiu intocado no mundo empresarial.

 

 

 

Venda para japoneses

 

 

Na Companhia Vale do Rio Doce, vendeu para os japoneses minério de ferro após a Segunda Gerra Mundial, levando o minério do Porto de Tubarão diretamente ao Japão, a preços competitivos com as minas da Austrália. Esse feito o transformou no “engenheiro ferroviário que ligou a Vale ao resto do mundo”. Os japoneses reconheceram seu valor e entregaram a Eliezer Batista a mais alta condecoração daquele país, por ter causado uma verdadeira revolução no sistema de transporte marítimo ferroviário.

 

 

Exerceu, entre 1964 e 1968 os cargos de diretor-presidente da Minerações Brasileiras Reunidas, resultado da fusão da Caemi com a Bethlehem Steel e, em seguida, o de vice-presidente da Itabira International Company (Nova York). Ainda em 1968, assumiu a diretoria da Itabira Eisenerz GmbH, na Alemanha Ocidental, posto no qual permaneceu até 1974. Quando da fundação da Rio Doce Internacional S.A., subsidiária da Vale em Bruxelas, tornou-se seu presidente.

 

Trajetória

 

Eliezer Batista, primeiro empregado de carreira a ocupar o principal posto na empresa. Presidente por duas vezes, Eliezer preparou a então Companhia Vale do Rio Doce para o crescimento que ocorreria a partir da década de 1980, criando uma estratégia de comercialização de minério em grandes volumes e a longo prazo com as siderúrgicas japonesas.

 

 

Em sua primeira passagem pela presidência (1961-1964), para dar suporte ao crescimento, Eliezer idealizou o Porto de Tubarão, no Espírito Santo, dada a necessidade de um porto capaz de receber navios de até 150 mil toneladas – ainda que a maioria da frota mundial não passasse de 60 mil toneladas. A novidade permitiu dobrar o volume de exportações da Vale. Nesse período, Eliezer também era ministro de Minas e Energia (1962- 1964), acumulando os dois cargos.

 

 

Eliezer Batista foi nomeado presidente da Vale aos 36 anos pelo presidente Jânio Quadros, cargo que ocupou de 1961 a 1964. Em 1962, a Vale assinou os primeiros contratos de longo prazo com dez siderúrgicas japonesas, que previam o fornecimento de 50 milhões de toneladas de minério de ferro por um período de 15 anos. Em troca, os japoneses ajudaram a construir o Porto de Tubarão.

 

 

O engenheiro da pequena cidade mineira de Nova Era só voltaria à Vale em 1979. Seu principal desafio: implantar o Projeto Grande Carajás, no meio da selva amazônica. O dinheiro nacional estava escasso. A segunda Crise do Petróleo batia à porta. Eliezer não desistiu e, por três vezes, foi ao Banco Mundial em busca de um empréstimo até  convencer  o presidente do banco, Robert MacNamara, ex-secretário de Defesa dos Estados Unidos nos governos de John Kennedy e de Lyndon Johnson, a liberar o dinheiro.

 

 

Carajás foi orçado em US$ 4,2 bilhões. Mas, graças à organização e ao senso de responsabilidade pública dos envolvidos na empreitada, todas as obras previstas – mina, ferrovia e porto, além de todo o incremento nas áreas social e de infraestrutura – custaram US$ 2,8 bilhões. Ressalte-se, tudo entregue dentro dos prazos previstos.

 

 

Em 1986, Eliezer deixou a presidência da Vale. Vinte anos depois, em 2016, ele emprestaria o seu nome para batizar o maior projeto da história da mineração mundial: o Complexo S11D Eliezer Batista, primeira mina de ferro construída para operar sem caminhões fora de estrada, que permite reduzir em cerca de 70% o consumo de diesel.

 

 

Eliezer Batista faleceu em 18 de junho, aos 94 anos, vítima de insuficiência respiratória aguda, no Hospital Samaritano, zona sul do Rio de Janeiro.

Nota da Vale A Vale divulgou uma nota em que lamenta a morte de Eliezer Batista. Segue a íntegra:

Com imenso pesar, a Vale lamenta o falecimento de Eliezer Batista “Estamos consternados. Nosso maior engenheiro, o homem que teve a visão de preparar a Vale para ser a empresa que conhecemos hoje, se foi.  Eliezer Batista, que um dia recebeu a alcunha de ‘Engenheiro do Brasil’, bem que poderia ser conhecido por: ‘o Construtor da Vale’. Sim, temos orgulho de dizer que fomos a sua principal obra, afirmou o diretor-presidente da Vale, Fabio Schvartsman.”

 

Nota da Firjan

Também em nota, a Firjan (Federação das Indústrias do Rio de Janeiro) expressou que “o Brasil e o Rio de Janeiro devem muito a Eliezer, um dos maiores brasileiros da história”. Em 2016, Batista passou a integrar o Conselho de Eméritos da Federação, criado para debater grandes temas da indústria fluminense.

(Fonte: Zero Hora – ANO 55 – N° 19.119 – 20 de JUNHO de 2018 – TRIBUTO / MEMÓRIA – Pág: 28)

(Fonte: https://www.terra.com.br/economia – ECONOMIA – 18 JUN 2018)

(Fonte: https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia – RIO DE JANEIRO / NOTÍCIA / Por G1 Rio – 18/06/2018)

(Fonte: https://istoe.com.br – EDIÇÃO Nº 2530 – GERAL / Por Agência Brasil – 18/06/18)

(Fonte: http://www.valor.com.br/empresas – EMPRESAS / Por Cláudia Schüffner e Rafael Rosas | Valor – 18/06/2018)

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